quinta-feira, 9 de julho de 2009

Ludovic - Idioma Morto (2007)



SEM TRÉGUA

Não é de se estranhar que os paulistas do Ludovic não se tornaram queridinhos da MTV ou da Revista Rolling Stones, onde-se impera bandas emos (que mais parecem pop-sertajeno com guitarras). As letras falam de amor, sim; mas aqui a emoção é verdadeira, além de serem tratadas de forma poética. As influências estão nos anos 80, que vão de Legião Urbana a Sonic Youth, passando por Joy Division e o saudoso Fellini. Engraçado que o vocalista Jair diz fã de Rufus Wainwright e Kate Bush.
Apesar de existirem desde 2000, só gravaram dois discos, Servil (2004) e esse Idioma Morto (2007). Rock cru, intenso, furioso, cantado muitas vezes às lágrimas pelo Jair Naves regado a muito álcool. Sempre tocando em festivais independentes ou qualquer buraco que forem convidados.

O Ludovic prova – na raça – que fazer rock´n´roll vai muito além de usar cabelos nos olhos, tatuagens, piercing e ir em programas de auditório – a forte personalidade dos integrantes é o suficiente. Nada de dar tchauzinhos e mandar beijinhos para as fãs, no palco Jair pula, se contorce a maneira de um Jello Biafra ou Iggy Pop. Se depender das bandas independentes, o rock nacional ainda está salvo.


Um Grande Nó

Vinte meses em claro
Quase dois anos sem dormir
Prece rezada em longos atos
"senhor, arraste-os para onde eles
Não possam mais mentir"

O mundo exige um linchamento
(minha memória retorcida em um grande nó)
Mas eu de nada me arrependo
(minha memória retorcida em um grande nó)

Quem é o mais covarde?
Eu não saberia dizer
Porque eles só me atacam em bandos
Só agrupados em centenas eles ousam aparecer

O mundo exige um linchamento
(minha memória retorcida em um grande nó)
Mas eu de nada me arrependo
(minha memória retorcida em um grande nó)

Cabe a ti
Esse é o seu papel
Permaneça em pé
Ouça somente a si mesmo
(ou ao que lhe convém ouvir)

Com tanto gosto, ela ressurge
Recitando velhos sermões
Berrados a plenos pulmões
"enfim o caçula cresceu, agora há um filho seu
Que o mundo não aprova
Que a sua própria seita ignora
Como um perna amputada
Que ainda coça, apesar de ausente"

"vista-se em lágrimas que jorrem sem cessar",
Ordena a voz que me persegue sem cansar

Ah, eu conheço bem
Quem me assombra
Tão dedicado a min...



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2 comentários:

Adri disse...

não é tipo de som q eu curto, vc sabe... mas concordo q a pegada deles é anos 80, meio apunkalhado... legal!
parabéns por postar coisas q a mídia não dá muito espaço.

Mary Joe disse...

Concordo com a Adriana, tem algo de anos 80.
Mas ainda concordando com ela, nao é muito minha praia.
Porém sempre vale conhecer. =)
Beijokas
Mary Joe