sexta-feira, 31 de julho de 2009

HEYA! O começo de tudo


Quem me conhece sabe que a canção que me fez gostar de música e que considero a mais importante da minha vida é White Shade of Pale do Procol Harum. Mas poucos sabem qual a música que me fez a curtir rock.
Houve uma época em que não existia Rádio FM – surgiu em 1978 com a Rádio Del Rey – em Belo Horizonte. A juventude era ligada em uma rádio que ainda se chama Rádio Cultura AM (a programação hoje é uma vergonha); mas naquela época era uma rádio muito legal. Todos malucos paravam às 14:00 até às 17:00h para ouvir o programa Cash Box. E eu, um menino de uns 7 anos, lá pelos idos de 1976, por influência dos primos, também fiquei ligado ao Cash Box.
A abertura deste programa era a música "HEYA!", de J.J. Light – um índio navajo (!) – que foi baixista no Sir. Douglas Quintet, e gravou esse disco, em 1969, assessorado por feras como Jim Gordon, Joe Osbourne e Ron Morgan. Hoje uma raridade, e quem têm pode-se considerar um felizardo.
Quando começava o programa com J.J. Light cantando êia,êia,êia,êia,êia,êia,êia,eia, eu pirava o cabeção – não só eu, mas toda uma geração! Depois ouvíamos o apresentador dizer “Cuuulturra....” enquanto a música ainda sacudia nossa alma, e também “seu rádio ta pegando fogo bicho?”. As 22:00 horas rolava o “Ritmos da Noite”, que era muito bom também,e o tema de abertura era do Creedence com a música I Heard It Through the Grapevine.
Hoje sei que o programa era feito por Jorge Márcio e Oliveira Rangel, e que naquela época entendiam tudo de rock. Meus ouvidos já começavam a prestar a atenção em “quem era quem” no rock. O Jorge Márcio foi para a Rádio Cidade no início da década de 1980 e Rangel nem faço ideia para onde foi.
Nos anos 80, fui curtir a rádio Terra com o programa “O rock que a terra não esqueceu” que também começava com uma puta música: Rock & Roll Preacher do Slade, além do programa do Mister Tim na rádio Musirama de Sete Lagoas, que foi uma escola para mim. O sujeito era um norte-americano que se orgulhava de ter ido ao Woodstock, e não se sabe porquê foi parar em Sete Lagoas.
Mas Heya marcou. Foi a partir dessa música que tudo começou: passei a querer saber de tudo sobre esse “tal de rock´n´roll”. Deixei o cabelo crescer, economizar dinheiro para comprar disco e matar aula pra ouvir Led Zeppelin. Heya se tornou um marco de uma geração.


2 comentários:

Adri disse...

eu lembro do programa "o rock que a terra não esqueceu". parece q eu ouço a chamada: o dia que a terra... NÃO ESQUECEU! - o cara falando como se fosse um hino de rock'n'roll. meu irmão mais velho ouvia SEMPRE! e eu ODIAVA...

essa música lembra the doors... acho q é pq tem uma coisa de indío americano. acho q vc já foi xamã noutra vida! e eu tmb. mas eu não gostei ou fiz algo q não prestava pra não querer me lembrar.

beijos

Mary Joe disse...

Nossa, Claudio, que saudades! Puxa, eu também ouvia a radio cultura. Sou a filha caçula, entaõ, não era nem por escolha minha, meus irmãos ouviam e eu ia de carona.
Acho que não marcou tanto a minha vida como a sua, sem dúvida.
Mas que era bom, era.
Beijokas
Mary