terça-feira, 30 de junho de 2009

THE KINKS - THE KINKS (1964)


O Black Sabbath inventou o som heavy metal, o Steppenwolf o termo, mas foi o The Kinks que introduziram o primeiro riff de heavy metal da história em You Really Got Me. A canção saiu num single em agosto de 64 e, a seguir, no primeiro álbum dos Kinks. E levou Ray Davies (voz, guitarra), seu irmão Dave (guitarra), Peter Quaife (baixo) e Mick Avory (bateria) - todos de Muswell Hill, norte de Londres - ao topo da concorrida cena beat.
Até então, eles e os Animals, Yardbirds, Zombies e afins formavam um bloco amorfo, cujo repertório era composto basicamente por covers (hit do r´n´r, standards do blues, novidades soul). Foi quando passaram a privilegiar material próprio que as diferenças apareceram. Entre essas tentativas que surge You Really Got Me que faturou o primeiro lugar nas paradas. Dois minutos e onze segundos de peso, vocais com sotaque cockney, mágica seqüência de posições - sol, fá, si - e um solo fuzz absolutamente desvairado de Dave (ou Jimmy Page, segundo a lenda, embora seu take realmente tivesse sido limado na hora H) garantiram imortalidade ao grupo. Sua influência reverbera até hoje.
A versão original de You Really Got Me era mais lenta, calcada no blues (grande influência de Ray Davies) e jazz. Composta ao piano, Dave Davies (irmão de Ray) tranportou-a para a guitarra, ao mesmo tempo em que tacou uma gilete no cone de seu amplificador, além de furar os alto-falantes com um lápis e espetado agulhas de costura pelo equipamento, para ganhar mais distorção. Para época, não havia riff mais sujo, distorcido e metalizado.
The Kinks ainda lançaria grandes álbuns, mas sem nunca ter a merecida fama de contemporâneos como The Who, The Beatles e The Rolling Stones. Entre 66 e 70, lançaram vários álbuns conceituais, entre eles, uma ópera-rock, Arthur or The Decline And Fall Of The British Empire (1969), no qual criticavam a sociedade inglesa. Tiveram outros sucessos como Lola, Waterloo Sunset e Victoria (regravada pelo The Fall nos anos 80) e o último sucesso foi a ótima Come Dancing, de 83.

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quinta-feira, 18 de junho de 2009

Common One (1980) - Van Morrison


Van Morrison é um buscador da verdade, de si mesmo – como eu também sou. O sujeito que já cantou canções como The Mystic Man e Into The Mystic; ganhou título honorário de filosofia da Universidade de Belfast (onde nasceu); leu muito William Brake e seguiu conselhos da esotérica Alice Bailey e Alan Watts (alguém já ouviu a música Alan Watts Blues?); mas também se decepcionou muito com o caminho das crenças religiosas, e isso ficou visível no álbum No Guru, No Method, No Teacher (1986), após romper com a cienciologia (àquela mesma que vive atraindo gente famosa como John Travolta e Tom Cruise).
Tem certas coisas que parecem que está na nossa alma, mesmo que tentemos afastar, não conseguimos. Creio que Morrison seja uma dessas pessoas: obcecado pela transcendência, foi em Common One que ele mais mergulhou no tema: lírico, belo e levado por uma musicalidade jazzística e blues.
Em apenas seis músicas o disco arrasta-se por mais de 50 minutos, mas mal percebemos, por estarmos envolvidos pela busca de Van Morrison, ou talvez de todos nós.



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domingo, 14 de junho de 2009

The Soul Session (2003) - Joss Stone


Uma das primeiras cantoras a iniciar o revival do soul no Século 21, foi a inglesa Joss Stone. Saudada apressadamente como a “nova Aretha Franklin”, a moça surpreendeu muita gente, – à época com 16 anos - com uma voz possante, ao contrário de muitas de sua geração, gravou seu primeiro album, The Soul Session, basicamente com covers de soul; gente da estirpe de Betty Wright (esta ainda participa do disco), Bobby Miller e Aretha Franklin. Nesse debut ela é acompanhada por competentes instrumentistas de apoio – os integrantes do The Roots, o guitarrista Little Beaver e o tecladista Timmy Thomas.
Joss que começou a carreira, aos 14 anos, quando fez um teste para o programa de talentos da BBC Star for a Night, a garota disléxica, cantou (You Make Me Feel Like) A Natural Woman (1968) de Aretha Franklin e Its Not Right but Its Okay, (1998) de Whitney Houston, vencendo o concurso.
No disco seguinte "Mind, Body e Soul”, já com algumas canções próprias, ela ainda consegue manter um bom padrão musical, embora já percebe-se influências de rap e pop.
Infelizmente, parece que a moça ficou exageradamente encantada com o sucesso e seu último trabalho Introducing Joss Stone (2007) não passa, na melhor das hipóteses, de uma “nova Beyoncé”. Uma soul music, polida, de contornos bem definidos, mas desprovida de uma gota de emoção. Agora, no lugar de competentes músicos, ela se vê acompanhada por operadores de Pro Tools, samples alheios e desconhecidos músicos de aluguel, arranjos modernetes e produtores da moda.
Saem de cena os ecos da geração Motown (providos, em particular, por sua “ex-madrinha” Betty Wright) em favor de participações especiais atreladas ao cada
vez mais rentável rap de arena A voz de Joss Stone continua maravilhosa, afinada; mas os excessos estilísticos da intérprete não são lá muito diferentes daqueles associados aos candidatos do patético Ídolos!
Eu já desconfiava desse novo direcionamento, quando em seus vídeos americanizados ela salientava mais as curvas de seu belo corpo do que a música.



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