sexta-feira, 20 de março de 2009

Lou Reed - Transformer (72)



Lou Reed,o Dostoiévski do rock

Se eu fosse psicanalista e me dessem a oportunidade de escolher uma figura da música para analisar, escolheria sem dúvida Lou Reed. O cara sempre teve amigos estranhos... a começar por Andy Warhol e toda turma do Velvet Underground - há de convir que eram uns tipos esquisitos: Nico parecia uma suicida em potencial; John Cale, um músico erudito que tocava rock´n´roll; Sterling Morrison, um cowboy perdido em New York (ele chamava sua guitarra de guitarra-avestruz) e Maureen Tucker, uma mulher que tocava bateria que não parecia com uma mulher.
Lou Reed é conhecido como o poeta das ruas, do submundo, das mazelas da humanidade; já nos anos 60 falava de heroína enquanto os hippies romantizavam drogas como LSD e prendiam flores nos cabelos - o flower power foi sendo assimilado pelo establisment. Longe das cores lisérgicas dos hippies da Califórnia, em uma New York cinzenta, Lou e sua banda velvet Underground narravam um cotidiano frenético, tomado pela violência de festas regada a orgias com travestis.
Reed quando criança fez um tratamento de choques eletricos na cabeça. Segundo seus pais, o tratamento era para reduzir sentimentos homossexuais! Ainda adolescente, Lou já tocava guitarra em uma banda chamada The Jades e, aos 14 anos, gravou seu primeiro disco (o compacto So Blue/Leave Her For Me, de 57). Vai para universidade por pressão dos pais e conclui seu curso de Letras. Resolve ser músico profissional e, em fins de 64, gravou um compacto sob o nome The Primitives (um grupo que não existia, pois ele era o único integrante). Neste ínterim, conhece John Cale e logo monta o Velvet Underground (título tirado de uma revista de sadomasoquismo, encontrada na rua).
Depois de sair do Velvet Underground, resolveu unir-se ao movimento glam que estavam em acensão; pintou o cabelo de loiro e quase careca, colocou baton, pintou as unhas e largou a guitarra para assumir um personagem andrógino de roqueiro transloucado em Transformer e ainda por cima teve um caso com um travesti (Rachel, que aparece na capa da coletânea Walk on wild side).
Em 1975, gravou o maior suicídio comercial da história da música: Metal Machine Music - um álbum duplo só com microfonia e distorção de guitarra, e nada de melodias em seus 64 minutos de “música”.
Contou a história da degradação de um casal do começo ao fim (Berlim). Foi um dos poucos músicos a fazer música questionando a existência (a música Who I am?), um disco inteiro falando sobre morte e perda (Magic and Loss) e no ao vivo Take No Prisoners mais briga com o público do que canta. Gravou até discos para meditação (Wind Meditations) e pratica tai chi.
O disco em questão é Transformer, lançado em 1972. Sei que muitos o acusaram de querer ser David Bowie; esses que assim pensam desconhecem a personalidade imprevisível e multifacetada de Lou. Nesta época, Lou Reed andava meio sem rumo depois do fim do Velvet Underground, quando o incansável Bowie e Mick Ronson produziram e arranjaram este álbum. O tema do trabalho é ambiguidade sexual, vida alternativa e o evangelho segundo Andy Warhol. O humor negro e ácido de Lou nunca esteve melhor do que em Walk On The Wild Side, Vicious e Make Up, seu lado romântico/neurótico nunca esteve mais sedado do que em Perfect Day e Satellite Of Love. Até hoje, Lou Reed é obrigado pelos fãs a tocar ao vivo essas canções, constantemente regravadas.
Esse disco o recolocou novamente entre os grandes artistas da música, pois ele estava pensando seriamente em largar a carreira depois do fracasso de seu primeiro álbum solo.
Lou Reed é um artista que não só tocou em temas controvertidos como também conviveu com travestis, bêbados, drogados e prostitutas. Figuras sórdidas nas quais o compositor conseguiu vislumbrar encantamento suficiente para criar pequenas obras-primas.

A imagem do video não está muito boa, agora se você quer boa imagem vai ver Ivete Sangalo no programa do Faustão que deve ser sua praia.



Link: http://rapidshare.com/files/211743444/lou_reed_-_transformer.rar.html

Um comentário:

Adri disse...

Foda essa sua análise! Tem tudo a ver o Lou ser formado em Letras... E tipo... Sabe o que essa tragetória me lembra? O Decadentismo - movimento literário... Legal demais, viu? Adorei!