sábado, 28 de março de 2009

Pogues - Peace & Love (1989)


Shane MacGowan, um punk irlandês inspirado pelo The Clash, formou os Pogues em 1982 depois de conhecer Spider Stacy numa estação de metro em Londres, onde Stacy tocava flauta. Os dois começaram a ensaiar juntos e recrutaram um velho conhecido de Macgowan, James Fearnley para tocar guitarra, Jem Finer para o banjo, Andrew David Ranken para a bateria e Cait O'Riordan para o baixo.
Todos os discos dos Pogues com Shane são maravilhosos. Ouvi os Pogues pela primeira vez em 1989, quando saiu Peace & Love no Brasil, à época em vinil. Infelizmente MacGowan saiu da banda em 1991 e, mesmo assim, lançaram ainda dois bons discos - Hell´s Ditch e Pogue Mahone -, e acabaram pendurando as chuteiras em 1996.
Era difícil manter Shane na banda, pois o sujeito vivia bêbado, chegando muitas vezes a desaparecer por alguns dias. Lembro que fui ver o programa da MTV Top Top como tema os caras que mais bebiam no rock. E estava certo que Shane MacGowan, obviamente, estaria em primeiro lugar. Não lembro quem ficou em 1º lugar, mas Shane nem sequer foi citado! Quem já assistiu videos dos Pogues ao vivo perceberá que ele não pára de beber um minuto. Ele se enrola com o microfone, caminha cambaleante pelo palco, briga com o backing, e canta como se estivesse em um pub rodeado por cervejas.
Peace & Love é o quarto álbum dos Pogues e o que se ouve ao longo das quatorze faixas é uma sucessão de furiosos folk, rocks e baladas bêbadas através de levadas predominantemente acústicas (bandolim, banjo, acordeão, sopros, cordas), que já se tornaram marca registrada deste combo de músicos irlandeses e ingleses. Há surpresas neste álbum – produzido novamente por Steve Lillywhite -, incursões pelo jazz (como na faixa instrumental de abertura, Gridlock), música latina (Blue Heaven) e flamenca (Night Train to Lorca), além de uma cândida balada (Lorelei), cantada em dueto pelo guitarrista Philip Chevron e por Kirsty MacColl, esposa de Lillywhite. Mas dentre este brilho coletivo ainda ressaltam-se os vocais encharcados de álcool de MacGowan, como em Boat Train, USA ou na funérea Tombstone. Por todos os dentes apodrecidos de Shane, que belo disco!



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quinta-feira, 26 de março de 2009

Sunlight to Blue... Blue to Blackness - The Durutti Column (2008)



“Eu tomava LSD porque meu psiquiatra receitava”

Reverenciado por Robert Fripp, líder do King Crimson, Vini Reilly continua à frente do Durutti Column acompanhado de seu escudeiro fiel, o baterista Bruce Mitchell. Sunlight to Blue... Blue to Blackness é de 2008, e os fãs dos primórdios da carreira do Durutti Column perceberão que este álbum lembra muito os primeiros trabalhos, principalmente The Return Of The Durutti Column, de 1980. Não só por ser quase todo instrumental, mas também por recuperar a simplicidade em que o estilo único de tocar guitarra de Reilly se sobressai - deixando um pouco de lado as incursões pela eletrônica.
As primeiras cinco faixas são instrumentais, apresentando vários temas e riffs de obras anteriores, e a sexta faixa é uma releitura de “Never Know”, canção do disco LC (1980). As influências flamengas continuam fortes, como se pode ouvir em Demo for Gathering Dust e a sensibilidade de sempre em Read Glue e So Many Crumbs and Monks.
O Durutti continua destilando sua melancolia em músicas leves e fluidas através da guitarra impressionista de Vini Reilly, de um estilo único e voz lacônica. Reilly, essa figura anoréxica que um dia isolado em seu quarto em Manchester pensava seriamente em desistir da sua própria vida, se não fosse Tony Wilson acreditar em sua música e talento, tirando-o da depressão e levando-o gravar na Factory.



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sexta-feira, 20 de março de 2009

Lou Reed - Transformer (72)



Lou Reed,o Dostoiévski do rock

Se eu fosse psicanalista e me dessem a oportunidade de escolher uma figura da música para analisar, escolheria sem dúvida Lou Reed. O cara sempre teve amigos estranhos... a começar por Andy Warhol e toda turma do Velvet Underground - há de convir que eram uns tipos esquisitos: Nico parecia uma suicida em potencial; John Cale, um músico erudito que tocava rock´n´roll; Sterling Morrison, um cowboy perdido em New York (ele chamava sua guitarra de guitarra-avestruz) e Maureen Tucker, uma mulher que tocava bateria que não parecia com uma mulher.
Lou Reed é conhecido como o poeta das ruas, do submundo, das mazelas da humanidade; já nos anos 60 falava de heroína enquanto os hippies romantizavam drogas como LSD e prendiam flores nos cabelos - o flower power foi sendo assimilado pelo establisment. Longe das cores lisérgicas dos hippies da Califórnia, em uma New York cinzenta, Lou e sua banda velvet Underground narravam um cotidiano frenético, tomado pela violência de festas regada a orgias com travestis.
Reed quando criança fez um tratamento de choques eletricos na cabeça. Segundo seus pais, o tratamento era para reduzir sentimentos homossexuais! Ainda adolescente, Lou já tocava guitarra em uma banda chamada The Jades e, aos 14 anos, gravou seu primeiro disco (o compacto So Blue/Leave Her For Me, de 57). Vai para universidade por pressão dos pais e conclui seu curso de Letras. Resolve ser músico profissional e, em fins de 64, gravou um compacto sob o nome The Primitives (um grupo que não existia, pois ele era o único integrante). Neste ínterim, conhece John Cale e logo monta o Velvet Underground (título tirado de uma revista de sadomasoquismo, encontrada na rua).
Depois de sair do Velvet Underground, resolveu unir-se ao movimento glam que estavam em acensão; pintou o cabelo de loiro e quase careca, colocou baton, pintou as unhas e largou a guitarra para assumir um personagem andrógino de roqueiro transloucado em Transformer e ainda por cima teve um caso com um travesti (Rachel, que aparece na capa da coletânea Walk on wild side).
Em 1975, gravou o maior suicídio comercial da história da música: Metal Machine Music - um álbum duplo só com microfonia e distorção de guitarra, e nada de melodias em seus 64 minutos de “música”.
Contou a história da degradação de um casal do começo ao fim (Berlim). Foi um dos poucos músicos a fazer música questionando a existência (a música Who I am?), um disco inteiro falando sobre morte e perda (Magic and Loss) e no ao vivo Take No Prisoners mais briga com o público do que canta. Gravou até discos para meditação (Wind Meditations) e pratica tai chi.
O disco em questão é Transformer, lançado em 1972. Sei que muitos o acusaram de querer ser David Bowie; esses que assim pensam desconhecem a personalidade imprevisível e multifacetada de Lou. Nesta época, Lou Reed andava meio sem rumo depois do fim do Velvet Underground, quando o incansável Bowie e Mick Ronson produziram e arranjaram este álbum. O tema do trabalho é ambiguidade sexual, vida alternativa e o evangelho segundo Andy Warhol. O humor negro e ácido de Lou nunca esteve melhor do que em Walk On The Wild Side, Vicious e Make Up, seu lado romântico/neurótico nunca esteve mais sedado do que em Perfect Day e Satellite Of Love. Até hoje, Lou Reed é obrigado pelos fãs a tocar ao vivo essas canções, constantemente regravadas.
Esse disco o recolocou novamente entre os grandes artistas da música, pois ele estava pensando seriamente em largar a carreira depois do fracasso de seu primeiro álbum solo.
Lou Reed é um artista que não só tocou em temas controvertidos como também conviveu com travestis, bêbados, drogados e prostitutas. Figuras sórdidas nas quais o compositor conseguiu vislumbrar encantamento suficiente para criar pequenas obras-primas.

A imagem do video não está muito boa, agora se você quer boa imagem vai ver Ivete Sangalo no programa do Faustão que deve ser sua praia.



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domingo, 15 de março de 2009

Lily Allen - It´s Not Me, It´s You (2009)



Lily Allen troca o ska pelo electro-pop

Lily Allen largou as influências de ska, reggae e pitadas de rap de seu primeiro trabalho Alright, Still. Neste novo álbum, ela partiu para músicas declaradamente electro-pop e quase nada de ska. Na verdade, ela até chegou a chamar o disco de electropop. Isto foi o suficiente para a imprensa cair em cima da moça. A revista Rolling Stone chegou a compará-la à Britney Spears – talvez, por ter feito um cover de Womanizer. Engraçado é que se a moça tivesse reprisado a receita de Alright, recheado de ska e regga, com certeza esses mesmos críticos estariam acusando-a de repetir uma fórmula que deu certo.
It's Not Me, It's You que originalmente chamaria Stuck on the Naughty Step foi lançado no dia 9 de fevereiro de 2009 . E, não tem como resistir ao primeiro single do cd The Fear e I Could Say que lembra as bandas pop suecas como Club 8 e a londrina Saint Etienne.
Parece que Lily já previa as críticas negativas que está recebendo. Em entrevista ela disse se referindo ao novo disco antes de ser lançado, “estou morrendo de medo do que as pessoas vão dizer. Algumas pessoas vão gostar, outras não. Se as pessoas odiarem, então vou experimentar outra coisa. E se o barco de cantora pop afundar, ela já pensou até em que carreira seguirá: “Eu realmente gostaria de ser relações artísticas de uma gravadora. Adoro ir a shows”. Bom, se depender de mim, vai continuar a ser cantora pop.

Curiosidade:
Lily Allen é filha do apresentador de TV Keith Allen, que co-escreveu com o New Order a canção-tema da seleção inglesa de futebol na Copa de 90, World in Motion.



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domingo, 8 de março de 2009

Lá vem o Kiss de novo!


O Kiss é uma destas bandas que não cansa de “voltar”. E lá vem mais turnês e promessa de novo álbum de inéditas. Em entrevistas, os dois únicos remanescentes da formação original Paul Stanley e o linguarudo Gene Simmons já andaram pronunciando sobre as novidades do Kiss. Segundo Gene Simmons, estarão na América do Sul no final de 2009 e um novo disco do Kiss que “musicalmente parece com o Destroyer (1976)”. Complementando o parceiro Paul Stanley diz “"É um álbum do Kiss no sentido mais real e clássico, estamos gravando em equipamento analógico, não digital, e compondo tudo sozinhos", comentou. Além disso, pretendem lançar uma caixa chamada Alter Ego, com mais de 150 músicas, algumas “jamais ouvidas antes”, escritas em 1969!

Merchandise
O Kiss é a banda que mais abusa em merchandise: tour book, chaveiros, copos, bonés, bonecos, jogo de damas, camisinha, cosméticos, jogo tipo banco imobiliário, aventais e bolas de boliche e o mais impressionante é o caixão do Kiss que serve também de freezer para gelar uma cervejinha. Assim, os fãs mais ardorosos poderão não só ser fã em vida, mas na morte!
A banda começou grande, e com um grande investimento por trás. É como observou Iggy Pop uma vez: “O Kiss abriu para nós em Nova York, em 1973. Eles eram o terceiro no line up daquela noite, devem ter recebido uns 50 paus, mas tinha uma placa gigante: Kiss, feita de luzes e que devia pesar uns 300 quilos. Claro que alguém injetou dinheiro naquela banda, era um plano de negócios”.

Este é o Kiss. Exagerados, egocêntricos e mulherengos, mas é admiráveis em alguns aspectos, principalmente na pessoa de Gene Simmons que entre todas as tentações do show business nunca sucumbiu ao fumo, bebida ou drogas. Segundo Gene, ele nunca fumou, bebeu ou usou drogas por causa de sua mãe, que viu toda sua família ser morta em Auschwitz (Gene é de família judia) e sua grande força para lutar pela vida. Isto pareceu que gerou uma grande admiração em Gene Simmons pela sua mãe. Isto mostra que se educa pelo exemplo e não com dedo em riste no rosto dos filhos.

Shows no Brasil do Kiss:
07/04 - São Paulo/SP (Anhembi)
08/04 - Rio de Janeiro/RJ (Apoteose

terça-feira, 3 de março de 2009

Bobby Fuller, o Elvis texano


Quase todo fã da extinta banda inglesa The Clash, conhece uma música gravada por eles chamada I Fought the Law. Mas esta canção originalmente é de Bobby Fuller, considerada um de seus maiores sucessos. Bobby foi um desses artistas que aproveitou a ausência de Elvis Presley quando este foi servir o exército, e concorreu ao título de “rei do rock”. Ao contrário de Elvis, Bobby Fuller foi muito mais fiel ao rock básico. Como muitos no início dos anos 60, vivia basicamente de singles; no entanto, seus dois álbuns editados pelo selo Mustang, KRLA King Of The Wheels e I Fought The Law, são necessários para a compreensão da história do rock americano. Existe também o cd El Paso Rock Vol I e II que reúnem os singles que ele gravou durante sua carreira. É uma grande amostra do que o artista, lá no seu canto, no sudoeste do Texas, fez como músico, compositor e produtor.
A música de Fuller ecoa ainda hoje fresca, instigante e gloriosa, sem o sabor rançoso e anacrônico que solapa os sons de seus contemporâneos e dos jurássicos rockers de antanho. Este grande artista, fiel ao rock básico, morreu em 1966, e alguns, ainda hoje, consideram sua morte suicídio, embora muitos acreditem que Bobby tenha sido assassinado. Isto porque, ele foi encontrado dentro de seu carro, com vários ferimentos pelo corpo e coberto de gasolina, levantando a hipótese de que os prováveis autores do crime tiveram de fugir antes de poder incendiar o veículo.