sábado, 14 de fevereiro de 2009

Jim Morrison - O Rei Lagarto


É coincidência? Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin e Brian Jones, todos morreram prematuramente aos 27 anos, e de forma trágica. Além disso, os nomes começaram com a letra J. Tudo bem que Brian Jones não começava com J, mas tinha J no segundo nome. A rebeldia, o inconformismo, a necessidade de ir contra o establishment,era uma característica comum entre eles. Jim Morrison quando percebeu que a tietagem e a mídia estava vendo-o mais como sexy símbolo do que um poeta e cantor, foi logo se rebelando contra isto, deixando a barba crescer e engordando. Hoje, vemos o contrário, artistas aproveitando de seu sexy appeal para subir mais nas escadas do sucesso, ou Janis Joplin que escondia sua bisexualidade e, à época, apenas pessoas próximas sabiam de seus casos com mulheres. Hoje, vemos rainhas e princesas do pop se beijando em premiações no mundo da música, tirando o máximo de proveito dos holofotes.
De todos estes, Jim Morrison foi o que mais se revoltou contra qualquer tipo de autoridade. Também pudera, filho de um oficial da Marinha, e uma rígida educação metodista a que Jim foi submetido nos primeiros anos de infância foi acrescida com a severa disciplina quase militar imposta pelo pai, o que contribuiu para gerar em Jim um ódio intrínseco a qualquer espécie de autoridade.
A vida de Morrison, só começou mesmo a mudar quando descobriu o livro On The Road, de Jack Kerouac e As Portas da Percepção de Aldous Huxley, grande influência sobre ele, que adotou uma atitude beatnik de vida e mergulhou nas obras de escritores como Lawrence Ferlinghetti, Allen Ginsberg, Gregory Corso e outros; além de filósofos como Friedrich Nietzsche. Virou um devorador de livro e excelente aluno no colégio, destacando-se com excelentes notas.
Seu interesse por música venho mesmo a tomar consistência quando conheceu Ray Manzarek (um grande fã de blues), quando ambos estudavam cinema na UCLA. É antológica a cena de Ray e Jim na praia – que está no filme The Doors, de Oliver Stone - e este pediu-lhe que cantasse uma de suas músicas e, assim foi formado o embrião do The Doors. Ray era seguidor do “guru dos Beatles” Maharish Yogi, como também John Densmore e Robert Krieger faziam parte da mesma classe de meditação de Ray no centro Maharish. A banda foi buscar o nome no livro «The doors of perception», de Aldous Huxley, que por sua vez, o tinha ido buscar em um poema de William Blake, artista e poeta do século XVIII, que dizia: «se as portas da percepção fossem abertas, tudo apareceria ao homem como realmente é, infinito».
O resto da história é bem conhecida: The Doors fez grande sucesso, enquanto Jim se afundava em bebidas e LSD. Jim teve sua Yoko Ono espelhada em Pamela Courson, mas chegou a casar foi com Patricia Kennely, editora do magazine Jazz & Pop, que conhecera durante uma entrevista. Casaram-se em uma excêntrica cerimônia no apartamento gótico-vitoriano de Patricia, seguido dos rituais de feitiçaria de uma seita que ela seguia. Mas em 1971, vai para Paris com Pamela, quando estava na dúvida se queria continuar com a banda ou se dedicasse exclusivamente a poesia e literatura.
Este dilema manteve-se sem solução, com morte repentina de Jim em 3 de julho. Foi o ponto final de uma existência repleta de todos os tipos de excesso dos mais vitais aos mais letais. Sua companheira, Pamela, não demoraria a seguir o mesmo caminho, morrendo de overdose de heroína menos de três anos depois. Quanto aos outros membros do grupo, a princípio incentivados pelo selo Elektra, tentaram levar adiante a lenda dos Doors tocando como trio, com Ray e Robbie revezando-se nos vocais. Os esforços foram em vão, pois a porta principal já estava fechada.
É dele o túmulo mais visitado do Pére Lachaise, o famoso cemitério francês que abriga ossadas célebres como as dos escritores Honoré de Balzac e Oscar Wilde e a do compositor Frederic Chopin, e a cantora Édith Piaf. Mas infelizmente os poucos brasileiros que vão lá, não é por causa de Jim Morrison, e sim, por causa do “pai do espiritismo”, Alan Kardec, que com seu fanatismo pelo insignificante filósofo - que os franceses mal se lembram - enfeitam o túmulo mais que carro alegórico do carnaval do Rio. Fazer o quê?

Nota: o título de Rei Lagarto veio da suíte "The Celebration Of The Lizard", um longo poema escrito por ele e musicado pelo grupo, no qual reafirmava sua fascinação por répteis (como em alguns versos de "The End") e que lhe valeu a alcunha de Rei Lagarto. Esta música só saiu na integra no ao vivo Absolutely Live.

Um comentário:

Adri disse...

Excelent post! Aprendi muito mais lendo aqui que vendo o filme. Muitas coisas eu já sabia, mas adorei a referência do nome da banda! A frase de Blake é maravilhosa...