sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Stoa - Silmand (2008)


Eu conheci o Stoa quando saiu a coletânea Heavenly Voices pelo selo Hyperium, era o início dos anos 90, e este selo era especialista em música “etérea” – hoje costumam dizer darkwave – que tinha como inspiração bandas como Cocteau Twins e principalmente Dead Can Dance. Em geral, estas bandas soavam melancólicas, com belas atmosferas criadas por sintetizadores, um estilo meio medieval, meio neoclássico, com destaque para as vozes femininas.
Ao lado do Black Tape for a Blue Girl, o Stoa eram um dos melhores representantes do gênero. O grupo alemão foi fundado em 1991 por Olaf Parusel (compositor/arranjador.) que tinha em mente criar um projeto em que pudesse relacionar suas idéias sobre música e filosofia. O nome escolhido para denominar o projeto tem, aliás, uma relação profunda com a filosofia. Stoa em grego significa "pórtico", os filósofos estoicistas ficaram assim conhecidos porque costumavam discutir suas idéias no pórtico da Ágora de Atenas.
O primeiro registro foi Urthona (1993), que traz canções em latim e inglês arcaico. No ano de 1994, lançam Porta VIII, bem mais sombrio; um álbum conceitual que tem como tema um conto do escritor belga Maurice Maeterlinck, intitulado "Ariadne e Barba Azul" (Ariadne et Barbe Bleue). Nesse conto de fadas famoso, um homem casa-se com várias mulheres matando uma após a outra. A esposa era morta após fracassar em um teste feito pelo Barba Azul. O teste consistia em resistir a curiosidade de abrir uma determinada porta que guardava segredos terríveis. A esposa não resistia de curiosidade e acabava abrindo a porta, se deparando com os cadáveres de suas antecessoras. Quando o Barba Azul procurava as chaves e perguntava a esposa se havia aberto a porta, ela mentia, mas acabava desmascarada pela chave que após colocada na fechadura da porta ficava sangrando. Entretanto, Porta VIII é uma espécie de continuação do conto original.
Em 2001 a cantora original Conny Levrow, que tinha formação erudita deixa a banda, Mandy Bernhardt passa a ser a nova vocalista (que também tem formação erudita) e no ano seguinte lançam Zal, o tema desta vez é a vida de Frederick Chopin. Zal é uma palavra de origem polonesa que descreve um estado emocional extremo quer de felicidade ou de tristeza.
Recentemente lançaram um novo álbum Silmand (2008), depois de um silêncio de 7 anos. Silmand significa ”mês da alma“, segundo Olaf Parusel, refere-se ao mês de Setembro, que recebe o poder e frutos da vida do verão, bem como a melancolia do Outono. Como também o prelúdio para o impiedoso inverno, quando toda a vida entra em reclusão.
O cd também, trás algumas novidades surpreendentes. Além de Mandy Bernhards, três vocalistas convidados aparecem no novo álbum Silmand. O primeiro é o australiana Louisa John Krol. O holandês Peter Nooten (ex-Clan de Xymox), bem como o músico Ralf Lehnert do Love Is Colder. A música destes alemães não mudou muito, está um pouco mais pop, menos denso; embora bem mais melancólicos. No entanto, o som típico do stoa é facilmente reconhecível.
São apenas 4 álbuns em anos de carreira, mas são de uma beleza única e profunda.


Link:
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Um comentário:

Adri disse...

os alemães são realmente fascinantes... o aspecto frio e pragmático vem sempre pincelado de uma criatividade ímpar que os destaca nas artes plásticas, literatura e na música - igualmente!

eu esperava que esse som fosse mais sombrio e depressivo. ao contrário, me surpreendi com a suavidade e delicadeza.

stoa significa pilar. acho que é uma boa metáfora - arte que sustenta nossa alma!

belo primeiro post do ano!

beijos