domingo, 20 de dezembro de 2009

Peter Tosh



Winston Hubbert McIntosh foi uma dessas pessoas inquietas que parecia carregar uma urgência na alma. Nasceu em agosto de 1944; não conheceu seus pais. Foi criado pela tia, que o deixou perambulando pelas ruas de Trenchtown, a famosa favela de Kington, Jamaica. Em um dos poucos cuidados ao sobrinho, ela o presenteou com um violão em frangalhos.

Tosh já conseguia tirar algumas notas quando conheceu Bob Marley e seu meio-irmão Bunny Livingstone. Eles formaram os Wailing Wailers, que mais tarde seriam rebatizados como Wailers e depois Bob Marley & The Wailers. Quando viu seu amigo (Bob havia roubado sua namorada, Rita Anderson, mas continuara amigo) ser alçado à liderança do grupo, Peter Tosh saiu em carreira solo. Que foi tocada aos trancos e barrancos, mas deixou obras significativas. Guitarrista e cantor com voz de barítono, Tosh estava gravando seu álbum quando policiais jamaicanos invadiram o estúdio - no exato momento em que Tosh colocava os vocais. O cantor foi espancado e jogado num canto do hospital. O atendimento demorou horas - quem chegasse ao local era "convidado" pela polícia a dar uma olhada no estropiado rastman. Foi uma espécie de aviso aos Wailers, que começavam a incomodar os poderosos da Jamaica.

Legalize It saiu em 1976. A música-tema pedia a liberação da erva e sua mensagem até hoje é contundente. O disco teve participações das I-Threes e de diversos instrumentistas dos Wailers, como Aston "Family Man" Barret e Seeco Patterson.
A amizade entre Bob e Peter - que sofreu uma ligeira balançada com a saída de Tosh da banda - Winston azedou de vez naquele ano. Um dia, quando saía da Island House (a mansão que Bob ganhou de Chris Blackwell, dono da Island), o carro que levava Tosh e sua mulher, Yvonne, foi atingido por um motorista bêbado. O cantor quebrou várias costelas e Yvonne morreu depois de vários dias em coma. O "Mystic Man" atribuiu o acidente aos espíritos malignos que dominavam a casa dos Marley.

Equal Rights foi lançado em 1977. É um trabalho mais bem-resolvido, com participação de Sly & Robbie e canções que caceteavam o injusto establishment jamaicano. Como "Equal Rights", em que Tosh brada: "Todo mundo quer ir para o céu/ Mas ninguém quer morrer/ E eu digo: nós nunca teremos paz/ Até o dia em que tivermos direitos iguais e justiça". O disco também mostrava manifestações de africanismo ("African"), uma regravação dos Wailers ("Get Up, Stand Up") e uma canção roubada de Joe Higgs ("Stepping Razor").

A repercussão de Equal Rights chamou a atenção de Mick Jagger e Keith Richards, que estavam formando o cast da Rolling Stone Records. Peter Tosh lançou pelo selo Rolling Stones Records seu melhor disco: Bush Doctor (1978), uma paulada certeira com pitadas de soul music americana ("Don´t Look Back", dos Temptations, um dueto com Mick Jagger), recordações dos tempos de wailer ("Soon Come", "I´m The Toughest") e novas exaltações à cannabis ("Bush Doctor", que tem uma ajudinha da guitarra preguiçosa de Keith Richards).

Tosh buscou sempre o confronto para sustentar a sua rebeldia. Durante um concerto para o primeiro-ministro da Jamaica, fumou maconha no palco e soltou fumaça para as autoridades - semanas mais tarde, teve a mão esmigalhada por policiais durante uma batida. Keith Richards teve a ousadia de pedir de volta a casa em Ocho Rios que havia emprestado para Tosh – o negão não queria sair de lá nem a pau. Foi ameaçado de morte. Conclusão: a Rolling Stones Records deu cartão vermelho para o rasta.


Os brasileiros puderam conferir a audácia de Tosh em 1980, quando ele tocou no Festival de Jazz de São Paulo. Foi uma das melhores apresentações na história dos shows no Brasil: acompanhado de uma superbanda, ele entrou no Palácio das Convenções do Anhembi vestido de egípcio e levou o público à loucura. Deu golpes de caratê no ar e fumou toda a maconha que havia em São Paulo.

Peter também deu o ar de sua graça na novela Água Viva, de Gilberto Braga. Ele cantou "Legalize It" tendo Fábio Jr. nos vocais de apoio. Três anos depois, o cantor deu um cano federal em empresários brasileiros que o contrataram para apresentações aqui. Pegou o dinheiro, alegou "dores nas costas" e ficou curtindo o sol de Kingston.

Em 1987, Peter Tosh devia para Jah e o mundo e estava sujo e sem crédito na praça. Devia até dinheiro de drogas para uma turma de bandidos de Kingston. No dia 11 de setembro daquele ano, a galera do mal foi cobrar a dívida e não admitia voltar de mãos vazias. Tosh se recusou a atender os caras e morreu com quatro balaços no peito.





Origem do Reggae

Reggae é uma música que venho com a desaceleração do ska e com uma “cozinha” marcando mais forte o rítmo da música. O som é melódico e pusante. Além do ska, o reggae tem influência do mento (uma espécie de música folclórica da Jamaica) e do steady (muito similar ao reggae).

A palavra reggae, significa “pertencente ao Rei.” Outras fontes aludem que a palavra reggae seja apenas uma corruptela de ‘ragged’ (esfarrapado). Na segunda metade dos anos 60, quando o reggae surgiu, tornou-se a música da juventude e também o principal veículo das manifestações dos rastafaris. O reggae passa também a ser referido como o rítmo de Jah (Deus)

A crença do rastafari vem de interpretações da Biblia Sagrada, principalmente o Velho Testamento. Basicamente, eles absorveram preceitos católicos e judaícos. No entanto existe uma grande variação de ‘tribos’, termo herdado do judaísmo, dentro da religião, cada uma praticando sua adoração de uma forma diferente. Como regra, todo rastafari venera o Rei Haile Selassie I como o Imperador do Mundo e o Deus na Terra. Ele é tido como o Rei dos Reis, Senhor de todos os Senhores e o leão conquistador das tribos de Judá.

O precursor do rastafari foi um sujeito que era uma espécie de guru e profeta chamado Marcus Garvey, que já nos anos 40 pregava a “consciencia negra”. Tal elemento “profetizou” que um rei Africano seria coroado como o messias negro. Esse “messias” era o citado Rei Haile Selassie I, o Primeiro Regente de Etiópia, Ras Tafari, anunciou que ele era descendente legítimo do Rei Salomão e da Rainha de Sheba. Ras Tafari foi então coroado Rei de Etiópia, mudando seu nome para Rei Haile Selassie I.

Pela forte influência judaica, diziam que o negro era o herdeiro legítimo da tribo de Israel. Esta noção vem do Velho Testamento, Jeremias 8:21, onde há a afirmação, “Eu sou negro.” O rastafari condena a carne de porco e geralmente é incentivado a simplesmente evitar comer carne. Seu estilo de cabelo, conhecido como dreadlocks, tem na origem de seu nome a intenção de desafio. No entanto, o tratamento dado ao cabelo, vem novamente de uma interpretação da Bíblia, onde em Numero 6:5 se jura não cortar o cabelo.

O rastafari, ou simpelsmente rasta, com seus dreadlocks, representa a juba do leão de Judá. O uso de maconha como auxílio para meditação e adoração a Deus, também tem sua origem em uma distinta interpretação da Bíblia, especificamente Genesis 1:12 e 2, como também Samuel 2:29, onde se faz alusão à “sabedoria da erva.”

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

The Beatles - Abbey Road (1969)



Sabe-se que desde da época do Revolver (1966) que os Beatles, cada vez mais, estavam compondo separadamente, apesar de muitas canções ainda virem assinadas como Lennon e McCartney, cada um estava fazendo sua própria música. O ápice dessa situação foi com White Album, no qual ficou visível que era quatro artistas gravando suas músicas dentro de um mesmo álbum. Como Abbey Road seria o último disco a ser gravado, Paul pediu a George Martin para que voltasse a assumir a produção. Martin aceitou, sob a condição de que os quatro Beatles cooperassem, de fato e trabalhassem como ele como antigamente. Assim, mais disciplinados, deixando as desavenças um pouco de lado, realizaram o disco mais bem produzido; o último da banda.

O engenheiro de som, Alan Parsons como assistente de som e Tony Banks como operador de fitas, o primeiro ficaria famoso anos depois ao trabalhar em The Dark Side of The Moon do Pink Floyd e com o Alan Parsos Project. George Martin considera Abbey Road o melhor trabalho dos Beatles. O álbum também estabilizou George Harrison como grande compositor, saindo definitivamente da sombra de Lennon e McCartney.

Depois do Sgt. Pepper's Lonely.... é a capa mais famosa, com os quatros atravessando a rua. A famosa fotografia foi tirada do lado de fora dos estúdios Abbey Road. Muito se falou sobre os rumores que ela contém sobre a suposta morte de McCartney, vítima de um acidente de moto em 1966. Paul está descalço (segundo ele, aquele dia fazia muito calor, e não estava aguentando ficar com nada nos pés). Uma outra versão diz que ficou descalço porque um par das sandálias se arrebentou. Paul está com os olhos fechados segurando um cigarro na mão direita (ele é canhoto). A música Come Together diz em um trecho que “um mais um mais um são três”, que significa que “John mais George mais Ringo são três”. Paul está fora, pois estaria morto. A placa do Fusca que aparece na rua é 28IF, que significa que Paul teria 28 anos se estivesse vivo. Há um carro funerário estacionado.

Outra curiosidade sobre a capa é a presença de um outro elemento: um sujeito ao fundo com ares de curioso; ele foi identificado como Paul Cole, um turista norte-americano que só descobriu sua imagem na foto quando viu a capa do disco, meses depois. Quando ao Fusca, atualmente encontra-se no Museu da Volkswagen na Alemanha.

O disco abre com Come Together, de Lennon, foi feita a pedido do guru do LSD, Timothy Leary, que disputaria o governo da Califórnia que tinha como mote da sua campanha a frase: "Let's Get It Together" No decorrer da canção, John faz um efeito com a boca, como se dissesse “shoot me”, algo como “atire em mim”, ou “injete em mim” (gíria ao uso de heroína). Paul McCartney não gostava desse trecho por achar que teriam problemas com a justiça, e sabendo que John não a descartaria, ele decidiu tocar seu baixo tão forte e alto de modo que cobrisse a fala.

"Octopus's Garden" - Segunda música composta por Ringo Starr (com a ajuda de Harrison), surgiu a partir de uma conversa com o capitão de um iate, na qual ficou sabendo que os polvos costumam procurar por pedras brilhantes e latas de alumínio para pôr na frente da toca, como se fosse um jardim.

"Here Comes the Sun", de Harrison. Para sair um pouco clima e pressões dos períodos de gravação, George deu uma escapulida para a casa de Eric Clapton, onde havia um lindo jardim. Pegou o violão de Clapton e em meio ao passeio pelo jardim compôs essa maravilha que é "Here Comes the Sun".

"Because", é o melhor entrosamento harmônico de vozes dos quatro. Foi usado o sintetizador Moog por Harrison na introdução de guitarra e foi inspirada no “Moonlight Sonata” de Ludwig van Beethoven.

"Polythene Pam", já faz parte da suíte (na verdade são pedaços de trechos de várias músicas) que compõe todo lado B do LP. Composto por Lennon, refere-se a mulher de um amigo poeta que costumava se enrolar em sacos de Politileno. Outra versão diz ser um hábito de Pat Hodgett (fã da época do Cavern Club) de comer polietileno e era conhecido como Polythene Pat.
A canção desemboca em "She Came in Through the Bathroom Window", sobre uma fã que invadiu a casa de Paul pela janela do banheiro e abriu a porta da frente para outras fãs entrarem.

"Something", outra de Harrison, foi primeiramente oferecida a Joe Cocker, mas voltaram atrás e a gravaram. Foi a primeira música de George a ser lado A de um single. "Something" foi considerada por Frank Sinatra a mais bela canção de amor dos últimos cinquenta anos. Foi a única música dos Beatles que Sinatra cantou ao vivo, só que pagando o mico de anunciá-la como uma composição de Lennon e McCartney.

"Maxwell's Silver Hammer" "Maxwell's Silver Hammer" conta a história de um maníaco chamado Maxwell, que com um martelo de prata sai cometendo homicídios.

"I Want You (She's So Heavy)" Uma das músicas mais longas dos Beatles, com quase oito minutos. Curiosamente é uma das poucas com uma levada de Blues, estilo que eles nunca curtiram. Há um botleg com Paul cantando essa canção.

"You Never Give Me Your Money", deLennon/McCartney, que dá o início às várias canções emendadas, retrata as insatisfações com a direção financeira que a banda passava, culpando o agente Allen Klein que também trabalhou (ou roubou) dos Rolling Stones. O curioso é que Jagger passando por situação semelhante à época, em uma reunião de negócios ele diz: "Eles sempre falam que está tudo bem até você querer comprar alguma coisa. Aí você vê que não tem o que pensava que tinha." e complementa seu raciocínio com duas frases dessa canção “You never give me your money. You only give me your funny papers".

“Sun King ” que por pouco se chamaria “Here Comes the Sun King”, é uma mistureba de idiomas, que segundo Johnn Lennon, era uma brincadeira com várias línguas.

“Mean Mr. Mustard” era um fato verídico sobre um homem miserável que escondia dinheiro. "Golden Slumbers" e "Carry That Weight" (Lennon/McCartney) são de Paul. A primeira foi criada após ele ter visto em um livro de sua meia-irmã Ruth, um poema de Thomas Dekker, do século XVII, em formato de canção de ninar.

"The End", que se chamaria Ending” era para ser a última, fechando o álbum, mas entrou Her Majesty, que surge depois de 23 segundos, com Paul no violão.

Abaixo algumas paródias sobre a famosa capa, a começar com uma de Paul com seu álbum Paul is Live (1993)













terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sticky Fingers (1971) - The Rolling Stones



Sem dúvida, este é um desses álbuns que devem entrar em qualquer lista de melhores discos de rock de todos os tempos. Eles viviam sua fase mais criativa – que vinha desde Beggars Banquet (1968) – e, talvez, Sticky Fingers seja o momento mais grandioso, que estende-se até 1972, com “Exile on Main Street.

A partir de mudanças significativas na banda, com a entrada de Mick Taylor no lugar de Brian Jones, o início de seu próprio selo Rolling Stones Records, após a briga com a Decca records, que inaugura também o logotipo da famosa “língua do deboche”- na verdade não é uma criação de Andy Warhol, e sim do artista americano Ruby Mazur, que a criou após uma conversa com Mick Jagger sobre a deusa Hindu Kali.

Claro que Andy Warhol, amigo da banda, teve importância significativa em Stick Finger, pois a famosa capa criação sua. Originalmente em vinil, a calça jeans, com o modelo Joe Dallesandro, existia um zíper real. A capa foi censurada em vários países, sendo substituida por uma com os dedos lá dentro em uma lata de melado.


Em se tratando das músicas, o disco é recheado de metais, que segundo Charlei Wattes, “por influência de gente como Otis Redding e James Brown". Ele abre com a clássica – obrigatória em qualquer show – Brown Sugar, clara referência a heroína (açúcar marron), do qual eles eram muito fãs na época, principalmente Keith Richards. Sway tem participação de Pete Townshend nos backing vocals. Sister Morphine cuja co-autoria de Marianne faithfull só foi reconhecida na justiça. Conta-se que Keith chegou atrasado ao estúdio, e quando ouviu o que havia sido gravado, resolveu deixar como estava.

Wild Horses, uma das baladas mais belas que já criaram - até Susan Boyle a regravou para seu álbum de estreia, “I Dreamed a Dream”. Keith diz tê-la composto para seu filho. “Me doeu deixar o garoto para vir gravar. Ele tinha só dois meses". Há também influencia de country em Dead Flowers provavelmente de Gram Parsons, amigo de Keith Richardas à época.

Já que vivemos em uma época em que o rock está perdendo sua rebeldia, no qual as bandas se enquadram cada vez mais ao status quo, Stickey Fingers é audição obrigatória.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Poesie Noire - Complicated Compilated 84-89 (1990)



Esta banda belga nunca ficou conhecida no Brasil; o único disco lançado por aqui foi essa excelente coletânea Complicated Compilated 84-89 (1990) que dava uma boa geral na carreira deles.
Experimentações com a eletrônica (no caso EBM - Electronic Body Music), pop e dance, influenciados e inspirados por bandas como Front 242, Neo Judgement, Fad Gadget e The Cure (tanto que regravaram A Night Like This), o Poesie Noire era formada por Johan Casters, Ludo Camberlin, Marianne Valvekens e Herman Gillis. Além dessas influências citadas, incluíam elementos acústicos oriundos da forma convencional do rock e uma certa veia gótica.
Eles estavam entre as bandas que em meados de 89, ficaram conhecidas no que chamavam de “invasão belga”, que contribuiu para a consolidação do grupo. Dois miniálbuns foram responsáveis por isso: En Grande Colere e Pity For The Self.
Essa coletânea mostra bons momentos como as canções Gioconda Smile e Déjà Vu - do cd Love Is Colder Than Death (1988) que Johan Casters considerava o disco dos seus sonhos - de seus poucos álbuns e incontáveis singles.
A banda praticamente desapareceu, quase que misteriosamente, em 1992. Sabe-se que Johan Casters se tornou DJ´s em casas noturnas e Marianne Valvekens secretária de uma grande empresa (!)



sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Alexandria (1989) - Adrian Borland



“Perguntei o nome a uma garota no ônibus quando estava indo para Catford. Ela disse que seu nome era Alexandria. Nome estranho para uma pessoa, não é um lugar? Sim, é um lugar no Egito”.

Adrian Borland

Esse é um dos discos mais bonitos que já ouvi na vida. Eu conhecia muito pouco de sua carreira solo, conhecia mais sua banda de pós-punk The Sound, que seguia a mesma sonoridade dos seus compatriotas Joy Divison e Echo & The Bunnymen.
The Sound não ficou famoso, obviamente a carreira solo de seu líder, Adrian Borland, também nunca decolou. É uma pena porque a música é maravilhosa.
Em 1989, eu comprova esse Alexandria, e fiquei maravilhado com a sensibilidade das músicas; passei a gostar muito mais de Borland.Foi o primeiro e único trabalho dele a sair no Brasil.
Dez anos depois, vi uma notícia triste na internet, quando “navegava” procurando outros trabalhos do artista, tive uma triste surpresa - pois tinha parado de acompanhar a sua carreira solo -, ele havia suicidado, se atirando nos trilhos de um metrô da Wibledondon Tube Station, em Londres. Ele sofria de esquizofrenia, além de viver tendo crises de depressão, nas quais ouvia “vozes”, que levou-o a passar temporadas em clínicas psiquiátricas. Segundo a sua mãe, Win Borland, dias antes de sua morte, ele sofreu um surto muito grave. Ele tinha muito medo de ter que ser internado outra vez, e sempre dizia que isso não iria acontecer novamente. Borlando vivia com sua mãe e faleceu aos 41 anos. Estava prestes a lançar seu sexto álbum “Harmonia & Destruction, que acabou saindo como disco póstumo com algumas canções bônus.
Alexandria é um trabalho maduro e equilibrado, muito intuitivo. Borlando assumiu o controle total sobre seu trabalho, realizando, além das composições, todo a tarefa de produção. Os efeitos são imediatos, em especial nos arranjos e simplicidade das canções, que as tornam bem diretas. Todo o trabalho é imbuído de um clima que exala otimismo e vitalidade. Ao contrário do que se possa pensar, é um disco muito alegre, com poucas canções melancólicas.
Light the Sky é uma linda jóia, semi-acústica, que fala de confiança e fé. Beneath the Big Whell, é refletiva e serena, uma maravilha. No Ethereal, épica e emocionante, e Shadow of Your Grasse é uma balada cheia de sentimento e emoção. She´s My Heroine é uma homenagem a Patti Smith, enquanto Other Side Of The World é uma das canções mais belas e profundas que já ouvi.

domingo, 8 de novembro de 2009

Basia Bulat - OH, My Darling (2007)



Basia Bulat ficou popular por ter uma de suas canções (little waltz) em um comercial da Volkswagen na Australia. Mas independente disso, essa bela loirinha canadense é uma excelente artista, que já em seu primeiro álbum “Oh, My Darling”, traz um emaranhado de canções, que tem o folk como base musical, conduzidas pela sua voz forte e aconchegante.

As violas e violoncelos em "Little Waltz", as vozes tão bem arranjadas de "Before I Knew", o drama dos violinos e percussão em "Snakes and Ladders", a ranchera "Oh, my darling", a bossanova de "Why can` t it be mine "e à delicadeza do piano em "Little One”, mas a canção que enfatiza melhor seu talento é a hipnótica “I Was a Daughter”. Queremos mais...



terça-feira, 3 de novembro de 2009

Scott McKenzie - San Francisco 1967



A situação: 1967, E.U.A., no meio à Guerra do Vietnã, algo estava mudando nesse país: um grupo de pessoas com ideais pacifistas, protestou energicamente contra a guerra, vista como sem sentido, que levava à morte suas famílias e amigos, mas não só isso, os protestos também se espalharam para outras áreas da sociedade, houve manifestações em favor das mulheres, homossexuais e minorias étnicas. E o epicentro de tudo isso - a contracultura, da liberdade espiritual, da vida em comunidade e em geral e a mudança nos ideais que tinha apoderado das sociedades ocidentais - foi em San Francisco.

Em meio a esse ambiente, John Phillips (vocalista do The Mamas & The Papas), organizou um festival que reuniu as estrelas musicais do momento e cuja recadação iria inteiramente para causas benéficas. Entre as bandas que estiveram no festival em Monterey, estavam The Animals, Simon and Garfunkel, The Byrds, Jefferson Airplane, Buffalo Springfield, The Who, Jimmy Hendrix e, claro, The Mamas & The Papas. Era o início do “Verão do Amor”.

Philip Blondheum nasceu em Jacksonville, Florida, Estados Unidos, mas cresceu na Carolina do Norte. Passando também parte da sua infância, na Virgínia, fez grande amizade com John Phillips (que mais tarde se tornou o líder do The Mamas & the Papas). Pouco a pouco ele foi introduzido em uma situação que, devido a várias circunstâncias, o colocou à frente da música americana sob o nome artístico de Scott McKenzie

Phillips, já apelidado de Papa John, compôs a música "San Francisco (Be Sure to Wear Flowers in Your Hair)" (1967). Produzido por Phillips e Lou Alder e criada para promover o Monterey Pop Festival, realizado durante o chamado “Verão do Amor”, foi sucesso imediato. O êxito da música foi além do esperado e, falava de uma realidade social da época – com certeza um dos maiores hinos do movimento hippie. Chegou em 1º lugar nas paradas dos EUA.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Você se lembra do The Herman's Hermits?



“Quando artistas como Jimi Hendrix aparecerem, vi que já era hora de nós pararmos”
Peter Noone

Eles fizeram parte da chamada “Invasão Inglesa” nos EUA, capitaneada pelos Beatles, com seu pop agridoce conquistaram muito mais sucesso entre os norte-americanos do que com o público de seu próprio país. E como todas as bandas da “invasão”, tiveram as famosas apresentações no programa The Ed Sullivan Show. O auge da fama é entre 1964 e 1967, e dizem que muitas vezes chegaram até a superar os próprios Beatles em popularidade na terra do Tio Sam.

O grupo foi formado no final de 1963, primeiro com o nome The Heartbeats e mais tarde com o Cyclones. Em 1964 foram descobertos pelo produtor Mickie Most, e logo após, a banda decide mudar o nome para Herman's Hermits. Liderados pelo vocalista Peter Noone (foi o mais jovem membro da banda,16 anos, mas vinha de uma grande experiência como ator na série britânica "Coronation Street"), Derek Leckenby na guitarra, Karl Green no baixo e na bateria Withwam Barry. Mickie Most seria responsável pela produção do grupo, incluindo a seleção das músicas a serem gravadas; anos depois, Mickie Most confessou que envolveu músicos de estúdio em sessões de gravação, como Jimmy Page e John Paul Jones (Led Zeppelin), mas também confirmou que o resto a banda esteve presente em muitas das gravações.

O grupo conseguiu rapidamente colocar alguns singles nas paradas na Grã-Bretanha e América. Conseguem seu único primeiro lugar no Reino Unido com o single "I'm Into Something Good" (composta pelo casal Gerry Goffin e Carole King), na seqüencia vieram “I'm Henry VIII”, "Mrs. Brown You've Got a Lovely Daughter", "I'm Henry VIII I Am", "Wonderful World", "Just a Little Bit Better.

Em 1966, a popularidade da banda começou a declinar, apesar de seus esforços, ainda obtiveram sucesso com "No Milk Today", canção que é um clássico. Outra que não pode deixar de ser citada é There's a Kind of Hush", inesquecível. O grupo também entrou no mundo do cinema (como os Beatles e The Monkees), estrelando nos filmes Hold On e When the Boys Meet the Girls.

Sua imagem de fácil digestão e pop suave não conseguiu sobreviver à era psicodélica; Peter Noone e Keith Hopwood deixam do grupo em 1971. Assim, o restante permaneceu com o grupo, com pouco sucesso até 1974, quando o grupo se desintegra. Vários membros da banda continuaram fazendo performances sob o nome "Herman's Hermits", sem muito sucesso.

Após um intervalo, Noone iria embarcar em uma carreira solo, que não obteve o mesmo sucesso com o grupo nos anos 60; hoje, ele está envolvido em negócios no show bussiness e também aparece esporadicamente, como artista convidado na série americana entretenimento, o que demonstra a grande popularidade alcançada na década de 60, sendo o vocalista do adorável: The Herman's Hermits.





quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Steven Jesse Bernstein - Prison (1992)



Foi assim: ele estava cansado; cansado de uma sociedade hipócrita que te não aceita como você é, e sim como você deveria ser, ou seja, um cara moldado pela sociedade – “o bom cidadão”, o cara “aceitável”, o idiota “social”.
Steve sofreu, e muito: poliomielite aos quatro anos, gozações dos colegas, fracassos amorosos e extrema solidão. Assim ele diz no monólogo de quase treze minutos “Face”: "Sempre soube que havia algo de errado com minha cara". Ao ouvi-la, dá para sentir toda a dor e sofrimento do moço.

Ele aparentava ser um sobrevivente de Auschwitz e espiritualmente ficaria entre Gil Seott-Heron, Woody Allen e Iggy Pop. Poeta, escritor e autor teatral com mais de duas dezenas de trabalhos lançados, Steven Jesse Bernstein não suportou a barra e suicidou-se em 1992, aos 40 anos. Estava gravando esse Prison, onde interpretava seus poemas musicados por Steve Fisk, num modelo sonoro bem diferente do habitual no selo Sub Pop.
Os versos provocativos de criações como "No No Man (Part One)" -a única que ele chegou a concluir -, "Morning In The Sub-Basement Of Hell" e "Party Balloon" mostram bem a língua afiada de Steven.
O mundo virou as costas para Bernstein. Foda-se! O mundo que perdeu um cara legal. Fiquem com os hipócritas, com os que promovem sua “bondade” nos meios de comunicação, que se envolvem em projetos sociais e fazem os pobres chorarem em emissoras de tv. Assim o mundo reage aos verdadeiros, que têm coragem de ser eles mesmos em uma sociedade de cópias, negando-os.

domingo, 18 de outubro de 2009

Mando Diao: uma banda que não pode passar desapercebida



"Ver o Mando Diao ao vivo é como ir a uma igreja. Nossos fãs nutrem por nós o mesmo sentimento que as pessoas nutrem pela religião."
Gustaf Norèn

Apesar de vivermos em um mundo “globalizado”, em que há excesso de informações, parece que, em se tratando de música, algumas bandas com talento maravilhoso ficam à mercê da mídia. É o caso dos suecos do Mando Diao, que existem desde 2002, já com cinco cd´s lançados e só agora estão começando a ficarem conhecidos por essas plagas. O último, de 2009, se chama Give Me Fire e é um primor na cena pop/rock. Na Europa são bem populares e no Japão são idolatrados (japonês gostam de tudo). No entanto, são ignorados nos EUA.

O que falar dessa banda? Fazem um som alternativo (indie?), pop, dançante e ao mesmo tempo tem um clima anos 60, e às vezes com uma pegada anos 90 típicamente britpop. Eles têm um estilo muito deles (coisa rara), fazendo música de que gostam sem se preocuparem em agradar mercado.

Dá para comparar com outras bandas? Talvez, The Hives, The Last Shadow Puppets (na verdade um projeto), The Hellacopters, Jet e Caesars, são as que mais se aproximam, mas na verdade a banda soa anacrônica em relação a qualquer cena atual.
Mando Diao não é nenhuma nova sensação da música, como disse, existe oficialmente desde 2002, são de Borlänge, na Suécia, cidade considerada a de maior número de homicídios e drogados. Como diz a letra de Street Fighting Man dos Rolling Stones, que a única saída é montar uma banda de rock´n´n roll. E foi o que fizeram os rapazes do Mando Diao, acrescentando uma arrogância típica do Oasis para dar um tempero nas entrevistas, como dizer que suas músicas estão no nível das dos Beatles e The Rolling Stones. Uma coisa é certa: eles tem uma coisa de Beatles, não tanto na música, mas parece que alguma coisa na aura deles, sei lá.... E como John Lennon, Bjorn teve um sonho em que dizia que eles deviam trocar o nome da banda (Butler) para Mando Diao

Eles estão começando a ficarem populares no Brasil, tocam agora na MTV, e há até boatos de trazerem a banda para tocar aqui. Que venham logo!

Formação:
Bjorn Dixgård – Vocal, guitarra, letras
Gustaf Norèn - vocal, guitarra, letras
Carl-Johan Fogelklou – baixo, backing vocal
Samuel Giers – bateria
Mats Björke (órgão e percussão)
Mando Diao no Myspace www.myspace.com/mandodiao





domingo, 11 de outubro de 2009

A História da Guitarra Elétrica



O Início
A guitarra elétrica é um dos principais símbolos do rock: mesmo que seja usada em outros estilos musicais como jazz, reggae e até calipso. Ela é uma evolução do violão (em muitos países referem-na como guitarra acústica), que até antes do século XVIII só tinha cinco cordas. Já no século XX, foi inventado o captador magnético, eletrificando o som do violão.
Foi devido aos músicos de blues e R&B dos Estados Unidos que um violinista texano chamado George Beauchamp criou o primeiro captador magnético. Naquela época, os músicos reclamavam muito de não conseguirem ouvir o som de seu próprio instrumento, devido de os bares onde tocavam serem muito barulhentos; mesmo que amplificassem o som dos microfones a situação permanecia a mesma.
Nos anos 30, Beauchamp une-se a Adolph Rickenbacker, que aperfeiçoando os captadores, lançaram uma série de guitarras. Na época as vendas foram modestas - as guitarras Rickenbacker ficaram famosas com os Beatles–, no entanto abriram caminhos para outros inventores. Em seguida, apareceram as primeiras Gibson ES-150 (que tinham um potente captador) e a produção de captadores em escala industrial.

Primeiros guitarristas
Eddie Durham foi o primeiro músico a usar guitarra elétrica, no entanto, usava-a apenas para acompanhamento de orquestra. Quem começou a por a guitarra em destaque foi o músico de jazz Charlie Christian, quando começou a solar, levando-a há novos patamares. E foi um discípulo de Christian, Les Paul, que deu mais um passo a frente na evolução do instrumento. Criador do primeiro protótipo da guitarra maciça, com dois captadores, Les Paul também foi precursor do overdub e do gravador de oito canais. Através de uma associação com à Gibson, lança modelo de guitarra com seu nome - com os captadores humbucking reduz a interferência de ruídos.
Nos idos de 1954, Leo Fender aparece com a guitarra Fender Stratocaster (a preferida de Jimi Hendrix), com três captadores simples (agudos, médios e graves) que continha uma chave que selecionava o captador a ser usado.

A alavanca de trêmulo

Foi o primeiro efeito a ser incorporado à guitarra, consistia em uma alavanca ligada a uma ou mais molas, assim era possível ao músico regular a tensão das cordas, produzindo vibrações sutis que aguçavam a percepção do ouvinte. Seu criador, Paul Bigsby, em 1939, um ex-corredor de motocicleta. A partir daí, a Gibson e a Gretsch incorporaram a alavanca em seus modelos; logo após, surge a eletrificação por captadores, devido a uma relação maior entre músico e instrumento. Já a slide guitar, que anteriormente chamava-se bottleneck – um cilindro de metal no qual o guitarrista deslizava sobre as cordas – deve-se ao bluesman Water “Furry” Lewis, que, em seguida, foi aperfeiçoado pela lenda Robert Johnson, aquele mesmo que diziam ter parte com o “coisa ruim”.

Blues e rhythm´n´blues

Apesar dos primeiros guitarristas estarem ligados ao jazz, foi com os guitarristas de blues que o instrumento se tornou a linha de frente na música, até então. T-Bone Walker foi o pioneiro no blues a utilizar a guitarra elétrica – surgia o blues elétrico – por volta de 1935. Ele usava uma corda em vez de um acorde no modo de tocar. Blind Lemon Jefferson introduziu a utilização do sustain (efeito em que a nota ou acorde ecoa por um tempo prolongado) e o vibrato (equipamento que produz uma vibração no som do instrumento, seja através da pressão do dedo sobre a corda, ou por uma alavanca da guitarra) que futuramente influenciaria os guitarristas de rock´n´roll.
Depois da segunda guerra mundial que o blues realmente se tornou popular, devido a migração de bluesman´s para os centros urbanos; nessa leva venho nomes famosos como Muddy Waters, com seu estilo “pesado” de tocar o blues; John Lee Hooker, que batia os pés sobre uma tábua enquanto tocava; B. B. King e sua Gibson semi-acústica, refinaram o blues elétrico com seu estilo mais suave de tocar.

Enfim, o rock´n´roll
É no rock´n´roll que a guitarra se torna seu instrumento chave – o grande ícone do rock. E com ele, venho o primeiro guitarrista endiabrado: Chuck Berry, o primeiro negro roqueiro subversivo na música. Sim, o cara injetou energia na guitarra: riffs tocados em duas cordas em sua Gibson ES-355 e performance estranha (duckwalk) que Angus Young do AC/DC sempre fez questão de homenageá-lo – imitando-o. Berry foi influência decisiva na música dos Beatles e Rolling Stones, Lennon e Keith Richards que o digam.
Pouco depois surge o exótico Bo Didley; criou um estilo com uma batida bem marcada e seca. Ele tinha uma guitarra retangular, e a tocava em um ritmo de base poderoso; sua música foi gravada por artistas tão antagônicos como The Doors e Jesus and Mary Chains. O rockabilly trouxe os guitarristas brancos como Eddie cochran, Buddy Holly e Link Wray – esse último foi o pioneiro no uso do som distorcido de guitarra ao gravar com o instrumento plugado em um amplificador cujo alto-falante ele havia perfurado em vários pontos com um lápis.

Nos anos 60, vieram os célebres pedais de distorção, e de quebra proliferaram vários “heróis” virtuosos do instrumento: Frank Zappa, Eric Clapton, Jeff Back, Alvin Lee, dentre outros. A guitarra, portanto, passou a ser totalmente vinculada ao rock; sua tecnologia não evolui tanto, mas muitos músicos vieram deixar sua marca no instrumento como Eddie Van Halen com sua técnica do tapping (consiste em empregar uma ou as duas mãos para "martelar" notas na escala, ligando-as, adquirindo assim efeito de grande velocidade. Estilos como o grunge e o punk também serviram para retornar a simplicidade do rock, reduzindo os acordes e economizando nos solos, enquanto outros usaram-na de forma sintetizada.
Como ficou claro: a criação dos captadores foram o passo inicial para a guitarra elétrica, hoje, existe captadores piezoelétricos (utilizam-se de cristais, normalmente quartzo, titanato de bário ou titanato de chumbo), captadores óticos, entre outros. Além de milhares de empresas fabricarem vários modelos de guitarras – quase todas réplicas de modelos famosos. A guitarra está por aí, transitando por vários estilos desde new age ao axé; mas foi no rock´´n´roll que ela sempre vai ser mais associada.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A maior perda da música de todos os tempos



Jimi Hendrix era um cara cheio de ideias e sempre aberto a tocar com qualquer um que aparecesse. Foi o primeiro músico a ter seu próprio estúdio, o Electric Ladyland, no qual ficava horas fazendo suas experiencias musicais. Hendrix nunca foi um guitarrista preocupado com virtuosismo e usava a microfonia a seu favor, criando ensurdecedoras ondas de feedback. Nem era portador de grande técnica e nem rápido, mas sabia levar sua música para rumos desconhecidos, o negócio era se arriscar.

No início dos anos 70, Hendrix já se mostrava que não seria um músico acomodado a fama criada na década anterior, como estava acontecendo com muitos de sua geração. Dizer o que ele estaria fazendo hoje, é tarefa difícil. Se quando estava vivo, já misturava rock, pop, hard rock, blues, jazz, r&b, funk e soul; imagine hoje. Talvez teria exaurido todas as possibilidades da guitarra e tê-la trocado por outro instrumento.

Nunca um homem e seu instrumento formaram um par tão perfeito: Hendrix e sua Stratocaster branca. Esse negro com sangue de cherokee, saiu de Seattle para iniciar carreira no rhythm’n’blues, mas que logo evoluiu de forma absurda sua música e nunca se fixando em um estilo. Como ele costumava dizer “Eu tenho que mudar”. Sim, Hendrix tinha pressa, como se inconscientemente soubesse que tinha pouco tempo. E com isso, tinha urgência com sua arte: passando das dissonantes experiencias psicodélicas do trio The Jimi Hendrix Experience; a banda que marcou a antológica apresentação no Festival de Woodstock, Gypsy Suns and Rainbows; aos ciganos elétricos do Band of Gypsys.

Se Eric Clapton foi considerado “deus” da guitarra – dizem que Eric fez Sunshine of You Love depois de assistir um show de Hendrix em Londres -, então pode-se dizer que Hendrix era o demônio da guitarra, subvertendo todas suas possibilidades, seja no abuso dos pedais wah-wah (apresentado a ele por Frank Zappa), fuzztone, vibrato; e em shows, os amplificadores Marshall em volume altíssimos fazia com que Hendrix aproveitasse o máximo do feedback. E quando não havia mais nada, era tirar sons com os dentes, língua, de costas e com os pés.

Hendrix também era um cara super engraçado e sempre de bom humor – que contradiz com a imagem negativa e auto-destrutiva que a mídia sempre tentou vender -, fazia imitações hilárias de gente como Little Richard; tinha uma bela voz, embora ele não acreditava que tinha e portanto, nunca dando espaço para ela; e tocava muito bem baixo, para a infelicidade de Noel Redding que sofria de baixa auto-estima.

Jimi Hendrix deve-se ser lembrado hoje mais do que nunca. Em uma época na qual se usa os recursos de estúdio para mascarar a falta de criatividade, tralhas que criam um simulacro da arte e vende-se a imitação como fosse o original. Hendrix, usava a tecnologia de sua época não como muleta ou para dissimular eventuais limitações, mas para expandir novas possibilidades tonais.

Minha primeira vez

Eu devia ter uns 7 ou 8 anos de idade quando ouvi Jimi Hendrix pela primeira vez. Até então eu estava apenas no “ouvir falar”. Meus primos mais velhos, que curtiam rock, falava muito desse guitarrista que colocava fogo na guitarra, “tomava todas as drogas”, tocava guitarra até com os dentes. Lá pelo ano de 1978 a TV Bandeirantes iria passar um especial sobre ele. Eu tinha medo, muito medo desse artista que sempre que passava na tv minha mãe dizia “credo!” – meu Deus! O cara tinha até uma música que se chamava voodoo Child. Ao mesmo tempo que tinha medo, tinha a curiosidade de um típico aquariano, portanto, fui conferir o tal especial.

Como quase todos “especiais” de Hendrix na tv, esse também explorava a performance ao vivo de Hendrix. Pela primeira vez eu ouvia e via o mestre botar fogo na guitarra ao som de Are you Experience?; os solos endiabrados de Voodoo Child e a trucidação do hino nacional americano, Star Splanged Banner, no Woodstock. No final do especial, eu já estava tocando cabo de vassoura, como também fez Jimi um dia, que ao invés de limpar seu quarto, costumava tocar sua “guitarra” com cabo de vassoura.





segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Curiosidades sobre Elvis Presley



Elvis Presley foi o primeiro rockstar gerado pelo rock. Mesmo que ainda os fãs tentam nos convencer que a primeira canção de rock foi feita por ele – that´s All Right Mama, em 1954, quando esse caipira motorista de caminhão foi registrar uma música para dar de presente para a mamãe -, Ike Turner (o maridão da Tina Turner, que batia nela) gravou o primeiro rock´n´roll em 1951 (Rocket 88), três anos antes de Elvis Presley, mas o cara não tinha uma atitude rock´n´roll. Simultaneamente a Elvis, haviam já muitos outros pioneiros do rock como Fats Domino e Chuck Berry, entre outros. Mas o EUA precisava de um herói branco no rock´n´roll, ainda mais que eles eram ainda mais preconceituosos do que hoje. E nada melhor do que um Elvis Presley para o posto.

Elvis era realmente talentoso, e com a fama se tornou um dos primeiros artistas do rock a partir para os excessos do rock´n´roll. Portanto, coloco aqui algumas das inúmeras esquisitices e da vida excêntrica do cantor.

* Quando Elvis morreu, encontrado no chão do banheiro, todo mundo pensou que foi overdose, mas o resultado oficial da autópsia constatou “arritmia cardíaca”

* Elvis chegou a comprar, nos anos 70, quinze cadillacs e quatro aviões (para matar de inveja o guru indiano Osho), dispensando 1 milhão e meio de dólares.

* Tomava tudo que é droga, que conseguia com seu médico particular. Seus favoritos eram barbitúricos e anfetaminas. Como não usava heroína e cocaína não se considerava um junkie

* Não gostava de ver mulheres nuas, preferia admirá-las de calcinha. E descartava mulheres que haviam dado à luz

* Como bom tarado, curtia uma boa suruba: dava festas em que tinham em média quarenta mulheres para cada dez caras. Enquanto estava todos numa suruba, ele levava algumas “eleitas” para o quarto e gravava vídeos com elas em performances lésbicas.

* Era colecionador de armas. Nos shows, guardava uma arma no cano da bota. Chegou a comprar mais de 300 armas, incluindo rifles e metralhadoras. Ele chegou a acertar a ex-namorada Linda Thompson no peito por acidente, depois que um tiro ricocheteou na parede. Por sorte a bala já estava sem força.

sábado, 12 de setembro de 2009

Tindersticks: fragilidade e delicadeza



Tindersticks é uma banda de som luxuoso, elegante e muitas vezes melancólico. As influencias da banda são nítidas: Nick Cave, Roxy Music , Leonard Cohen,Tom Waits, com atmosfera de trilha sonora de filmes antigos, e uma instrumentação quase totalmente acústica. É também uma banda misteriosa: não gostam de dar entrevistas, aparecer em fotos. As letras, retratos em preto-e-branco de desolação e amor derramado em lágrimas de álcool. O vocalista Stuart Staples parece uma versão melancólica de Brian Ferry.

Conheci essa fabulosa banda em seu primeiro disco e foi amor a primeira vista, quer dizer, audição. Seus dois primeiros álbuns lançados sob os títulos de Tindersticks I (1993) e Tindersticks II (1995) já eram um sinal de seu som característico e ambos receberam uma excelente recepção da crítica. Durante este tempo o seu viver muitas vezes apoiado por uma secção de cordas e, ocasionalmente, por uma orquestra completa.

Dance, chore, reflita sobre a vida ao som do Tinderstick. Assim é a música deles; frágil e delicada como é também a vida de todos nós, onde vivemos entre sonhos, dores, pequenas alegrias, frustrações e desejos, só que em preto-e-branco.










quinta-feira, 10 de setembro de 2009

De volta a Beatlemania!


Desde a morte de John Lennon, em 1980, nunca se falou tanto em Beatles. Naquela época, desencadeou-se uma onda de beatlemania, e tudo indica agora que - com o lançamento do The Beatles: Rock Band e da remasterização do catálogo dos Beatles – teremos uma nova beatlemania.

No lançamento mundial da coleção em CD´s e do game, os fãs fizeram fila nas lojas da Inglaterra e EUA. Com isso os Beatles voltam a liderar a lista de álbuns mais vendidos no mundo, nada mal para uma banda que pendurou as chuteiras (ou é as guitarras?) há praticamente 40 anos atrás.

Em relação à remasterização, são 16 álbuns, com opcionais de estéreo e mono. Além dos álbuns oficiais, inclui o álbum Magical Mystery Tour, e a compilação Past Masters (volume 1 e 2). O primeiro lançamento da obra dos Beatles em cd foi em 1987, versão que nunca agradou os fãs. Já The Bealtes: Rock Band tem a intenção de atrair novos fãs, principalmente os mais jovens para o universo dos Beatles. No game Beatles Rock Band estão disponibilizadas 45 músicas, mas a cada semana, outras serão lançadas para downloads. Há a versão limitada (The Beatles: Rock Band Limited Edition) que inclui, além do jogo, um baixo, uma bateria, microfone. A guitarra e bateria são versões das originais de Paul e Ringo.

Outra versão é The Beatles: Rock Band Wireless Gretsch Guitar, esta com replica da guitarra de George Harrison, e, claro, a versão com a guitarra de John Lennon, The Beatles: Rock band Wireless Rickenbacker Guitar.
Dizem que a Yoko Ono gostou dos lançamentos (claro, ela não é boba de dizer o contrário), mas dizem as más línguas que ela deu trabalho em relação ao game – parece que ela atrapalha até hoje; é só lembrarmos como ela atrapalhava as apresentações de Johnn com aqueles gritos nada a ver. Tem também alguns fãs xiitas que já estão reclamando das novas remasterizações. Já que é assim, eles deveriam ficar em casa ouvindo os vinis furados e arranhados das suas coleções.

Já Paul está felicíssimo, diz que ao ouvir as músicas remasterizadas sente como se tivesse voltado no tempo e estar ao vivo no estúdio, nas gravações. Recentemente dizem que as músicas poderão ser baixadas para download via Itunes. As músicas dos Beatles ficaram um bom tempo fora dos sites oficiais para download, segundo Paul, a demora não foi culpa necessariamente do Itunes, mas sim, da EMI.

E para aproveitar o embalo, o produtor David Permut, que comprou os direitos para o roteiro sobre a vida de Brian Epstein (empresário dos Beatles), A Life in the Day - o filme encontra-se em fase de pré-produção. Além de outro documentário sobre os Beatles, The Beatles on Record.

Os Beatles venderam mais de 600 milhões de discos ao longo da história e provavelmente venderão muitos mais ainda.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Harold Budd - Um mergulho para dentro de si mesmo



Conheci o trabalho de Harold Budd quando ele dividiu um álbum com o Cocteau Twins (The Moon and the Melodies) em 1986 – calmo, melancólico e atmosférico. Mais tarde descobri que ele foi um dos pioneiros do ambient music ao lado do gênio Brian Eno. Ambos dividiram vários trabalhos maravilhosos, entre eles, Ambient 2 (The Plateaux of Mirror) e The Pearl. Sua música é caracteriza pelo seu piano atmosférico,meio minimalista, pequenas intervenções jazzistas e sutilmente eletrônicas.
Harold Budd nasceu em Los Angeles, Califórnia, mas cresceu no deserto de Mojave, um fato que poderia inspirar os sons que mais tarde apareceu no seu trabalho. Começou como um compositor clássico antes de começar a criar música ambiental contemporânea – chegou a trabalhar como professor no Instituto de Artes da Califórnia, enquanto criava suas composições que já revelava um músico em clara oposição a qualquer dogma musical convencional. Seu primeiro trabalho The Pavilion of Dreams, de 1976, foi produzido por Brian Eno; a partir daí os dois trabalhariam várias vezes juntos.
Na década de oitenta, aumentou a sua gravação de disco por si só ou em colaboração com outros músicos - uma atividade que o levou a ser um artista famoso na cena internacional das músicas alternativas. Alguns dos artistas que trabalharam com ele estão Robin Guthrie, Michael Hoenig, Daniel Lentz, Andy Partridge e Hector Zazou.
Suas contribuições para cinema também são muito interessantes. Destaco Music From the film Mysterious Skin (2005) junto com Robin Guthrie (The Cocteau Twins) e La Bella Vista (2003), este último apenas com seu piano em um estilo mais próximo do clássico.
A música de Harold Budd é belíssima: atmosférica, etérea e profunda.



quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Forth (2008) - The Verve



O The Verve é aquela banda que lança um álbum e depois acaba, lança outro e acaba novamente? Sim. Eles fizeram um hino que marcou uma geração? Sim, Bitter Sweet Symphony. E fez baladas inesquecíveis? Sim, History, The Drugs Don't Work e mais recentemente I See Houses e Judas. É também aquela banda do vocalista grandão que nunca se entendeu com o guitarrista? Sim, Richard Ashcroft e Nick McCabe.

Forth é a última obra do The Verve, e o álbum reflete bem a imagem da capa: nos leva às nuvens. Eu já ouvi esse disco várias vezes, mas só recentemente percebi como ele é bonito e não fica muito longe da obra-prima Urban Hmns. Podemos ouvir o apelo pop de Love Is Noise, rocks repletos de guitarras psicodélicas em Numbness e Columbo e as baladas sempre maravilhosas em Judas, Valium Skies e Judas.

Depois destes pequenos comentários, deem uma atenção para este cd. É tão belo quanto tudo que eles já fizeram até hoje. Agora que a banda acabou mais uma vez, e nem sabemos quando virá uma nova volta – provavelmente Richard dará seqüência a sua carreira solo – cabe-nos reverenciarmos a esta grande banda.

Nesse mundo cruel e insensível em que vivemos, no qual as pessoas não conseguem olhar para além do seu próprio umbigo, amizades sinceras são cada vez mais raras; tudo que ainda é nos permitido é sonhar. A trilha sonora você já tem.



sábado, 29 de agosto de 2009

R.E.M. - MURMUR (1983)



Quando o R.E.M. ficou famoso mundialmente, nos anos 90, com Losing My Religion, muitas pessoas não sabiam que a banda já tinha uma longa história. Eu tive a sorte de conhecê-los desde os meados dos anos 80, quando estouraram nos EUA com o disco Document (1987) – até então era seu disco mais famoso com os hits The One I Love e It´s the End of the World as We Know I (And I Feel Fine).
Tudo começou em 1978, quando Michael Stipe, um tímido estudante de pintura e fotografia na Universidade da Georgia, foi comprar discos na loja onde Peter Buck trabalhava em Athens - a Wustry Records. Eles gostavam das mesmas coisas - basicamente Velvet Underground, as novas bandas inglesas e o punk "literário" de Nova York, do tipo Patti Smith Group e Television. Conheceram Bill Berry e Mike Mills numa festa e formaram o R.E.M. O primeiro show foi em 1980, numa igreja reformada. Passaram a tocar a torto e a direita pelo sul dos EUA, ou em qualquer espelunca.

Apesar de nessa época a banda ser considera apenas “college rock”, sua música já nascera grande (Perfect Circle, Talk About the Passion). Murmur foi concebido em um estúdio gospel da Carolina, e a gravadora da banda exigiu que os produtores lhe fornecessem um sucesso comercial. Um violoncelista clássico tocou em “Talk About the Passion e ficou espantado por não ter uma partitura escrita.
O álbum foi um sucesso, chegando à lista dos 30 Mais nos Estados Unidos. Murmur ganhou status de álbum do ano, ficando lado a lado de War (U2) e Thriller (Michael Jackson) lançados também no mesmo ano.
A capa mostra imagens da raiz da planta kudzu, uma trepadeira que prolifera na Geórgia (de onde eles vieram), e um trecho da ferroviário rural de Athens. Existem bandas que já no primeiro trabalho sentimos que vieram para deixar sua marca na música; R.E.M é uma delas.



sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Hysterica: mais uma banda de metal feminino



Acho que meu blog está ficando bem tosqueira; mas a vida é tão difícil, com tantos problemas, que aqui eu posso rir e me divertir um pouco, apesar de gostar de falar de música de forma mais séria também. A “Arte das Musas” (diziam os gregos) é também diversão, embora em sua origem a música tivesse o sentido de agradar os deuses; um meio de elevar o espírito e alcançar a perfeição.
Se já não bastassem as gostosas da Crucified Barbara, agora temos as gostosas da banda Hysterica, ambas suecas – todo mundo sabe que lá estão as mulheres mais “boas” da Europa. Diferentes da Crucified Barbara que segue um som mais rock´n´roll, a Hysterica está mais na linha anos 80, com um quê de Manowar
Formada na cidade de Stockholm em 2004, já passou por várias mudanças na formação, estabilizou-se agora com Anni De Vil (vocal), Bitchie (Guitarra), Rockzilla (Guitarra), Satanica (Bass) e Hellner (Bateria) – mas que nomes hein! Lançaram recentemente seu primeiro cd Metalwar, que é bem legal e divertido. Nos shows, como se pode ver nos vídeos, atrai uma galera de marmanjos – até eu gostaria de estar bem lá na frente hehehe.



terça-feira, 25 de agosto de 2009

The Great Kat, a guitarrista domme


Agora que um dos criadores da guitarra elétrica e responsável pelo sistema de gravação em canais, Les Paul, morreu, em 13 de agosto de 2009, a guitarra elétrica voltou a ser assunto na mídia. Além do lançamento do documentário It Might Get Loud, que se trata da influência da guitarra elétrica, a revista Elle listou as 12 melhores mulheres guitarristas e entre elas, obviamente, a pirada The Great Kat.
Essa moça tem um ego gigante, se diz a reencarnação de Beethoven, a guitarra mais rápida do mundo (a moça é rápida mesmo) e exige ser idolatrada como uma deusa. Seus shows são um caos total: sangue, escravos que ficam reverenciando-a enquanto levam umas belas chicotadas, tapas na cara e beijam os pés da divindade The Great Kat.
Mas não podemos negar que Kat é uma virtuosa da guitarra. Violinista profissional graduada no Conservatório Juilliard de New York, Katherine Thomas que nasceu em uma base militar americana na Inglaterra, mas foi aos 3 anos para os Estados Unidos, diz que castra, tortura, humilha seus escravos no palco.
Ela faz versões ultra-rápidas de músicas clássicas na guitarra que vai desde sua “reencarnação passada” de Beethoven como dos não menos famosos Paganini, Mozart e Bach. Quem se arrisca ir a um show dela?



sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Forever Changes (1968) - Love



“Eu fui o primeiro hippie negro”, esta era uma frase típica de Arthur Lee; se ele realmente foi o primeiro hippie negro, isso eu não sei, mas é certo que ele era o cara. Líder de uma das bandas mais cultuadas dos anos 60, o Love, criado por ele em 64 quando deixou sua terra natal (Memphis) e foi para L.A., onde recrutou os guitarristas Bryan MacLean e John Echols, o baixista Ken Forssi e o baterista Don Conka (logo substituído por Alban "Snoopy" Pfisterer). Contratados pela Elektra debutaram em vinil com o LP Love (66) que conta com canções inesquecíveis como a ode lisérgica Signed D.e. duas covers, uma de Burt Bacharach/ Hal David (My Little Red Book) e outra infernal do clássico Hey Joe. No 2º LP, Da Capo, que conta com o acréscimo de Tjay Cantrelli nos sopros e Snoopy (substituído na bateria por Michael Stuart) comandando os teclados, Love solidificou sua musicalidade - ritmos e melodias de uma psicodelia pouco ortodoxa, condensada por idiossincráticos elementos de folk rock e turvas passagens de rhythm´n´blues que, aliadas a tons de balada, fizeram de seu som um dos mais originais e peculiares do desbunde americano.
Mas foi no início de 68 que o Love lançou sua obra-prima Forever Changes, considerado um dos álbuns mais importantes dos anos 60 – até acho que esse foi o melhor disco da década. Infelizmente depois desse clássico, a banda original dissolveu-se, cabendo a Lee carregá-Ia nas costas por mais quatro álbuns que, embora interessantes, já não continham mais a expressividade que os havia caracterizado. Deve-se muito a isso, a cabecinha de Lee já estar cheia de ácido deixando-o meio pirado. Daí, muitos a compará-lo a “doidões” como Syd Barret, Skip Spence e Roky Erickson.
Produzido em conjunto por Bruce Bostnick (que depois produziria o L.A. Woman dos Doors), levou quatro meses as gravações, fazendo com que os músicos pudessem, praticamente, dedicar cada dia a uma canção. Nele encontramos baladas flamengo-orquestrais como Alone again or e Maybe the People Would Be the Times, e o bucolismo folk de Old Man e Live and Let Live, a balada mais linda dos anos 60 Andmoreagain, as complexas texturas psico-clássicas que discutem as situações do homem perante a existência na legendária The Red Telephone, as sofisticações psicodélicas com inesperadas mudanças nas harmonias presentes em A House Is not a Motel, The Daily Planet e You Set the Scene e o primeiro rap da história Bummer in the Summer.
O Love era uma banda no mínimo curiosa para época, pois tinha em sua formação dois negros que não tocavam soul nem blues, mas sim acid rock e psicodelia. Arthur Lee acreditava que iria morrer durante as gravações, porque estaria totalmente deteriorado fisicamente, aos 26 anos. Lee não morreu, e continuou com o Love e com várias idas e voltas em sua carreira solo. Arthur morreu em Memphis em agosto de 2006 vítima de leucemia.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Coven - Witchcraft Destroys Minds and Reaps Souls (1969)



Se você acha que o Black Sabbath ou o Black Widow foram as primeiras bandas a falarem de magia negra e ocultismo, mero engano seu. Antes do Black Sabbath lançar seu disco homônio, que abria com a arrepiante Black Sabbath, o Coven - é o nome dado a um grupo de bruxos(as), que se unem num laço mágico, físico e emocional, sob o objetivo de louvar a Deusa e o Deus, tendo em comum um juramento de fidelidade à Arte e ao grupo – com seu Witchcraft Destroys Minds and Reaps Souls, em 1969, que também abria com a canção chamada Black Sabbath (?). E para as coisas ficarem mais esquisitas, tinha um baixista de nome Oz Osborne, e a vocalista Jinx Dawson finalizava suas apresentações com o sinal em chifre, perpetuado por Dio quando entrou no Black Sabbath em 1980.
Mas enquanto o Black Sabbath negava seu envolvimento com magia negra, o Coven assumia-se bruxos. Isso fica nítido na música Satanic Mass que é uma gravação de uma real missa negra. (Ave Maria, Deus toma conta). O encarte interno informa: "Até onde sabemos esta é a primeira Missa Negra registrada seja em palavras escritas ou em áudio. É tão autêntica quanto centenas de horas de pesquisas em todas as fontes possíveis podem provar ser. Não recomendamos o uso desta faixa por qualquer pessoa que não tenha estudado a Missa negra e não esteja ciente dos riscos e perigos envolvidos."
A banda é estadunidense, lança seu primeiro álbum Witchcraft Destroys Minds and Reaps Souls em 1969, fazendo um rock recheado de mensagens satânicas e bruxaria. Entre 67 e 68 fizeram shows ao lado da banda de Jimi Page, os Yardbirds e também com a banda de Alice Cooper além de muitos outros. Já nos anos 70 venho mais dois trabalhos, Coven (1971) e Blood on the Snow, nesse último o som que era muito calcado em bandas como Jefferson Airplane, parte para um som mais “anos 70”, com direito a baladas com arranjos mais bem elaborados, mas ainda com letras com temática satânica.
Em entrevista a revista Descent, Oz Osborne declarou:
"Fizemos muitas coisas em nosso álbum e nossas apresentações ao vivo, intercalando Missas Negras e Rituais Satânicos que aprendíamos entre as nossas músicas. No fundo do palco tínhamos um altar e no topo do altar tínhamos uma grande cruz cristã, na qual um de nossos funcionários ficava pendurado como Jesus durante todo o show. Nosso palco era bem vermelho, com velas e coisas do tipo. No final Jinx entoava trechos de Ave Maria em latim e então interrompia a oração com palavras de Crowley como Do what you wilt shall be the whole of the law então ela saudava Satã e todos nós respondíamos "Hail Satan!" em direção a cruz. E o cara pendurado (Jesus) pulava na cruz invertia a cruz e dançava conosco no palco até o show terminar.
O Coven foi muito audaz em fazer letras ocultistas e satânicas em plena era hippie do flower Power. Ainda hoje, vejo muitas pessoas dizerem que foi o Black Sabbath a explorar o tema, que é um erro. Sim, o Black Sabbath foi pioneiro do heavy metal e com um som mais sombrio (digo, doom), mas não nesse tipo de temática.