terça-feira, 25 de novembro de 2008

Adivinhem de quem estou falando?

Acho que a receita para você ser uma queridinha da música é bem fácil: crie um perfil no myspace, mostre de cara que você é bem descolada. Cite Bob Dylan, Johnny Cash (mesmo que você não teve tempo ou idade para ouvir suas vastas discografias) e alguma banda nova-iorquina dos anos 60, tipo Velvet Underground, e bandas indie inglesa - para ganhar ares de alternativa. Não se esqueça de citar grandes nomes da literatura mundial; mas não se esqueça de citar os brasileiros para deixar claro que você tem um lado brasileiro forte e valoriza suas raízes – isto agradará os críticos “intelectuais”. Dá um jeito de cantar ou pelo menos andar com gente como Marcelo Camelo e não se esqueça de namorar com algum rapaz (também descolado) tipo o Helio Flanders do Vanguart.
Seu instrumento básico vai ser o violão, cante a maioria das canções em inglês (afinal, você é culta), assim, vão chamar sua música de folk à brasileira (isto vai mexer com a curiosidade dos desavisados), porque se cantar tudo em português, vão restringir seu estilo à MPB e você não quer ser mais uma das milhares de cantoras que surgem como a “nova promessa” da MPB. Mas cuidado, não diga que toca folk, diga que é anti-folk (soa mais vanguarda) e cite gente como Feist, Kate Nash e Cat Power. Chame um produtor bem aceito no mundo dos “descolados” tipo o Mario Caldato, que produziu Beastie Boys, Beck e Marcelo D2. Ele saberá dar o toque “moderno” à sua música.
Pelo amor de Deus, não vá a programas de televisão tipo Raul Gil (senão, seu fim será fazer dueto com Zezé de Camargo), vá naqueles mais chics, onde você tenha certeza que Marisa Monte, Caetano Veloso já passaram. E nas entrevistas diga apenas que é uma menina “normal”, isto é bom para passar uma impressão de falsa modéstia. Faça letras de música bem bestas, como se você tivesse conhecido o mundo através da MTV. Vou ajudar: que tal “Tchubaruba”, assim nem você e nem ninguém vai entender o que você quer dizer com isto.
Esqueci: é claro, se você for filha de um engenheiro e de uma paisagista endinheirados, vai ajudar um pouco. Ah, se vai.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

The Cure - 4:13 Dream (2008)


Antes de sair o novo álbum, o The Cure já tinha lançado algumas das músicas em singles, como também chegaram a tocar o álbum na íntegra em um show de graça em Roma. Agora, desde outubro temos oficialmente o 13º disco do The Cure – 4:13 Dream. Trabalho este, bem superior ao anterior The Cure 2004.
A abertura, vem com Underneath the Stars que nos remete às músicas do Disintegration, com seu ritmo arrastado e melancólico. Já o single Only One, é àquelas pops songs que Mr. Smith sempre soube fazer muito bem; por isto, muitos criticaram o disco dizendo que estão usando fórmulas de sucesso que sempre funcionaram bem como em Friday I´m in Love e Just Like Heaven. Mas se observamos melhor a carreira da banda, veremos que eles sempre tiveram um lado bem pop (The Head on the Door) e um lado experimental e sombrio (Faith e Pornography). Fã nenhum pode dizer “não” a canções graciosas como Sirensongs e Reasons Why.
Originalmente Robert Smith pensava em lançar um álbum duplo, pois já tinham na bagagem, 33 músicas gravadas para 4:13 Dream. Mas como comentou Smith em entrevista “Há algumas músicas de sete minutos com levada bem lenta, e outras bastante agitadas. Uma voz está dizendo: ‘Lance o CD mais estupidamente comercial e leve as pessoas a voltarem a curtir The Cure’. Há uma outra voz dizendo: ‘Que se foda, vamos lançar a maldição e a escuridão”. Provavelmente ele optou pelos dois caminhos.



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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Idlewind - Everything But the Girl (1988)


O Everything But The Girl ficaram realmente famosos com a música Missing em seu álbum Walking Wounded de 1996, fazendo um som dance na base do drum´n´bass. Ganharam novos tipos de fãs (muitos desconheciam as fases anteriores), mas não assustaram muito os fãs antigos, pois é uma dupla que já passou por vários estilos. Começaram com a new bossa (inglesa) no LP Eden (84), fresh-pop-country em Love Not Money (85), jazz em The Language of Life (89) e belas guitarras quase anorak em Idlewind (88).
Idlewind é de uma beleza rara, Tracey Thorn e Bem Watt estavam inspirados no ano de 1988, afastaram do new bossa para fretar com o pop que se fazia na época. Claro que ainda encontraremos vestígios dos discos anteriores como em love is here where i live. Canções irresistíveis como Oxford street, i was always your girl e lonesome for a place i know são momentos marcantes, enquanto the night i heard caruso sing (cantada por Ben) e apron strings são as melhores baladas feitas pelo duo.



Link para download
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Isobel Campbell & Mark Lanegan – Ballad of the Broken Seas (2006)


É uma combinação estranha: Isobel era integrante do Belle & Sebastian, Mark Lanegan ex-Screaming Trees e ocasionalmente do Queens of the Stone Age, dois estilos totalmente diferentes. Poderia dar certo? Neste caso deu. Ballad of the Broken Seas é daqueles discos que cada vez que você escuta passa a gostar mais ainda. O folk e o blues arrastado toma contada da obra, as vozes dos dois vão se intercalando entre as faixas, ora se distanciam, ora se encontram em um belo duo. Isobel com aquela voz quase angelical, Mark com seu estilo sombrio e cavernoso à lá Tom Waits. Aqui, é a bela e a fera do estilo gothic metal versão indie!.
O disco abre com Deus ibi est, exótica e bela. Mas a coisa pega mesmo é em Black Mountain de uma beleza quase onírica. The false Husband parece Nick Cave com Kyle Minogue. A faixa título é um dos melhores momentos do álbum com suas vozes cercadas duma guitarra fúnebre e de violinos que em momentos formam uma quase-valsa. Ramblin´ man é um pastiche mal feito de Tom Waits, até o solo da guitarra parece com qualquer música do Rain Dogs de Waits. Mas o disco volta a crescer na instrumental It´s Hard to Kill a bad thing e segue majestosamente até a faixa final The Circus is Leaving Town
Ballad of the Broken Seas me surpreendeu. Dois artistas que vieram de mundos totalmente diferentes, Isobel de uma banda indie escocesa e Mark do grunge de Seattle se encontram e realizam uma obra deste nível, merece todo nosso respeito. A dupla já lançou outro trabalho Milk White Sheets, mas nada supera a surpresa inicial de Ballad of the Broken Seas. Nota 10!



Link:
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Death Or Glory - Roy Harper (1992)


Roy Harper nunca ficou famoso, muito menos no Brasil, embora, muitos conhecem sua voz na música Have a Cigar do álbum Wish You Were Here do Pink Floyd de 1975. E ficou imortalizado no Led Zeppelin III em Hats off to (Roy) Harper. Aliás, ele sempre foi muito amigo de Jimmy Page, e em alguns discos o Led Zeppelin em peso participava. Além de ter recebido colaborações de Paul Mccartney e Keith Moon. Contudo, Roy Harper permanece no anonimato.
Roy Harper é um cantor inglês de folk-rock que vem desde os anos 60, lançando modestamente seus belos álbuns, como toda longa carreira, teve seus altos e baixos. Este disco que é de 1992, que considero um dos mais legais. Death Or Glory fala de perdas, tema que sempre me atraiu. Aqui, o cantor trata da perda de sua esposa, abruptamente deixou-o em 1992, em um profundo desespero. O álbum foi concebido após o ocorrido, restando-lhe expressar toda sua dor em um novo disco.
A arte da capa é herdeira direta de John Lennon/Plastic ONO Band. Conta-se que Roy cortou algumas canções que entraria no álbum porque estaria ficando muito melancólico. Há uma homenagem a Chico Mendes em Man King, que carrega uma beleza à altura de Chico. Miles remains a homenagem vai para Miles Davis. Evening Star foi escrita para a filha de Robert Plant . Mas a maioria do álbum é muito refletivo e sombria, incluindo partes faladas bizarras como em If I Can que fecha o álbum.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Keane - Perfect Symmetry (2008)


Tenhos boas notícias: a banda Keane desistiu de ser o Coldplay, agora eles querem ser o The Killers, e não é à toa que trabalharam com o mesmo produtor do The Killers. O que ouvimos agora é camadas e mais camadas de teclados no melhor estilo retrô anos 80, com forte influência de Duran Duran, A-Ha e David Bowie fase Scary Monster e Let´s Dance. A melancólica característica dos discos anteriores é deixada de lado um pouco e partem para um clima mais dançante. As faixas que saem do clima anos 80 do disco, são Perfect Symmetry, Black Burning Heart, You Don´t See Me e Love Is the end, portanto o som não foi tão descaracterizado assim. Mas que assusta um pouco, assusta.
Perfect Symmetry, é o terceiro da carreira da banda, procedido pelo belíssimo e melancólico Hopes and Fears (2004) e Under the Iron Sea (2006). É natural que uma banda mude com o tempo, mas não vamos dizer que isto é um disco experimental como tenho lido por aí; fazer disco retrô não é experimentalismo, a não ser que você pegue algo do passado e transforme em algo novo - e não é isto que vemos aqui. O que vemos é uma banda se apossando do som pop dos anos 80 e incorporando ao seu. O pior é que gostei do disco. Agora, vamos apostar em quem o Keane vai querer ser amanhã.