quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol - Zé Ramalho e Lula Côrtes (1974)


Há tempos que venho ouvindo a juventude da década de 90 para cá, chamar Zé Ramalho de tiozão e outros adjetivos depreciativos. Eu tenho consciência que Zé Ramalho não é mais o mesmo e, hoje, não passa de um pastiche do que ele foi no passado. A mídia também tem sua parcela de culpa, como quando ele esteve no Jô Soares, que quando o assunto era o seu passado, resumiam-se a conversa à época em que ele foi “garoto de programa” no Rio de Janeiro. Lamentável. Nunca era citado suas bandas antigas: Os Quatro Loucos e The Gentlemen nos idos dos anos 60.
Antes de Zé Ramalho ficar famoso com seu Avôhai em 1978, cometeu junto de Lula Côrtes a mais ambiciosa e fantástica incursão psicodélica da música brasileira – o LP Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol em 1974. O álbum duplo trazia seus quatro lados dedicados aos elementos "água, terra, fogo e ar". Nesse clima, rolam canções como o medley "Trilha de Sumé/Culto à Terra/Bailado das Muscarias", com seus 13 minutos de violas, flautas, baixão pesado, guitarras, rabecas, pianos, sopros, chocalhos e vocais "árabes", ou a curta e ultra-psicodélica "Raga dos Raios", com uma fuzz-guitar ensandecida. Em Água cantos africanos, louvações à Iemanjá, com fundo sonoro de água corrente.
O LP é todo baseado na “Pedra de Ingá” situada no município de Ingá no interior da Paraíba. Além de ser um dos mais belos e até pode ser nomeado intrigante e interessante. Trata-se de um conjunto de pedras, onde há inscrições, cujas traduções são desconhecidas. Têm sido apontadas diversas origens, e há quem defenda origem extraterrestre.
Nessas pedras estão esculpidas várias figuras diversas, representando animais, frutas, humanos, constelações e até a Via Láctea.
A produção do álbum acabou sendo também um achado arqueológico, pois, ele naufragou na enchente que submergiu Recife, em 1975. A prensagem que era de 1.300 cópias, mil delas, literalmente, foram por água abaixo. O restante, estão em mãos de poucos, e está atualmente avaliada em mais de R$ 4 mil a únidade. É o álbum mais caro da música brasileira. Desbanca o disco Louco por Você o primeiro registro de Roberto Carlos, avaliado na metado do preço do Paêbirú.
Dizem que onde está a Pedra de Ingá, havia um caminho, que partia de São Tomé das Letras e conduzia até Machu Picchu no Peru. Se é verdade, não sei... mas como conta um músico que trabalhou no disco, Zé da Flauta, com aquela turma que gravou o LP – que envolvem mais de 20 pessoas nas gravações, entre eles Alceu Valença –, era um pessoal muito maluco, moravam na Casa de Beribere, um templo da liberdade e da contracultura, onde-se fumava muita maconha e até ingeriam cogumelos e rolavam as tais viagens. E no meio disto tudo: Zé Ramalho, um rapaz muito louco, bem distante da imagem que se tem dele hoje, de tiozão.

http://rapidshare.com/files/154711267/ze_ramalho_e_lula_cortes-paebiru-1975.zip.html

Um comentário:

Adri disse...

Dessa vez vc se superou em ecletismo! Barbaridade... Nunca pensei em ver vc falar sobre Zé Ramalho. Não sabia que o "Tiozão" já foi "Quengo" (bom, não é uma notícia que vai mudar o mundo, maaaaaaaaas... eheheheeh... interessante!)

Psicodelia no Brasil é meio obscuro pra mim. O Zé que eu conheço e que eu já gostei foi o Zé do Lp q tem o Zé do Caixão na capa e a Amelinha... Minha infância querida! Eu era tão menininha... Devia ter uns 4 aninhos! E me lembro bem.

Beijos