quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Atlantic Crossing - Rod Stewart (1975)


Rod Stewart, hoje, é mais um intérprete de standards da música norte-americana do que o velho roqueiro que em seus primórdios rivalizou como vocalista da banda de Jeff Beck Group, o posto dos “inventores” do heavy metal junto com o Led Zeppelin, ou quando era apenas o cantor do The Faces, com seu amigo Ron Wood, ao mesmo tempo em que elaborava sua carreira solo com excelentes discos até meados dos anos 70. Este cantor beberrão, nasceu em família típica da classe trabalhadora londrina, ele se virou como pôde na adolescência: foi jornaleiro, coveiro, ergueu cercas e até jogou futebol. Mas o negócio do rapaz era mesmo a música. A pergunta que fica é: estamos falando do mesmo sujeito que vemos hoje, impecavelmente vestido, tocando com big band, fazendo dueto até com o pagodeiro Alexandre Pires. Sim, é ele mesmo: Roderick David Stewart, o Rod Stewart como é mais conhecido, o cantor e compositor britânico, com ascendência escocesa.
Tudo isso teve um começou, e pode-se dizer que começou em 1975 com Atlantic Crossing. Nele foi o começo da lenta direção musical do rock para o pop. Rod dividiu o vinil de um lado com seus rocks e o outro (lado b) com baladas, incluindo um de seus maiores sucessos Sailling. É nele que encontra-se outro grande sucesso em sua voz I Don´t Want to Talk about it, da banda Crazy Horse, que acompanha até hoje Neil Young.
Atlantic Crossing foi o divisor de águas em sua carreira, um novo tipo de público a partir daí seria conquistado, um público constituído principalmente de mulheres. Rod atravessou o Atlântico para fazer fortuna e conquistar a América e fazer muito sucesso e fez.
Sempre irei associar Rod Stewart à minha infância, quando era criança via os jovens da época carregando o vinil de Atlantic Crossing e eu sonhava em ter um. Mas tocava Sailing e outros sucessos dele no rádio, e eu ficava muito feliz também quando passava seus vídeos no programa de rock da Rede Bandeirantes, “Transversal”, aos sábados. A identificação com o músico foi imediata, Rod esbanjava um feeling que até então, eu não tinha visto em nenhum outro cantor, muito mais que Robert Plant, Paul Rogers ou Mick Jagger.

domingo, 26 de outubro de 2008

The Gossip – rock para gordinhas?


Se você está cansado de ver “roqueiras” como Pink e outras similares que entre biquinhos, silicones e bundas avantajadas reforçam sua permanência na mídia. Portanto, tenho algo para você – The Gossip. Banda norte-americana, formada por Beth Ditto (Vocal), Hannah Blilie (bateria) e Brace Paine (guitarra e baixo) que existe desde 2001, vêm chamando atenção pela atitude de sua vocalista, um ícone de moda que redefiniu as curvas – posou para a capa da revista Diva com a chamada “Punk Will Never Diet” (Punk nunca vai entrar em dieta) – e militante gay.
“Nós somos feministas, artistas, djs e escritores. Estamos interessados em mudanças, moda, arte, dança e cinema”, explica o The Gossip. Beth costuma apresentar ao vivo com microssaias, minivestidos sem nenhuma vergonha de mostrar suas gordurinhas. E a platéia? Simplesmente enlouquecem com a performance da moça. Além de vermos uma quantidade enorme de clones aos gritos na platéia. O som é indie-rock que lembra levemente outra banda a qual também tem uma vocalista gordinha e carismática, The Bell Rays.





Discografia:
That´s Not What Heard (2001)
Movement (2003)
Standing in the Way of Control (2006)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

British Steel - Judas Priest (1980)


Enquanto a maioria dos headbangers consideram o álbum Screaming for Vengeance como o melhor do Judas Priest; eu sem pensar duas vezes, considero British Steel seu melhor e insuperável trabalho. Tudo bem que em Screaming... encontra-se o clássico Eletric Eye, porém, British Steel não só é um divisor de águas da carreira da banda como também no próprio heavy metal. Clássicos como Breaking the Law e Living After Midnight (quase pop), riffs matadores de Metal Gods e Grinder e o grande finale de Steeler moldaram o metal dos anos 80.
Apesar do grande poder criativo da banda, a produção de Tom Allom destaca-se. Allom não só registrou os vocais potentes de Halford e o instrumental forte do Priest como criou alguns efeitos. Incrementar uma música com samples ou efeitos é algo fácil hoje em dia (não existia sample na época), mas o que Tom Allom fez naquelas gravações na casa de Ringo Starr (ele mesmo), onde ficava o estúdio, não foi tão simples. Uma das proezas, por exemplo, foi pegar os talheres da cozinha e colocá-los em cima de uma bandeja para que Halford depois ficasse movimentando-a para cima e para baixo, e capturar o som, criando o efeito grandioso de Metal Gods. No DVD da série Classic Albums a banda conta detalhes da produção deste clássico do Heavy Metal.

Curiosidades:
- O nome Judas Priest foi tirado de uma música do álbum John Wesley Harding (1968) de Bob Dylan – The Ballad of Frankie Lee and Judas Priest
- Rob Harlford já teve contatos com OVNI´S, além de acreditar que é o único cantor gay de heavy meta do planeta.
- Rob harlford entrou na banda por indicação da namorada (atual esposa) do baixista Ian Hil, que era sua irmã. Portanto, Ian Hill é cunhado de Rob.
- O Judas Priest foi a primeira banda de metal a utilizar o visual “motoqueiros com roupas de couro”, que mais tarde se tornou sinônimo do gênero musical.



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domingo, 19 de outubro de 2008

The Moody Blues - In Search of the Lost Chord (68)


Uma vez minha namorada me perguntou qual instrumento que eu mais gostava, e eu disse que era o Mellotron. Realmente adoro o som etérico e meio místico que ele nos proporciona. Este é um dos motivos de eu gostar da música do fim dos anos 60, porque muitas bandas abusavam do mellotron.
Depois do Tangerine Dream, a banda The Moody Blues foi a que mais abusou do Mellotron (instrumento de teclado que tem em seu interior um verdadeiro arquivo de sons gravados em fita, sendo que cada tecla comanda uma fita com uma nota musical, gravada, por exemplo, de um violino), além de serem pioneiros no uso deste instrumento, logo após a sua invenção em 1967. Esta banda de Birmingham, Inglaterra, fora isso chegara a elaborar muitos discos acompanhados por orquestra. Vale ressaltar que antes deles, muitos grupos já utilizavam recursos orquestrais, principalmente os Beatles. Entrementes, nenhum havia chegado a lançar uma obra que trouxesse na capa algo como: Fulano de Tal e a Orquestra Sinfônica da Mesopotâmia, regida por Beltrano. Refiro-me ao seu “primeiro” disco Days of Future Passed (1967).
In Search of the Lost Chord foi lançado em 1968, é nele que encontra-se a música Legendo of a mind, a qual cita o “guru dos alucinógenos” Timothy Leary, que muitos hippies saiam cantando por ai, e fazia o Dr. Leary odiar a canção. O disco segue bem o estilo psicodélico da época, só com aquele primor que só os ingleses sabem fazer. A música Visions of Paradise, ao lado de Andmoreagain do Love, é uma das baladas psicodélicas mais lindas que já ouvi. Ride My See-Saw tem aquele solo pra lá de psicodélico e OM já diz tudo pelo título.
Fiquei aí com a linda música Nights in White Satin, um dos maiores sucessos deles.



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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol - Zé Ramalho e Lula Côrtes (1974)


Há tempos que venho ouvindo a juventude da década de 90 para cá, chamar Zé Ramalho de tiozão e outros adjetivos depreciativos. Eu tenho consciência que Zé Ramalho não é mais o mesmo e, hoje, não passa de um pastiche do que ele foi no passado. A mídia também tem sua parcela de culpa, como quando ele esteve no Jô Soares, que quando o assunto era o seu passado, resumiam-se a conversa à época em que ele foi “garoto de programa” no Rio de Janeiro. Lamentável. Nunca era citado suas bandas antigas: Os Quatro Loucos e The Gentlemen nos idos dos anos 60.
Antes de Zé Ramalho ficar famoso com seu Avôhai em 1978, cometeu junto de Lula Côrtes a mais ambiciosa e fantástica incursão psicodélica da música brasileira – o LP Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol em 1974. O álbum duplo trazia seus quatro lados dedicados aos elementos "água, terra, fogo e ar". Nesse clima, rolam canções como o medley "Trilha de Sumé/Culto à Terra/Bailado das Muscarias", com seus 13 minutos de violas, flautas, baixão pesado, guitarras, rabecas, pianos, sopros, chocalhos e vocais "árabes", ou a curta e ultra-psicodélica "Raga dos Raios", com uma fuzz-guitar ensandecida. Em Água cantos africanos, louvações à Iemanjá, com fundo sonoro de água corrente.
O LP é todo baseado na “Pedra de Ingá” situada no município de Ingá no interior da Paraíba. Além de ser um dos mais belos e até pode ser nomeado intrigante e interessante. Trata-se de um conjunto de pedras, onde há inscrições, cujas traduções são desconhecidas. Têm sido apontadas diversas origens, e há quem defenda origem extraterrestre.
Nessas pedras estão esculpidas várias figuras diversas, representando animais, frutas, humanos, constelações e até a Via Láctea.
A produção do álbum acabou sendo também um achado arqueológico, pois, ele naufragou na enchente que submergiu Recife, em 1975. A prensagem que era de 1.300 cópias, mil delas, literalmente, foram por água abaixo. O restante, estão em mãos de poucos, e está atualmente avaliada em mais de R$ 4 mil a únidade. É o álbum mais caro da música brasileira. Desbanca o disco Louco por Você o primeiro registro de Roberto Carlos, avaliado na metado do preço do Paêbirú.
Dizem que onde está a Pedra de Ingá, havia um caminho, que partia de São Tomé das Letras e conduzia até Machu Picchu no Peru. Se é verdade, não sei... mas como conta um músico que trabalhou no disco, Zé da Flauta, com aquela turma que gravou o LP – que envolvem mais de 20 pessoas nas gravações, entre eles Alceu Valença –, era um pessoal muito maluco, moravam na Casa de Beribere, um templo da liberdade e da contracultura, onde-se fumava muita maconha e até ingeriam cogumelos e rolavam as tais viagens. E no meio disto tudo: Zé Ramalho, um rapaz muito louco, bem distante da imagem que se tem dele hoje, de tiozão.

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domingo, 12 de outubro de 2008

Neil Young - Unreleased Chrome Dreams 1976 - (Bootleg)


Neil Young estava em alta criatividade em 1975. No final do verão, Zuma tinha sido finalizado, mas ainda não registrado em disco. Assim, Neil continuou gravando novas canções. Algumas foram gravados solo e outras com o Crazy Horse. Muitas destas canções permaneceram desconhecidas do grande público, até que mais tarde ele registrou oficialmente algumas destes futuros clássicos como Like a Hurricane, Powederfinger, Sedan Delivery, e Pocahontas.
Muitos títulos das canções são familiares para nós, mas as versões vão surpreender. É comum Neil fazer versões acústicas para músicas originalmente elétricas, mas aqui vemos o contrário, como acontece com Peace of Mind que ganha uma interessante roupagem elétrica. Powderfinger acústica, eu nunca tinha ouvido na vida. Grata surpresa!
Algumas músicas são semelhantes às versões originais como Like a Hurricane (que música!), a amarga Will to Love e Look Out For My Love
Mas parece que ninguém conhecia No One Seems To Know – infelizmente o som é ruim – uma boa canção ao piano que permanece não registrada oficialmente até hoje. Give Me Strenght é um achado, era para ser de um álbum que chamaria Star Of Bethlehem, permanece um clássico perdido. Champaigner (lindíssima) é outra não oficial, embora saiu uma versão diferente em Decade; aqui é sua versão original.
Espera aí, este é um disco de maioria de sobras de Neil Young? Meu Deus! Até as sobras do cara são maravilhosas. Nota 10!

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Viloet Journey - Orianthi


O blues rock é um estilo dentro do rock que poucos artistas jovens têm se arriscado, tirando exceções como Johnny Lang, o que ainda vemos são os velhos bluseiros como Eric Clapton, J.J. Cale, B. B. King e Buddy Guy mantendo vivo o velho blues.
Mas agora, temos uma bela jovem loira chamada Orianthi, embora não é apenas o blues que ela toca, indo também do pop às baladas açucaradas.
Aos 21 anos essa prodigiosa guitarrista lançou seu álbum debut em 2006 Violet Journey. Nascida em Adelaide, Austrália,Orianthi começou tocar violão aos seis anos de idade, e tem acumulado uma impressionante lista de créditos. Ela abriu shows para Steve Vai em sua cidade natal, quando tinha apenas 14 anos, e aos 17 para o ZZ Top.
Conheceu Carlos Santana quando tinha 18, foi quando as portas realmente começaram a se abrir para ela. Aliás, seu estilo de tocar guitarra é fortemente influenciado por Santana. Basta ouvir Lights of Manos e perceberá de cara aquele estilo carimbeiro. Só não gostei de He's Gone que parece R&B com guitarra, mas que a moça toca bem, isto é verdade.



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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Heavy Metal


Hoje, fui ver o programa do SBT “Astros” porque tinham anunciado uma banda de “Heavy Metal” e fui conferir. Lá, estavam os caras da banda, não me lembro o nome, era um tal de Black alguma coisa e tocaram uma música deles chamada “Fúria”, praticavam um crossover legal. O que me emocionou foi ver o Miranda sacudindo a cabeça ao ver a banda tocar. Eu já sabia que ele curtia um metal. Foi meio hilário vê-lo com aquela aparência e ser tão jovem.
Eu sempre curti este estilo de rock, desde moleque mesmo, peguei o heavy metal ainda nos anos 70, quando o este tipo de música ainda não tinha despreendido totalmente do blues, andava lado-a-lado com o hard rock e acompanhavamos bandas como Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin. Bem no fim dos anos 70, o heavy metal fortaleceu com o "NWOBHM" (New Wave of British Heavy Metal) trazendo os iniciantes Iron Maiden, Saxon e Anvil. Era os anos 80, um bom período para o estilo que também foi uma década que deu início ao Black Metal e o hardcore uniu-se ao Metal e originou-se o Trash Metal. Nesta mesma época tivemos o Hair Metal ou Glam Metal, que muitos chamavam de “metal farofa” praticadas por bandas como Twisted Sister e Ratt.
Já nos anos 90 o metal se diversificou ainda mais com o Gothic Metal, Black Metal sinfônico e melódico, Death Metal, Grincore e outros estilos menos famosos. O Brasil não fica para trás, pois desde 80 o país é destaque com Sepultura, Sarcófago, Korzus e mais recentemente Krisiun, Shaman e Angra.
Sempre que digo que curto Heavy Metal as pessoas me olham com “olho torto”, como se dissessem: “que isto cara!” Já até ouvi uns desinformados dizendo que o heavy metal já era. Mal sabem eles, que a última vez que Ozzy Osbourne e Iron Maiden estiveram no Brasil, bateram recorde de público, Ozzy levou 38 mil pessoas e o Iron Maiden 37 mil pessoas em São Paulo. É mole? Mas estas informações, você não verá em um Fantástico ou Faustão da vida; eles estão mais preocupados em falar das Britneys instantâneas e “rainhas do pop”.
O Heavy Metal continua firme e forte, é só ouvir os novos trabalhos do Battlelord e do Krisiun e irá entender o poder de destruição.
Quero viver muito mais do que Miranda e sacudir minha cabeça e tocar minha guitarra imaginária, que nem neste vídeo do Korzus no programa “Código MTV”. Do caralho!!!

domingo, 5 de outubro de 2008

Neil Young: O Último Rebelde do Rock


Lembro que um destes Hollywood Rock que teve aqui no Brasil, Neil Young foi convidado a participar. Quando o velho bardo soube que era para um evento de uma multinacional, ele negou, como negou também tocar no Free Jazz. Ele deixou bem claro que não iria tocar aquelas canções com uma marca de cigarro o patrocinando. E vemos estas bandas ditas “rebeldes” que dizem serem contra o status quo e ao mesmo tempo se vendem por pouco. Muita gente à época achou isto estrelismo, mas para mim isto é a verdadeira rebeldia.
Estas coisas só fazem gostarmos ainda mais dele. Recentemente um cientista batizou uma nova espécie de aranha com o nome de Neil Young, Myrmekiaphila neilyoungi. Escolhi Young porque gosto muito de sua música e o admiro e respeito pela militância a favor da paz e da justiça”, justifica o biólogo da JasonBond, da Universidade de East Carolina, Estados Unidos.
Neil, filho de uma família classe média de Toronto - o pai, um conhecido repórter esportivo -, cresceu em Winnipeg, também no Canadá, depois do divórcio dos pais. No início dos anos 60, formado no ginásio - e em bandas de garagem -, ele voltou a Toronto e integrou-se ao circuito de bares folk que, à semelhança do Village em Nova York, atraíam e alimentavam novos talentos (como os do grupo que mais tarde se chamaria The Band e tocaria com Bob Dylan). Nesse circuito, ele conheceu Stephen Stills, Richie Furay e a também cantora canadense Joni Mitchell, e compôs uma das canções pela qual seria sempre conhecido, "Sugar Mountain".
Em 66, aos 21 anos, intuindo que as possibilidades canadenses de sua vida tinham se esgotado, Young pôs ruma a estrada, direto para a Califórnia, trazendo o baixista Bruce Palmer no banco de carona. Conta-se a lenda que ele conheceu Stephen Stills e Richie Fury no caminho. Tudo teria sido muito diferente se Young tivesse se deixado ficar em São Francisco onde, em 66, Timothy Leary e Ken Kesey distribuíram ácido lisérgico de graça, com o Grateful Dead e o Jefferson Airplane fazendo a trilha sonora.
Seu primeiro trabalho é com uma das bandas seminais do "som de Los Angeles": o Buffalo Springfield de Stephen Stills e Richie Furay. Embora Young escreva boa parte do repertório da banda - "Mr. Soul", "I Am A Child", "Broken Arrow" -, sua voz esgarçada e sua guitarra psicótica estão sempre em segundo plano, na ordem soft das coisas preconizada por Stephen Stills.
Era muito difícil chegar a algum consenso tendo três compositores (e egos) tão antagônicos como Young, Stills e Furay numa mesma banda. Stills foi se juntar a David Crosby dos The Byrds e Graham Nash dos The Hollies no Crosby, Stills and Nash , Furray montou o Poco e Neil Young seguiu carreira solo.Com ajuda do sucesso do Bufallo Springfield, não foi difícil para Young conseguir um contrato com a Reprise Records, iniciando uma duradoura colaboração que durou mais de dez anos.
A produção de Young na virada dos 60 para os 70 é exemplar das múltiplas faces de L.A., de sua capacidade simultânea para a anestesia e para a dor. Young alterna sua participação no CSNY - onde sua voz sempre soa quase alienígena, descosturando o bordado harmônico delicado dos outros três - com álbuns individuais de extrema doçura (e previsibilidade) folk (After The Gold Rush, Haruest) ou pesadas reflexões sobre drogas, alienação, apatia e loucura - Tonights The Night, On The Beach , Zuma.
Depois de por uma fase “punk” na qual tocou com o pessoal do Devo. Daí nasceu a inspiração para dois álbuns de lançamento praticamente simultâneo, Rust Never Sleeps e Live Rust, um filme-concerto e uma excursão, projetos que num todo, abordavam a transitoriedade do estrelato na cena rock. Destes, Rust Never Sleeps mostrou-se magistral, trespassado por guitarras saturadas, letras mordazes - é dele o mote "antes queimar do que enferrujar" - e um punhado de canções em sintonia com a urgência daqueles tempos.
Durante os anos 80, Young continuou fazendo jus à fama de imprevisível, ao registrar uma série de LPs - Trans, Everybody´s Rockin, Old Ways, Life etc - em que se exercitava em estilos tão diversos quanto o rockabilly, o jazz das big-bands e a música eletrônica. Nesta época ele foi acusado pela gravadora Geffen de “não ser ele mesmo”, portanto, foi expulso da gravadora.
Na década de 90, após o excelente álbum Freedom, Neil Young é “descoberto” pela cena Grunge, bandas como Nirvana, Sonic Youth e Perl Jarm – que chegaram a gravar um álbum com ele, Mirroball, - foi chamado de “vovó do grunge e gravou zoeiras como “Ragged Glory” e o ao vivo Weld. Logo depois, cansado de fazer barulho volta ao estilo folk com Harvest Moon, e a tão esperada seqüencia de Harvest de 72.
Neil Young entrou no novo século com sua variedade de estilos, ora elétrico, ora acústico, como o ignorado Are You Passionate e o belíssimo Silver And Gold, dedicado a Pegi, com quem o canadense é casado há 21 anos, o disco exalta, a partir de simples e gentis canções acústicas, a beatitude proporcionada pela vida doméstico-familiar rancheira.
Em 2005, o cantor sofreu uma intervenção cirúrgica no cérebro, em decorrência de um aneurisma. Antes da cirurgia ele correu para o estúdio e registrou oito músicas, pensando que seria seu adeus artístico. Muitos fãs pensaram que o perderia, mas a operação foi um sucesso e ele grava Prairie Wind, embora longe de ser uma obra-prima contém uma de suas mais belas baladas, It´s A Dream.
Neil Young continua sua trajetória e promete um novo disco para 2008, recentemente tocou no Rock in Rio em Lisboa, fazendo até cover dos Beatles “A da yin the Life”. Para quem achou que ia morrer em 2005, continua muito bem. Vida longa, ao velho mestre!