segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Krautrock


Origem do termo: Na segunda guerra os americanos começam a criar apelidos para designar os aliados e inimigos, normalmente comparando-os (pejorativamente) com legumes, frutas, verduras, etc. Os alemães foram batizados com o termo "couve-flor". Demonstrando um senso de humor acima da média, Manuel Göttsching (guitarrista, integrante da banda alemã Ash Ra Tempel) criou o termo "Rock Couve-Flor" ou Krautrock para designar o estranho som que eles estavam fazendo no início dos anos 70 na Alemanha. Como uma das designações de couve-flor em alemão é Kraut, estava criado o termo Krautrock. Outra versão, relata que o termo krautrock (o legítimo "rock alemão") foi criado pelo tecladista Konrad Schnitzler para definir um novo tipo de "música rock", possuidor das características rítmicas e instrumentais básicas do Hard inglês e americano, mas dotado de características progressivas e inéditas até então. Essas características variavam desde climas "cósmicos" e "viajantes" executados pelos sintetizadores, até as mais inusitadas e esquizofrênicas experimentações sonoras, incluindo toda uma série de vocalizações (recitadas, sussurradas, gritadas, enlouquecidas...). (vê-se que a psicodélica estava muito presente na proposta desse movimento. No entanto, muito por causa do sucesso dessas bandas, o termo ganhou mais tarde um significado positivo sendo atualmente visto como um título de reconhecimento ao invés de insulto.
Enquanto os americanos pregavam o paz-e-amor e tinham nas melodias e nas viagens de guitarras os alicerces das mensagens, o som dos alemães nascia da culpabilidade do nazismo e do weltschmerz (as dores do mundo). Eles, filhos de nazistas, tinham que se livrar do câncer instalado em sua própria cultura - destroçada pela guerra e incapaz de ser reconstruída. Muito do Kraftrock venho da influência do surrealismo de Salvador Dali – o líder do Tangerine Dream, Edgar Froese foi seu aluno – queriam transferir a pintura surrealista para a música, basta ver a capas de alguns albuns como de Klaus Schulze, parecem pintura de sonhos. Para um introvertido intuitivo como eu, o Krautrock serviu de fundo para minhas viagens interior.
As bandas buscavam alianças com a música étnica, concretismo, atonalismo, minimalismo, serialismo, dodecafonismo, jazz e libertárias formas de som que escapassem do consumado. Essa música, que ora evoca os espaços siderais ora a sensação que se experimenta depois de se haver abusado ligeiramente do haxixe, foi concebida sob a batuta do Tangerine Dream, do Popol Vuh e de Klaus Schulze. Vale informar que o tecladista Irmin Schmidt e o baixista Holger Czukay, ambos do Can, foram alunos de Karlheinz Stockhausen, compositor alemão que já fazia experimentos com a eletrônica e que imprimia às suas criações um certo misticismo. Algumas dessas bandas, como Kraftwerk, Faust e Can utilizaram a eletrônica de maneira mais agressiva, prefigurando a "música industrial".
Eu já havia citado algumas bandas de Krautrock, como Tangerine Dream, Kraftwerk , mas estas com o passar dos anos mudaram a direção musical, servindo-se para abrirem portas para outros estilos musicais como New Age (Tangerine Dream) e Techonopop (Krafwerk), e teve aquelas que manteve mais “fidelidade” com o Krautrock como Amon Duul (talvez o maior exemplo deste tipo de música) e o Ash Ra Tempel. Embora o movimento acabou na década de 70, influenciaram muito bandas dos anos 80 como o dadaismo musical do Einstürzende Neubauten, Stereolab (chuparam tudo do Neu!) e as experiencias sônicas do Sonic Youth.

Conny Plank (1940-1987)
Outro dia a MTV (mais uma vez) mostrou os 10 melhores produtores de todos os tempos e o Conny Plank nem sequer foi citado, preferindo alguns produtores de rap (aí tem). Sinceramente fiquei desepcionado. Um dos maiores e melhores produtores e engenheiros de som de todos os tempos; ele ajudou a desenvolver o Krautrock, um dos primeiros técnicos a desenvolver gravações avançadas em gravadores multi-canais, um dos primeiros produtores europeu que trabalhou com Techno, via David Bowe e Brian Eno, influenciou quase toda uma geração da New Wave, incluindo o Devo que tem o seu primeiro álbum produzido pelo Eno no estúdio do Conny Plank em Cologne na Alemanha.
Plank começou sua carreira como técnico de som da beldade alemã Marlene Dietrich e desde o começo sempre acreditou nas possibilidades da musica eletronica e do som ambiente, usando materiais do dia- a- dia nas suas produções e objetos industrias como percussão; no seu Conny's Studio, produziu simplesmente os melhores trabalhos do Kraftwerk (os dois primeiros discos e o Autobhan), todos os discos do Neu!, Triunvirat, Guru Guru, trabalhou com Brian Eno nos seus discos mais experimentais, inclusive no "Music For Airports", Holger Czukay do Can, fora mais um monte de gente de peso que se influenciou pelo trabalho do MR. Plank como David Bowie e Steve Lillywhite. Além do mais, o cara colocava qualquer doidão no estudio para gravar. Até Scorpions no começo de carreira gravou com ele.

Um comentário:

Adri disse...

Puxa, mas você é mesmo um poço de cultura! Tinha mesmo que ser jornalista... Eu estou aprendendo alemão agora e saber essas coisas me incentivam ainda mais!

Seu post me faz entender uma coisa: como o povo alemão vê a arte com um todo - dança, música, pintura, literatura... estão integrados! São muito interessantes essas informações que destacou, essas "sinestesias intersemióticas"! Fantástico! Se superou neste post! PARABÉNS!