sexta-feira, 8 de agosto de 2008

As Origens da Música Eletrônica


Ano passado, um grupo de alunos do curso de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte, fizeram um trabalho sobre música eletrônica. Curioso e ansioso fui assistir à apresentação com a espectativa de ver – pelo menos citarem – meus colegas falarem dos primórdios da música eletrônica, em que nomes como Klaus Schulze, Neu!, Kraftwerk, Silver Apple, Terry Riley etc. Nada disto, falaram de Djs – como se este tipo de música tivesse sido inventado por eles – Drum and bass, dancehall, house, techno e trance. Tudo bem, isto foi a evolução natural que ocorreu a partir de meados dos anos 80. Mas a origem mesmo da música eletrônica veio da geração concretista de Stockhausen e Terry Riley – nem sequer citados. Ficaram falando mesmo é sobre as raves, a diferença de ritmos, como por exemplo, entre jungle e drum and bass. Mesmo que quisessem dar um de moderninhos, foram infelizes nisto; pois poderiam falar de sons mais modernos como downtempo ou drum n bossa.Pensei: que pesquisa é esta que esta garotada fez? O que eles entendem por música eletrônica? Daí, podemos concluir o porquê de funk carioca e Rap atual fazerem tanto sucesso em terras tupiniquins. A professora mais ignorante ainda em se tratando de música, estava com olhares de impressionada.
Foi a partir deste acontecimento que resolvi falar da origem da música eletrônica.
Apesar da contribuição do Edgar Varèse na França e dos americanos Terry Riley e Steve Reich, a música eletrônica tem sua origem na Alemanha. Foi com Karlheinz Stockhausen - ele é uma das figuras que aparecem na capa do disco dos Beatles Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band e Florian Schneider e Ralf Hütter da banda Kraftwerk estudaram com Stockhausen – que os estudos sobre a música eletrônica foi levado mais a fundo do que o uso de ondas Martenot de Varèse, ele compôs dois estudos de música eletrônica (Studie I e Studie II) com o objetivo de analisar as potencialidades dos sons eletrônicos, isto ainda nos anos 50.
Mas foi depois da invenção do sintetizador que a música eletrônica começou a tomar forma. Inventado em 1960 pelo russo Leon Therimim. Em 64 Robert Moog aperfeçoou o modelo criado por Therermim, criando o Moog – este fez uma revolução no rock dos anos 60: quase toda banda no final desta década começou a usá-lo. Mas foi com a banda alemã Tangerine Dream que este isntrumento foi usado intensamente, a partir de seu segundo disco Alpha Centauri (1971) três anos antes do Kraftwerk começar a usá-lo com força total. No LP seguinte (Zeit) com participação de outro nome importante, Florian do Popul Vuh, o Tangerine Dream tinham a intenção de estender as notas até onde podiam alcançar, também utilizaram intensivamente padrões repetitivos para formar a base rítmica e melódica em várias composições de seu repertório

Kraftwerk – pais da música eletrônica moderna
Os integrantes do Kraftwerk são de Düsseldorf. Começaram no início da década de 70 como uma dupla, formada por Ralf Hütter e Florian Schneider, ambos de formação clássica. No começo, usavam instrumentos eletrônicos ao lado de equipamentos convencionais. Tornaram-se totalmente eletrônicos por volta de 1973, quando entraram Karl Bartos e Wolfgang Flur na percussão eletrônica. Eles montaram um estúdio próprio, o Klirig Klang, que hoje em dia é totalmente computadorizado e portátil.
O Kraftwerk até 1974, era apenas mais um entre várias bandas malucas de Krautrock, mas com o LP Autobahn eles dão tchau ao Krautrock (que também já estava perdendo força), este trabalho trata-se de um salto estético gigante, evidenciado na faixa-titulo. No trecho final de seus 22 minutos de feeling estradeiro, o Werk implementou a batida motorik, mãe dos padrões utilizados no techno e no house, e o vocoder, que deixa a voz robótica, bem ao estilo das bandas de psytrance de hoje. Em 75 lançam Radio-Activity, passam a “cantar” e aproximam do pop. Daí vem sua grande cria: o technopop.
Claro que o movimento krautrock teve muita importância nisto tudo, e seu grande produtor nesta área, Conny Plank. Mas isto fica para a próxima postagem.

Um comentário:

Adri disse...

É como eu lhe falei outro dia: não há como você falar de um determinado assunto sem apontar sua origem, o cerne daquele tema. Acho complicado partir do conhecido - pior ainda: do mal conhecido, o "subconhecido"... Eu sempre me admirei do seu vasto conhecimento sobre música. Ainda bem que existe essa coisa chamada blog para que você os deixe registrados para posteridade e para todos aqueles que tem (real)interesse!
PARABÉNS pelo seu trabalho por aqui!
Beijos