sábado, 3 de maio de 2008

"O guri lindo e que tinha tudo!"



O "guri lindo e que tinha tudo!" esta foi à frase dita por um avó estupefato, Fernando Gageiro, que mora no térreo do mesmo prédio. Ele ficou tão abalado com a cena ao se deparar com o corpo do neto Vinícius Gageiro Marques, que teve que fazer terapia. O Yonlu no mundo virtual: o menino prodígio que discutiu seu suicídio pela internet e transformou sua genialidade em autodestruição e legado musical. Vinicius que abreviou a própria vida na tarde de 26 de julho de 2006, 36 dias antes de completar 17 anos, ali mesmo no apartamento do bairro São Geraldo, zona norte e Porto Alegre, Capital do Rio Grande do Sul.
Aquele dia, o garoto permaneceu on-line até lacrar o banheiro, onde morreu por intoxicação de monóxido e carbono. Seus últimos momentos foram acompanhados por internautas com quem ele se comunicava em um fórum virtual de suicídio.
Filho único da professora universitária e psicanalista Ana Maria Gageiro é doutora em psicologia pela Universidade Paris Diderot-Paris e não conseguiu salvar o filho, e segundo do professor universitário Luiz Marques. Segundo a mãe, que cita como provável causa a fobia dismórfica (feiúra imaginária, que pode levar a depressão e afastamento do convívio social).
Fá de Beatles, Radiohead, R.E.M, Flaming Lips, Tom Waits, Jeff Buckeley, Caetano Veloso e João Gilberto. Com seu codignome Yonlu gravou o que seria seu disco póstumo as 23 faixas do CD em seu disco caseiro. Poliglota que se alfabetizou em francês (morou com a família em Paris dos 3 aos 7 anos), falava e escrevia em inglês fluente sem nunca ter frequentado cursos específicos (aprendeu assistindo a filmes na tevê e no cinema) e chegou a estudar galês.
O menino fazia analise desde os 8 anos, e a porra do analista nem desconfiava que o garoto era um suicida em potencial. E a mãe que é doutora em psicologia era enganada facilmente quando o menino dizia que estava bem, pegava seu violão e ia para escola com “sinais” de melhora. Fico me perguntado: o que está gente aprendeu na universidade, que conseguem dar aulas pra futuros psicólogos, perceber o outro citar Freud, Lacan e não consegue ajudar o próprio filho na área psicológica.
Entramos na faculdade, aprender a citar autores, comparar teorias, viver de xérox de livros e saímos piores do que entramos, sabendo “tudo” da vida. Afinal, “estou formado”.
Como disse o avó “o guri que tinha tudo”, o que é ter tudo? Que senhor é este, que chega provavelmente com mais de 60 anos, e ter uma visão tão restrita da vida. Se Yonlu não era feliz, então ele não tinha tudo. O Rio Grande do Sul é a região do Brasil, que tem o maior índice de suicídio e também uma das regiões em que a população tem as melhores condições socioeconômicas.
Eu não tive e nem tenho coragem de ouvir o cd do Yonlu. É muito dolorido, e é por isto que não vou disponibilizá-lo para download.

2 comentários:

Dri disse...

é mesmo... vc tem toda razão. que tristeza esse nosso mundo!

Anônimo disse...

Só agora vi esse blog com esses comentários sobre a família do Vinícius.
Você julga a todos e fala como o dono da verdade.
Leia mais, estude mais sobre o assunto antes de sair fazendo julgamentos. Quando perguntaram ao Nelson Rodrigues que conselho daria aos jovens, deve ser o seu caso, ele respondeu:
"Envelheçam". Respeite a dor da perda de um filho. Não há nada mais doloroso