domingo, 25 de maio de 2008

Across the Universe - O Filme


Este filme faz jus a obra musical dos Beatles! Uma viagem aos anos 60, passando por toda obra dos Beatles, cantadas pelos próprios atores, com exceção da participação de Joe Cocker (“Come Together”) e Bono Vox (“I Am The Walrus”). Vale destacar a reeleitura que a banda The Secret Machines fizeram para “Flying” no final do filme, uma viagem psicodélica de quase nove minutos – Doido.
A história parte da história de um jovem (Jude) inglês de Liverpool. Entendiado com a falta de perspectiva e movido pela curiosidade de conhecer o pai, ele deixa a mãe e a namorada. Nos Estados Unidos, ele descobre que o pai é casado, tem outra família e nem sabia da sua existência. Neste ínterim, ele conhece jovens contestadores, típicos dos anos 60: Max, Lucy (por quem se apaixona), a roqueira Sadie, o guitarrista JoJo (seria o Hendrix? ) e a “lésbica” Prudence. “Across the Universe” vai dos becos de Liverpool ao universo criativo e psicodélico de Greenwich Village, passando pelas ruas tomadas pelos protestos em Detroit e pelos campos do Vietnã.
Mais do que uma versão atualizada de Hair (não tem como comparar), Across the Universe tem a qualidade de ser tocante sem ser piegas. Todas as canções são contextualizadas em trechos da trama do filme. Entre muitas qualidades, o filme (que tem a duração de mais de duas horas) trás a discussão sobre onde aqueles anos incríveis foram dar, ainda mais que o mundo vem “homenageando” o 1968 “o ano que não acabou”. As guerras continuam, mas as ruas se esvaziaram. Lucy, a mocinha da trama preveria isso e um diálogo conflituoso com Jude em uma lavanderia: “Talvez quando bombas começarem a cair aqui, as pessoas passem a prestar atenção na guerra”. Ironia fina que não passa despercebida mesmo no meio de tanta beleza beatlemaníaca.

Curiosidades:
A própria diretora apresentou o filme e contou como foi a experiência de mostrá-lo aos músicos verdadeiros.
“Ringo foi o primeiro a ver a versão final do filme, e depois Yoko Ono e Olivia Harrison [viúvas de John Lennon e George Harrison]. Dois meses depois, tive um momento de alegria terrificante, quando me vi em Londres ao lado de Paul McCartney, que via minha obra. Fiquei insegura de tudo, tremia, e depois ele começou a cantarolar em voz baixa. Era ‘All my loving’. E me disse: é impossível que eu não goste”.
A diretora também revelou que havia a hipótese de chamar Ringo e Paul para interpretar algumas cenas no filme. “Ringo teria que fazer um bêbado pulando sobre um monte de lixo enquanto canta. E Paul teria que cantar ‘Hey Jude’. Mas eles não quiseram, não queiram ficar em evidência. Além disso, seria arriscado para o filme se aparecessem dois Beatles verdadeiros assim de repente”.

Informações Técnicas
Título no Brasil: Across the Universe
Título Original: Across the Universe
País de Origem: EUA
Gênero: Musical / Romance
Classificação etária: 10 anos
Tempo de Duração: 133 minutos
Ano de Lançamento: 2007
Estréia no Brasil: 07/12/2007
Site Oficial: http://www.sonypictures.com/movies/ acrosstheuniverse/
Estúdio/Distrib.: Sony Pictures
Direção: Julie Taymor

Elenco
Evan Rachel Wood ... Lucy
Jim Sturgess ... Jude
Joe Anderson ... Max Carrigan
Dana Fuchs ... Sadie
Martin Luther ... JoJo
T.V. Carpio ... Prudence
Spencer Liff ... Daniel
Lisa Hogg ... Jude's Liverpool Girlfriend
Nicholas Lumley ... Cyril
Michael Ryan ... Phil
Angela Mounsey ... Jude's Mother (Martha)
Erin Elliott ... Cheer Coach
Robert Clohessy ... Jude's Father
Curtis Holbrook ... Dorm Buddy
John Jeffrey Martin ... Dorm Buddy

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Rufus Wainwright em Belo Horizonte (Freegells Music) 11/05/08


Recentemente o cantor e compositor canadense-americano Rufus Wainwright venho fazer uma turnê pelo Brasil, ele que ficou mais conhecido aqui pelas suas participações em trilhas sonoras como em Shrek ("Hallelujah"), Brokeback Mountain (“King Of The Road” e “The Makes Maker”) e “Moulin Rouge”, do que pelos seus álbuns. Em seu currículo já consta 5 álbuns, embora ele não é muito conhecido no Brasil, portanto, seus shows não lotaram por aqui. Ele se apresentou no Rio de Janeiro (7/5), São Paulo (9/5), Belo Horizonte (11/5) e Brasília (13/5).
Após tocar no Rio de Janeiro e São Paulo em companhia de sua irmã Martha, e da mãe, Kate, Rufus se desculpou por não poder trazê-las a solo mineiro. Mas o que de imediato parecia que estávamos perdendo por causa deste desfalque, saímos é ganhando por assistir um show único. Rufus com suas canções “pop” com forte acento erudito, buriladas com sensibilidade e letras melancólicas de um trovador moderno encaixaram-se perfeitamente no formato do show: somente ele alternando-se entre um piano e um violão. Quem esperava uma estrela antipática, demasiado afetada (num mal sentido), com o pior comportamento possível que os pop-stars costumam ter, Rufus surpreendeu. Extremamente bem-humorado, fazendo piadas de um humor fino e comentários inspirados a todo tempo, soube entreter, divertir e tocar a todos os presentes, vidrados nas mãos e na voz única.
Pontos altos não faltaram. Mostrando-se muito a vontade e com pleno domínio de suas próprias canções, o repertório foi do primeiro, auto intitulado, de 1998, até o último, “Release The Stars”, de 2007, incluindo a inédita “Who Are You, New York”. Peças de rara beleza como “Not Ready To Love”, a ácida “Going To A Town” e “Califórnia” foram momentos que o afirmam como um dos maiores cantores da atualidade.
O set final teve ainda a indispensável “Poses” e a sua versão levemente acelerada de “Hallelujah”, de Leonard Cohen, presente no filme Shrek, além do clássico “Somewhere Over The Rainbow”. Após uma hora e meia de apresentação, Rufus se despediu aplaudido de pé. Um artista maravilhoso, muito além dos limitantes adjetivos inseridos a ele.

sábado, 3 de maio de 2008

"O guri lindo e que tinha tudo!"



O "guri lindo e que tinha tudo!" esta foi à frase dita por um avó estupefato, Fernando Gageiro, que mora no térreo do mesmo prédio. Ele ficou tão abalado com a cena ao se deparar com o corpo do neto Vinícius Gageiro Marques, que teve que fazer terapia. O Yonlu no mundo virtual: o menino prodígio que discutiu seu suicídio pela internet e transformou sua genialidade em autodestruição e legado musical. Vinicius que abreviou a própria vida na tarde de 26 de julho de 2006, 36 dias antes de completar 17 anos, ali mesmo no apartamento do bairro São Geraldo, zona norte e Porto Alegre, Capital do Rio Grande do Sul.
Aquele dia, o garoto permaneceu on-line até lacrar o banheiro, onde morreu por intoxicação de monóxido e carbono. Seus últimos momentos foram acompanhados por internautas com quem ele se comunicava em um fórum virtual de suicídio.
Filho único da professora universitária e psicanalista Ana Maria Gageiro é doutora em psicologia pela Universidade Paris Diderot-Paris e não conseguiu salvar o filho, e segundo do professor universitário Luiz Marques. Segundo a mãe, que cita como provável causa a fobia dismórfica (feiúra imaginária, que pode levar a depressão e afastamento do convívio social).
Fá de Beatles, Radiohead, R.E.M, Flaming Lips, Tom Waits, Jeff Buckeley, Caetano Veloso e João Gilberto. Com seu codignome Yonlu gravou o que seria seu disco póstumo as 23 faixas do CD em seu disco caseiro. Poliglota que se alfabetizou em francês (morou com a família em Paris dos 3 aos 7 anos), falava e escrevia em inglês fluente sem nunca ter frequentado cursos específicos (aprendeu assistindo a filmes na tevê e no cinema) e chegou a estudar galês.
O menino fazia analise desde os 8 anos, e a porra do analista nem desconfiava que o garoto era um suicida em potencial. E a mãe que é doutora em psicologia era enganada facilmente quando o menino dizia que estava bem, pegava seu violão e ia para escola com “sinais” de melhora. Fico me perguntado: o que está gente aprendeu na universidade, que conseguem dar aulas pra futuros psicólogos, perceber o outro citar Freud, Lacan e não consegue ajudar o próprio filho na área psicológica.
Entramos na faculdade, aprender a citar autores, comparar teorias, viver de xérox de livros e saímos piores do que entramos, sabendo “tudo” da vida. Afinal, “estou formado”.
Como disse o avó “o guri que tinha tudo”, o que é ter tudo? Que senhor é este, que chega provavelmente com mais de 60 anos, e ter uma visão tão restrita da vida. Se Yonlu não era feliz, então ele não tinha tudo. O Rio Grande do Sul é a região do Brasil, que tem o maior índice de suicídio e também uma das regiões em que a população tem as melhores condições socioeconômicas.
Eu não tive e nem tenho coragem de ouvir o cd do Yonlu. É muito dolorido, e é por isto que não vou disponibilizá-lo para download.