sexta-feira, 28 de março de 2008

Ayahuasca



Tenho lido muito sobre Ayahuasca - é uma mistura de duas plantas: Cipó Mariri e Chacrona que, após cozidas, resultam num chá de gosto amargo e alucinógeno - desde a década de 80 esta planta, que originou várias seitas, as mais famosas são a união do vegetal, santo daime e barquinha. Recentemente está muito na moda nas classes altas de São Paulo e Rio de Janeiro, atraindo até vários pirados e gurus modernas dos EUA.
Relembrando Carlos Castaneda (alguém ainda se lembra da “Erva do Diabo”?) quando seu “guru” Don Juan, o entupia de peiote para que ele saísse de sua visão condicionada da realidade. Em seus livros seguintes, Carlos Castaneda relata que Don Juan, disse que as plantas alucinógenas servem apenas para dar uma “sacudida” em nossa consciência ordinária, que certas pessoas só “acordam” para este mundo misterioso e maravilhoso que nos cercam quando tomam tais plantas. Tomando estas plantas além deste motivo, se torna “experiências místicas dos ignorantes” dizia Davied Allen (hippie filósofo da antológica banda hippie Gong).
Ayauhasca é uma planta alucinógena e como todas estas plantas sacodem a consciência; um fenômeno comum, nada místico. Isto é bom, como diz Castaneda, “para sacudir as pessoas da sua visão mesquinha e pequena da vida”. Infelizmente, as pessoas fizeram da Ayahuasca uma religião, uma espécie de “deus” oculto na planta, originando várias seitas e misturando com outras; hoje existe até Umbandaime (Umbanda, com Santo Daime). Saiu duas vezes na revista Rolling Stones nacional reportagens sobre as seitas da Ayahuasca, lá conta, que vários “gurus” e jovens estrangeiros endinheirados vinham para o Brasil (mais necessariamente, no Amazonas) para ter suas experiências místicas. Gente, sem conhecimento espiritual, muitas vezes sem moral nenhuma, tentando fugir do tédio de ter “tudo que se quer na mão”.
Conversando com pessoas que tomaram esta planta, percebi que o que elas vêem em suas experiências “místicas” é o que está em sua consciência, ou melhor, no subconsciente, e as experiências “reais” são coloridas pelo seu histórico religioso, por exemplo: o católico vê anjos, o esotérico luzes, o espírita entidades astrais, e até monstros, no caso de uma consciência cheia de culpas típica de uma educação judaico-cristã.
Nos rituais destas seitas, tocam tambores (que afetam os chakras inferiores), cantam mantras, pontos tipo Umbanda, e dançam que nem no Candomblé e fazem exercícios de respiração de yoga. Agora, talvez com a vinda de tantos estrangeiros endinheirados, alguns lugares estão cobrando. Você chega a pagar R$ 90 reais para ter uma experiência – religião é sempre um bom negócio. Pode ser que esta coisa de cobrar esteja vindo de psicólogos, terapeutas “holísticos”, psicanalistas etc, que infestam estes lugares. E também a presença constante e cada vez mais de atores e atrizes da Globo, que perceberam que a fama e sucesso não trouxe a felicidade almejada.
A ayahuasca dá uma “sacudida” na consciência, em nossa “única realidade” cumpre seu propósito, mas daí para frente, é forçar a alteração de consciência, querer repetir ao que não se repete, pois cada experiência é única – tudo que é forçado não é bom. A consciência não se fixa, quando ela é sempre forçada, voltando sempre no “lugar comum”, assim, a pessoa não muda, e tem que ficar sempre recorrendo a alucinógenos, para “repetir a experiência”. Eles vêem que sua vida diária não mudou na prática, eles podem até sair dizendo que existem outras realidades, que tudo é UNO, mas isto não é mudança, é crença.
A mudança real da consciência, só é autêntica, quando se eleva sua própria consciência sem uso de nada, e você muda de sintonia de acordo com sua própria vontade. Tendo o total controle e não sendo controlado por alucinógenos, onde você fica pulando de uma realidade a outra como um fantoche sem nunca saber qual será a próxima “visão”. Parecem mais crianças, ansiosas pra saberem qual vai ser a nova brincadeira. Isto não deixa de ser um bom remédio para o tédio. Na experiência da consciência, sem ser forçada, a consciência é como uma casa, com vários cômodos, e cada cômodo é um nível diferente de consciência, quando você conhece um novo cômodo, você sabe como voltar lá, é natural, você vai acendendo a “lâmpada” de cada cômodo, você vai “evoluindo”. Nestas experiências de consciência sob alucinógenos você também vai conhecer outros cômodos (níveis), mas você é como “empurrado” sem saber como chegou lá (tudo é muito rápido), e não sabe como voltar sozinho. Peça para uma pessoa que tomou ayahuasca durante anos, para que altere sua consciência naquele exato momento, sem tomar nada se ela muda. Garanto-te que a decepção será total. Então, onde está à mudança real nisto? Isto não seria dependência?
Nesta sociedade consumista, imediatista, onde tudo pode ser adquirido rapidamente, desde que você tenha os meios, os contatos certos e uma certa quantidade de dinheiro. Não é de se surpreender que a busca da mudança de consciência, a evolução, seria diferente. Só faltam anunciarem no estilo pastor evangélico:
Venham irmãos, você que está cansado de viver a vida como tudo mundo, que quer ter uma experiência mística autêntica. Venha tomar ayahuasca por um preço módico e sua vida nunca será a mesma. Você não precisa mais de ir para um mosteiro zen ou gastar anos praticando respiração yoga. Agora a coisa é tão rápida quanto à evolução dos celulares. A ayahuasca vai te colocar diretamente em Alfa.
Uns descobrem Jesus, o guru da Índia, o Paulo Coelho e outros a ayahuasca. Cada um com sua bengala (ou seria cruz?).


Cláudio “Campos”

Um comentário:

Dri disse...

um texto desse incomoda mta gente...