domingo, 30 de março de 2008

Globalização


A sociedade pós-moderna tem pintado um quadro glamoroso da globalização, em que se acredita que todos estão se comunicando, se interagindo, mas por trás, existe uma imposição imperialista, preocupados com sua expansão econômica e mercadológica. Talvez daqui uns 50 anos, estaremos fazendo trabalhos universitários sobre “como há 50 anos atrás, o imperialismo se disfarçou de globalização”. E já é generalizada a aceitação do capitalismo como melhor e única modelo econômico e o sonho comunista morreu junto com o “bicho-papão” comedor de criancinhas.
Esta tendência para a unificação pregada pela globalização, anulando as diversidades e as culturas têm se mostrado bem o contrário. Apesar de a globalização ter aproximado os meios de comunicação encurtando o espaço/tempo, um mundo que se comunica mais, tem provocado reações em que se enfatiza a valorização da tradição e um fortalecimento do regionalismo. Mesmo que sejam absorvidos costumes e valores de outras culturas, gerando até algumas híbridas, acentuam-se também as diferenças das identidades locais.
A identidade somente se torna uma questão quando está em crise, quando algo se supõe como fixo, coerente e estável é deslocado pela experiência da dúvida e da incerteza. Esta dúvida surge com o contato entre pessoas de diferentes culturas. Ainda mais que estas diferenças vêm de todos os lados e todos os meios, criando uma falta de referência. Piora ainda mais quando esta globalização impõe uma sociedade do consumo, chegando ao ponto em que já não se fala tanto em direito do cidadão, mas sim, em direito do consumidor.
Os seres humanos estão se fechando em qualquer coisa que lhes dê um senso de comunidade e identidade. O fenômeno da identidade pode ser visto como algo que dá ao indivíduo, que está cada vez mais privado de referencias mais profundas, um senso de pertencimento a algum lugar deste vasto mundo. Isto faz com que a busca por identidade conduza-o a sistemas fechados, fundamentalismo religioso e raciais – não é isto que temos presenciado? Exemplo disto, é o aumento das diferenças raciais no Brasil, em que vemos ministro para questões raciais, negros entrando pelas universidades pelas portas dos fundos, e vários jovens dizendo descobrir sua “negritude”. Só falta agora, o governo referir aos negros como “afro-brasileiros”.
A globalização propõe a cultura do consumismo, tentando adequar o indivíduo a fins lucrativos, sendo que sua base é o mercado econômico, portanto: lucro. Ela vai se expandido por todo o mundo e descaracterizando ricas culturas, mercantilizando relações antes apoiadas na vida comunitária com suas trocas afetivas, simbólicas e substanciais. O problema não ir de contra um intercâmbio cultural; a questão é a forma como é feita, visando o consumismo, muito mais calcada na imposição do que na troca.
O próprio termo globalização é utópico no contexto que está sendo propagado: como unificação, homogeneização, pois, o que estamos vendo é perdas de identidade, exclusões sociais e econômicas. O que vemos é um novo imperialismo disfarçado, a diferença entre o imperialismo do início do Século XX e este, é que o antigo era comandado pelas potenciais estatais, e atualmente são os conglomerados privados internacionais.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Ayahuasca



Tenho lido muito sobre Ayahuasca - é uma mistura de duas plantas: Cipó Mariri e Chacrona que, após cozidas, resultam num chá de gosto amargo e alucinógeno - desde a década de 80 esta planta, que originou várias seitas, as mais famosas são a união do vegetal, santo daime e barquinha. Recentemente está muito na moda nas classes altas de São Paulo e Rio de Janeiro, atraindo até vários pirados e gurus modernas dos EUA.
Relembrando Carlos Castaneda (alguém ainda se lembra da “Erva do Diabo”?) quando seu “guru” Don Juan, o entupia de peiote para que ele saísse de sua visão condicionada da realidade. Em seus livros seguintes, Carlos Castaneda relata que Don Juan, disse que as plantas alucinógenas servem apenas para dar uma “sacudida” em nossa consciência ordinária, que certas pessoas só “acordam” para este mundo misterioso e maravilhoso que nos cercam quando tomam tais plantas. Tomando estas plantas além deste motivo, se torna “experiências místicas dos ignorantes” dizia Davied Allen (hippie filósofo da antológica banda hippie Gong).
Ayauhasca é uma planta alucinógena e como todas estas plantas sacodem a consciência; um fenômeno comum, nada místico. Isto é bom, como diz Castaneda, “para sacudir as pessoas da sua visão mesquinha e pequena da vida”. Infelizmente, as pessoas fizeram da Ayahuasca uma religião, uma espécie de “deus” oculto na planta, originando várias seitas e misturando com outras; hoje existe até Umbandaime (Umbanda, com Santo Daime). Saiu duas vezes na revista Rolling Stones nacional reportagens sobre as seitas da Ayahuasca, lá conta, que vários “gurus” e jovens estrangeiros endinheirados vinham para o Brasil (mais necessariamente, no Amazonas) para ter suas experiências místicas. Gente, sem conhecimento espiritual, muitas vezes sem moral nenhuma, tentando fugir do tédio de ter “tudo que se quer na mão”.
Conversando com pessoas que tomaram esta planta, percebi que o que elas vêem em suas experiências “místicas” é o que está em sua consciência, ou melhor, no subconsciente, e as experiências “reais” são coloridas pelo seu histórico religioso, por exemplo: o católico vê anjos, o esotérico luzes, o espírita entidades astrais, e até monstros, no caso de uma consciência cheia de culpas típica de uma educação judaico-cristã.
Nos rituais destas seitas, tocam tambores (que afetam os chakras inferiores), cantam mantras, pontos tipo Umbanda, e dançam que nem no Candomblé e fazem exercícios de respiração de yoga. Agora, talvez com a vinda de tantos estrangeiros endinheirados, alguns lugares estão cobrando. Você chega a pagar R$ 90 reais para ter uma experiência – religião é sempre um bom negócio. Pode ser que esta coisa de cobrar esteja vindo de psicólogos, terapeutas “holísticos”, psicanalistas etc, que infestam estes lugares. E também a presença constante e cada vez mais de atores e atrizes da Globo, que perceberam que a fama e sucesso não trouxe a felicidade almejada.
A ayahuasca dá uma “sacudida” na consciência, em nossa “única realidade” cumpre seu propósito, mas daí para frente, é forçar a alteração de consciência, querer repetir ao que não se repete, pois cada experiência é única – tudo que é forçado não é bom. A consciência não se fixa, quando ela é sempre forçada, voltando sempre no “lugar comum”, assim, a pessoa não muda, e tem que ficar sempre recorrendo a alucinógenos, para “repetir a experiência”. Eles vêem que sua vida diária não mudou na prática, eles podem até sair dizendo que existem outras realidades, que tudo é UNO, mas isto não é mudança, é crença.
A mudança real da consciência, só é autêntica, quando se eleva sua própria consciência sem uso de nada, e você muda de sintonia de acordo com sua própria vontade. Tendo o total controle e não sendo controlado por alucinógenos, onde você fica pulando de uma realidade a outra como um fantoche sem nunca saber qual será a próxima “visão”. Parecem mais crianças, ansiosas pra saberem qual vai ser a nova brincadeira. Isto não deixa de ser um bom remédio para o tédio. Na experiência da consciência, sem ser forçada, a consciência é como uma casa, com vários cômodos, e cada cômodo é um nível diferente de consciência, quando você conhece um novo cômodo, você sabe como voltar lá, é natural, você vai acendendo a “lâmpada” de cada cômodo, você vai “evoluindo”. Nestas experiências de consciência sob alucinógenos você também vai conhecer outros cômodos (níveis), mas você é como “empurrado” sem saber como chegou lá (tudo é muito rápido), e não sabe como voltar sozinho. Peça para uma pessoa que tomou ayahuasca durante anos, para que altere sua consciência naquele exato momento, sem tomar nada se ela muda. Garanto-te que a decepção será total. Então, onde está à mudança real nisto? Isto não seria dependência?
Nesta sociedade consumista, imediatista, onde tudo pode ser adquirido rapidamente, desde que você tenha os meios, os contatos certos e uma certa quantidade de dinheiro. Não é de se surpreender que a busca da mudança de consciência, a evolução, seria diferente. Só faltam anunciarem no estilo pastor evangélico:
Venham irmãos, você que está cansado de viver a vida como tudo mundo, que quer ter uma experiência mística autêntica. Venha tomar ayahuasca por um preço módico e sua vida nunca será a mesma. Você não precisa mais de ir para um mosteiro zen ou gastar anos praticando respiração yoga. Agora a coisa é tão rápida quanto à evolução dos celulares. A ayahuasca vai te colocar diretamente em Alfa.
Uns descobrem Jesus, o guru da Índia, o Paulo Coelho e outros a ayahuasca. Cada um com sua bengala (ou seria cruz?).


Cláudio “Campos”

segunda-feira, 10 de março de 2008

Interpol no Brasil!!!


Interpol vai tocar em São Paulo (dia 11) que vai ser aberta pela banda Cachorro Grande, aqui será o Patu Fu, no Rio de Janeiro (dia 13) pelos cariocas do Moptop.
Eles estão aqui para divulgar seu terceiro disco “ Our Love to Admire”, que é um pouco mais alegrinho e afastando um pouco da sombra do Joy Division – também o timbre de Paul Banks, lembra bastante a do Ian Curtis. A música “No I In Threesome” é o grande hit e toca bem na MTV, outros destaques ficam com “The Heinrich Maneuver”, “Wrecking Ball” e a soturna e melancólica “The Lighthouse” A banda é formada pelo guitarista Kessler, o vocalista e guitarrista Paul Banks, o baixista Carlos D. e o baterista Sam Fogarino. São de Nova York , menos o guitarrista Kessler, que é de Londres. Além do último “Our Love to Admire” (2007) lançaram “Turno n the Bright Lights (2002) e Antics (2004). Com fortes influencias de bandas dos anos 80, principalmente Joy Division e características de sua geração de Nova York, como Strokes e Yeah Yeah Yeahs.
Não entendo o porquê de não tocarem em Porto Alegre, sendo que por lá, eles tem muito mais fãs do que em Belo Horizonte. Pelo menos vou poder ver o show. Infelizmente a juventude do novo século afastou muito do rock, preferindo se enveredar pelo funk carioca, axé e rap. Mesmo não gostando muito das novas diretrizes da MTV Brasil, devo dar o braço a torcer, pois, eles ainda são grandes divulgadores do rock e pop.

Está ai o link de seu último trabalho de estúdio: "Our Love to Admire"
http://rapidshare.com/files/98476339/Interpol_-_Our_Love_To_Admire.rar.html

sábado, 1 de março de 2008

Sigur Rós Ágaetis Byrjun


Em uma época em que o monopólio do rap domina o Estados Unidos, a Inglaterra sobrevive com poucas e heróicas bandas e as nacionais ainda sofrem da síndrome do Green Day ou a herança do tropicalismo mal resolvido. É neste cenário enfadonho que apareceu em meados dos anos 90, na Islândia, uma das bandas mais seminais de nossa época: Sigur Ros.
Formada em 1994, na cidade de Reykjavík, Islândia, três amigos (Jón, Georg e Agúst),juntam suas economias e gravam uma demo num estúdio deplorável. Depois entregam a fita a uma gravadora Os três amigos aceitaram a inclusão de suas músicas na tal compilação como um incentivo, e imediatamente começaram a trabalhar num álbum de estréia, "Von", que só viria a ser lançado três anos depois. "Von" fez sucesso (na Islândia) e ganhou uma reedição de remixes. Logo depois o Sigur Rós ganhou um novo membro, Kjartan, que ajudou a banda a melhorar suas composições, e marcou o início de um novo tempo para o Sigur Rós. Foi quando eles começaram a trabalhar em cima do elogiadíssimo "Ágætis Byrjun", lançado no final de 1999 na Islândia e entre a segunda metade de 2000 e final de 2001 no resto do mundo.
Posto "Agaetis Byrjun" não por ser o melhor; mas o que representa bem a música da banda.
Foi um trabalho de amor: os membros da banda colaram as primeiras capas do disco à mão, o que resultou em vários defeitos, já que algumas vezes a cola pingava sobre os CDs. O processo de gravação foi longo e doloroso e em conseqüencia a data de lançamento foi adiada várias vezes. Foi um tempo bem investido. O álbum rapidamente se tornou um dos mais vendidos de todos os tempos na Islândia, conseguindo amplo reconhecimento e totalizando cerca de 500.000 cópias no mundo inteiro. Um feito extraordinário, levando-se em conta que a música é lenta, ambiental, rica em texturas (o cantor e guitarrista Jonsi muitas vezes usa um arco de violoncelo), contendo duas músicas com mais de 10 minutos. Sem falar no fato de a banda cantar em seu próprio idioma inventado - o "Hopelandic".
Mas não se engane: Ágaetis Gyrjun possui uma qualidade atemporal, uma presença etérea e encantadora. A música de abertura, a bela "svefn-G-Englar", descobra-se lenta e graciosamente, marcada pela voz angelical de Jonsi. a dramática "Vidrar Vel Til Loftárása" usa cordas para criar um ambiente fantástico - o seu alcance épico e arrasador. A faixa-título é ao mesmo tempo elegante e simples.
A Melody Maker descreve a música de Sigur Rós como o som de "Deus chorando lágrimas de ouro no céu". Soa pretensiosa, mas é uma boa descrição.

O link está aí:
http://rapidshare.com/files/96056319/Sigur_Ros_-_Agaetis.rar.html