sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O Rock Nacional Pré-Jovem Guarda


O Início
É interessante de ver como o cinema impulsionou o rock tanto aqui no Brasil como lá fora. O filme "Sementes da Violência" (The Blackboard Jungle) de 1955,foi um dos que mexeu com a juventude mundial, tanto pelo seu questionamento e rebeldia juvenil como sua trilha sonora com a abertura com a música "Rock around the Clock de Bill Haley & His Comets". Esta música foi o primeiro sucesso mundial do rock´n´roll e no Brasil
em outubro de 1955, foi dado o pontapé inicial com a primeira gravação de rock aqui com a cantora Nora Ney, uma cantora de samba-canção, que não tinha nada a ver com rock; e o primeiro rock nacional só foi gravado por ela, porque era a única artista que sabia inglês na Rádio Nacional, naquele tempo. Assim, ela entra para história do rock brasileiro como a primeira intérprete do primeiro rock gravado no país.
Engraçado é que as primeiras gravações de rock foram feitas por artistas que faziam música totalmente diferente do rock: Heleninha Silveira ("Ronda das Horas"), Agostinho dos Santos ("Até logo Jacaré") e até mesmo Cauby Peixoto ("Rock and Roll em Copacabana"). E o cantor de "Conceição" acabou sendo reconhecido como o primeiro cantor a gravar um rock composto no Brasil pois, até então, havia apenas versões para sucessos internacionais.

O primeiro Rei do Rock no Brasil: Sérgio Murilo!
No paradisíaco Rio de Janeiro do final dos anos 50 não existia espaço para os rebeldes do rock´n´roll. O rock como musica deveria ficar limitado a artistas "sérios" como Cauby Peixoto e suas incursões pelo ritmo louco da nova onda.
Sérgio Murilo era um daqueles bons meninos do Rio, gente com extraordinária vocação para o bem viver; formou a primeira geração do nosso rock´n´roll. Os garotos finalmente ganhavam seus porta-vozes, um grupo pleno de alegria e juventude.
Capaz de lotar e encantar auditórios, Sérgio foi o grande ídolo do rock brasileiro e o único a ultrapassar fronteiras, haja vista seus inúmeros fãs-clubes espalhados pela América Latina; "Marcianita", "Broto Legal", "Tu Serás" e todos aqueles hit cantados num curioso estilo soluçado, por acaso semelhante a Buddy Holly, marcaram época.
Carismático, grande artista no palco, Sérgio transcendia sua boa imagem. Legitimou sua magestade ao ser eleito por voto direto, em 61, "Rei Do Rock No Brasil".

Celly (Célia) Campello: A rainha do rock!
Uma vez Celly disse: "Fui a imagem do que as meninas queriam ser, usava as roupas que elas queriam usar." "Se eu fosse mais esperta, teria me transformado na Xuxa dos anos 60." Se ela se tornaria a Xuxa não sei... mas quase virou apresentadora junto com o Roberto Carlos, em vez da Wanderléia, no programa da record, a Jovem Guarda. A moça só não foi porque já tinha abandonado a carreira artistica, por causa de seu
casamento (já com dois filhos) e porque que só aceitaria o contrato por quatro meses.
Claro, que não podemos falar de Celly sem falar de seu irmão Tony Campello, que começou antes dela e já tocavam em bailes, isto em 1955.
Mas seu primeiro registro foi em 58, e em 59 gravou um de seus maiores sucessos: "Estúpido Cupido" Daí pra frente, os irmãos Campello passam a comandar o programa "Crush em Hi-Fi" na Record, que foi o primeiro programa de rock em São Paulo. Celly vira então, mania nacional, e é chamada de "a namoradinha do Brasil", antes mesmo da atriz Regina Duarte. Em 1961, ele e Sérgio Murilo juntamente recebem o título de Rei e Rainha do Rock, pela primeira revista de rock feita no Brasil:
"Revista do Rock"
Celly desapareceu do cenário gradativamente e só retornou a mídia com o sucesso da novela de 76 "Estúpido Cupido", onde atuou em alguns capítulos, fazendo papel de si mesma.

Meros desconhecidos
É importante lembrar da importância de Sônia Delfino e Baby Santiago: Sônia Delfino, foi nossa "princesa do rock, e só não foi rainha por falta de sorte ou porque saiu de cena antes de Celly. Sônia tinha até mais voz que Celly. Chegou a gravar três lls, apresentou o programa "Alô Brotos" na TV Tupi ao lado de Sérgio Murilo. Depois deste breve tempo de sucesso ela caiu na obscuridade.
Já Baby Santiago, foi uma espécie de Chuck Berry brasileiro. Não apenas porque era negro, mas pelas composições bem humoradas como "A Bruxa"e "Rock do Saci". Composição dos bons, ainda escrevia algumas letras para Tony Campello e Sérgio Murilo.