quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O mundo, uma ilusão?


Quando eu era criança achava este mundo tão real quando os sonhos que eu tinha. Ainda acho meus sonhos reais; não são ilusões criadas pela mente. Tudo bem, muita gente pensa assim, e por pensarem assim, acreditam que esta vida aqui; em que passamos conscientes (pelo menos achamos que é consciente) não passa de um sonho.
Mas não é bem isto que quero falar... No início da minha adolescência quando comecei a ler sobre filosofia oriental – mais especificamente hindu – descobri que os ocidentais que estudavam o hinduísmo e os “gurus” que vinham para cá com a intenção de ganhar fama e dinheiro (não todos, refiro aos Rajneeshs da vida) diziam que esta vida não passa de uma ilusão.
Eu nunca questionei isto, aceitava sem pensar muito, só que de uns tempos para cá, isto começou a encher o saco, vi que todo mundo estava usando isto para justificar suas indiferenças para com os pobres; ou para usar como desculpas para buscar um paraíso ou salvação - já que aqui é tudo ilusão. E o pior, como justificativa para não lutar pela vida, para não lutar pelo progresso.
O estranho que estes mesmos que afirmam que esta vida aqui é ilusão, ao mesmo tempo dizem que Deus é Uno – mas parece que a matéria está fora desta unidade – há um paradoxo aí. Se Deus é Unidade, que não há nada separado Dele (diz a filosofia Hindu), então porque negamos a vida? Negamos a matéria? Segundo o mentalismo (filosofia muito em moda nos anos 50) este mundo é ilusão porque ele é uma criação da nossa mente. Isto não pode ser verdade, porque a matéria já existia neste universo antes da raça humana aparecer. Então como pode ter sido o homem o criador deste universo-matéria? Dizia Sri Aurobindo: “Não somente o espírito é uno, mas a mente, a vida e a matéria são uma só coisa”.
De todas as justificativas dadas de que esta vida é uma ilusão é quando utilizam a palavra que veio do sânscrito maya, que dizem significar ilusão. Se isto é verdade, então o Veda está errado. Porque a mesma filosofia vedanta que diz que Deus é Uno diz que este mundo material é ilusão. Contraditório. Não acredito que os antigos Rihis eram contraditórios. Ou será que os livros védicos foram tão distorcidos quanto a Bíblia? Creio que não. Segundo Sri Aurobindo “o significado Védico de Maya não é ilusão, é sabedoria, conhecimento, capacidade, vasta extensão em consciência, prajana prasrta purani. Sabemos que antes de Sri Aurobindo ser o grande filosofo e mestre indiano, ele era um acadêmico, conhecedor de oito idiomas e formado na Inglaterra em Letras Clássicas. Isto deve ser levado em conta, pois o homem era uma autoridade nesta área.
Se for Deus que criou este mundo de ilusão, gostaria de saber para quer? Para nós iludir? Se for isto, Ele é um tremendo sacana (coisa que não acredito óbvio). Mas tudo não é Deus? Ahh mas dizem, “é porque Deus se dividiu em muitos e criou-se a ilusão da separatividade”. Se ele se dividiu em muitos, creio que dividir não tem o mesmo significado de iludir: é só consultar um bom dicionário. Quanto à ilusão da separatividade só pode ter sido criado por nós e não por Deus. Então, este mundo não é uma ilusão, é o ego (não o individuo, que é diferente) que vive se enganando e até gosta disto, para justificar a vida. O ego cria uma visão distorcida da vida, do mundo, eis a verdadeira ilusão. Assim, preferimos colocar a culpa no Divino dizendo que “tudo é ilusão” só porque nós não queremos reconhecer que nós que nos iludimos. Dizer que a vida, a matéria é ilusão é fuga. “São nossa interpretação errônea do mundo através do egoísmo mental que é uma falsidade e é nossa relação errônea com Deus no mundo que é uma miséria. Não há outra falsidade e nenhuma outra causa de sofrimento” (Sri Aurobindo).
Deus está por trás da criação, então nada é ilusão. A consciência não pode evoluir se não existe a perfeição oculta dentro dela, como a semente não pode se tornar árvore se a árvore não estiver oculta na semente. “O mundo é um movimento de Deus em Seu próprio ser” (Sri Aurobindo).

domingo, 18 de novembro de 2007

Nina




O filme mostra como a vida hostil em grandes metrópoles pode nos afetar em nossa estabilidade emocional. Sensível e pobre, Nina mergulha em sua subjetividade, deparando-se com um subconsciente caregado, que extravasa através de seus desenhos. Em meio a estes conflitos psicológicos, cheios de subterfúgios inconscientes, que o filme nos remete a Dostoievski, em que a dualidade bem e mal é quebrada, revelando aspectos sombrios da personalidade humana.

Direção: Heitor Dhalia. Brasil, 2004.

São Paulo que atrai sonhos e devolve desilusões. Sua grandiosidade é seu mistério e seu desespero. Ao mesmo tempo em que nos deixa frenéticos nos deixa apáticos ao mundo que nos cerca.

São Paulo fabrica Ninas: com seus olhos inquietos e passos relutantes que vagueiam pelos cantos e mergulham em suas sombras existenciais em busca de vestígios de vida.