sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Tom Waits – Heartattack and Vine (1980)


Sou fã de Tom Waits desde da época de seu mais popular álbum: Rain Dogs de 1985, mas foi com este disco que sua música de beatnick bêbado me conquistou de vez. Era o seu sétimo álbum, que foi recebido com reservas pelos fãs, uma vez que - fato inédito em sua carreira - Waits ousava explorar mais intensamente o universo da música elétrica (havia começado timidamente em “Blue Valentine” em 78). As inovações incluíam o uso de fuzz nas guitarras e a performance do genial baixista Larry Taylor (ex-Canned Heat e John Mayall)
O álbum contém algumas baladas tristes de piano que o tornaram famoso como “on the Nickel” e “Ruby´s Arms”. A música que dá nome ao disco – e que contém dois versos clássicos de Tom Waits, “O demônio não existe/É apenas deus quando está bêbado”. “Jersey Girl” ficou famoso nas mãos de Bruce Springsteen, trazendo um público mais amplo do que Waits jamais conheceria.
Heartattack and Vine não passou do 96% lugar da Billborard, e Waits perdeu o seu contrato, mas não a inspiração. Este foi o último disco de sua primeira fase de sua carreira até vir o próximo Swordfishtrombones de 1983, trazendo um estilo cabaré dark e transloucado.
Não precisa falar muito de Tom Waits, ainda mais quando ouvimos canções como "On the Nickel" e 'Buby´s Arms" , em que fica bem claro como sua voz rouca cai bem nestas canções, voz que ele conquistou na marra.

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terça-feira, 18 de dezembro de 2007

The Killers - Sam's Town (2006)


Confesso que a primeira impressão do segundo cd do The Killers não tinha me agradado na primeiro audição. Agora, acho que ele é até melhor do o primeiro Hot Fuss – que adorei. O que eu acho legal nestas bandas da “nova geração” como Franz Ferdinand e The Killers é que fazem algo bem diferente das mil cópias do Coldplay.
Usando a mesma fórmula: teclados contagiantes, baterias explosivas, refrãos fáceis, riffs arrogantes e Brandon Flowers ainda é o cara. Se no primeiro tínhamos “Mr. Brigtside” e “Somebody Told Me” neste temos “Read My Mind” e “When You Were Young” que já nasceram clássicas e não vou esquecer nunca.
Nem consigo achar música ruim aqui: “Bling”, “Sam´s Town”, demais.O disco só peca pela sua capa ridícula. A crítica de hoje pode falar mal, mas como nunca sabemos o que a juventude futura acolherá como um dos grandes albuns de uma época, é provavel que um dia será reconhecido como tal.


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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A Morte


Na nossa educação – ocidental principalmente – aprendemos a lidar com muitas coisas, segundo um plano pré-ordenado. Passamos à infância e a juventude sendo educados, ou melhor, aquilo que na nossa cultura capitalista e judaico-cristã impõe para nós como verdades. Achamos então um emprego e encontramos alguém com quem nos casamos e temos filhos. Compramos uma casa, tentamos ser bem-sucedidos em nosso negócio e lutamos por sonhos como os de possuir uma casa de campo ou um segundo carro. Saímos de férias com os amigos. Planejamos nossa aposentadoria. Os maiores dilemas com que muitos de nós nos defrontamos são onde vamos passar o próximo feriado ou quem convidaremos para o Natal. Nossas vidas são monótonas, insignificantes e repetitivas, desperdiçadas em busca de banalidades, porque parece que não conhecemos nada melhor.
Mesmo com várias religiões dando explicações sobre a morte, com seus dogmas às vezes infantis, a dúvida, o medo e perda que este nome carrega, fala mais forte dentro de nós. Isto quer dizer que a maior parte do mundo vive negando a morte ou aterrorizada por ela. E para muitos é um tabu! Quando o assunto é morte, ouvimos logo protestos como este: “Pode parar! Com este papo ruim, mórbido, eu quero falar de coisas boas e não de coisas fúnebres”. Se até o assunto é negado, imagina quando a própria morte bate a porta da sua existência? Damos demais importância para nós mesmo; e jamais admitiremos que a morte seja maior do que nossos valores transitórios. Às vezes, somente temos certa abertura, quando perdemos um parente próximo; mas como toda dor passar – e as alegrias também - afinal, “a vida continua...”, voltamos a nossa atenção para este mundo transitório. Poucas pessoas aproveitam a dor da perda para dar um salto mais alto de consciência. Cabe lembrar, que morremos todas as noites, quando dormimos e perdemos temporariamente a consciência ordinária para o mundo onírico. Devíamos pensar todas as noites antes de dormir, sobre quem é este “eu” que sonha, quando o corpo fica deitado, e que a morte pode ser algo que dê continuidade a vida além do corpo. Deveríamos perguntar sempre: “E se eu morrer agora, neste exato momento?”
O mundo nos entretém tanto, que não paramos nem para pensar o que é a vida. Se não sabemos o que é a vida, a morte, muito menos ainda. Mas estes questionamentos não são interessantes para nosso mundo pragmático. Como também se diz por aí: “quando eu morrer eu fico sabendo o que é a morte”. Preferíamos refugiarmos e acreditarmos numa identidade pessoal única e separada, mas se ousarmos examiná-la descobrirá que essa identidade depende inteiramente de uma série infindável de coisas que a sustentam: nosso nome, nossa “biografia”, nossos companheiros, família, lar, emprego, amigos, cartões de crédito... É nesse suporte provisório e frágil que apoiamos nossa segurança. Assim, quando isso tudo nos é retirado, será que sabemos de fato quem somos? Mas a morte é muito mais poderosa do que qualquer ego exaltado, destrói qualquer ilusão de si mesmo e nos expulsa do nosso abrigo seguro. Abrigo mantido por uma sociedade, que prega em suas publicidades adorar a “vida”, que fala sem parar sobre fazer as pessoas “felizes”, mas te impele a nunca olhar para dentro de si. Talvez somente aqueles que compreendem como a vida é frágil saibam o quanto ela é preciosa.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Quem precisa de hierarquias?


Nossa sociedade é baseada em hierarquias, seja de poderes civis, eclesiásticos ou militares, concordamos com isto, pois acreditamos que sem hierarquia o mundo torna-se uma bagunça. Mas pode existir liberdade onde existe hierarquia? Hierarquia é demonstração de poder; poder sobre os outros. Toda Hierarquia gera desigualdades, revolta e oculta - às vezes explicita - o sentimento de superioridade. Hierarquia cria desigualdades.
Defendemos a hierarquia porque gostamos e amamos o poder. De uma forma direta ou não, o poder nos satisfaz, sentimos nosso ego valorizado e camuflamos nossa baixa-estima através dele. Costumamos tanto com hierarquias que acreditamos até em uma hierarquia Divina, onde “Deus, Todo Poderoso” controla tudo e todos, pois “temos que obedecer-lhe”. Isto é fruto da crença em um deus antropomórfico.
Não precisamos de hierarquias para ter respeito à “Deus”, governo, entidades espirituais, pais, professores etc. Porque o respeito vem é da admiração e não da imposição, poder e subordinação. O homem ama o poder, por isto cria hierarquias; leis e mais leis para os outros cumprirem e não seus criadores e mantedores das leis.
Observe uma pessoa que você admira e verá que você fará o possível por ela independente da posição hierárquica que ela ocupa em sua vida ou sociedade. Lembro que quando meu pai teve um princípio de derrame e perdeu alguns movimentos temporariamente, me pediu para pagar uma conta pra ele no banco. Ele mesmo mal conseguindo ficar em pé, tentava trabalhar, serrando umas tábuas com muita dificuldade. Tive um sentimento enorme de admiração por ele e fui ao banco – sem se preocupar com filas, calor e trânsito – eu só queria fazer a vontade de quem eu admirava muito. Isto mostra que obedecer, cumprir deveres, amar, é independente de hierarquias. Hierarquia pelo contrário, faz você muitas vezes, fingir, ser superficial, interesseiro e muitas vezes obedecer por fora, e por dentro cheio de ódio.
Acredito que um dia, veremos que não precisaremos de hierarquias nem de Leis. Viveremos de acordo com as “leis” internas, em que o amor dentro de nós ditará as “leis”; não haverá hierarquias pra dizer o que é certo, porque agiremos de tal forma, que nunca passará em nossos corações o desejo de prejudicar, tirar vantagem ou ser superior aos outros. Nem alguém que se sinta em um patamar superior de evolução, porque evolução cria o sentimento de igualdade e não de superioridade.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Scott Walker - 4 (1969)

Scott Walker pode não ser um músico conhecido, mas sua música ganhou créditos em pessoas como David Bowie, Mark Almond e Nick Cave. Sujeito que nunca quis ser o centro das atenções – que nem um certo Damien Rice – por isto saiu de sua banda Walker Brothers, em 1967. Foi em seu quarto disco, que Scott chegou ao seu ápice criativo e também que se iniciou seu esquecimento gradativo. “Scott 4” foi o primeiro a trazer apenas músicas escritas por ele. A faixa de abertura, “The Seventh Seal”, mistura as texturas orquestrais inspiradas em Ennio Morricone com a narrativa baseada no filme “O Sétimo Selo", de Ingmar Bergman, o diretor preferido de Walker, um apreciador da cultura européia. Em “The Old Man´s Back Again” e “Hero of the War” sua veia politizada entra em ação: na primeira uma advertência contra o espectro do stalinismo no bloco oriental e a segunda faz uma paródia cínica e inteligente do crescimento do militarismo. “Duchess” e tem uma melodia e vocal parecidíssimo com Nick Cave. “Boy Child” é uma reflexão sobre a inocência, escorada num arranjo de arrepiar. “The World´s Strongest Man” eu já nem tenho mais palavras, apenas lágrimas para um disco tão lindo. Sublime!

Link para baixar o album
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Shelagh Mcdonald - The Album (1970)


É interessante como em alguns casos as drogas acabam com uma carreira. Neste caso a cantora escocesa Shelagh Mcdonald se deu mal. Depois de ter gravado dois álbuns: “Álbum” (1970) e “Stargazer” (1971), em que a imprensa chegou a compará-la a Sandy Denny e Jony Mitchell, ela simplesmente desapareceu quando gravava seu terceiro disco, sem aviso.
Depois de mais de trinta anos, em 2005, quando seus discos foram reeditados, reacende-se a discussão sobre o paradeiro de McDonald: ao ler num dos muitos artigos sobre si publicados, quando seus pais já não eram vivos, Shelagh McDonald interrompe o seu isolamento da vida pública e concede uma entrevista ao Scotish Daily Mail. Nela revela que uma horrífica experiência com LSD, de conseqüências nefastas para a sua voz, a levou a tomar a decisão súbita de desaparecer da vida pública.
Na entrevista ela diz: “ Tudo mundo naquela época estava tomando LSD. Mas em abril de 1972, eu peguei uma trip que virou meu mundo de cabeça para baixo. Três semanas mais tarde eu ainda estava alucinada. Não era o tipo de alucinação multicolorida, que você normalmente consegue com LSD – isto era horroroso. Eu caminhava em torno das lojas e olhava para as pessoas que não tinha olhos, nem rostos, eram só uma forma branca.”
O que fica mesmo é a música: Shelagh McDonald com suas singelas folk songs bem ao estilo da época.

Estou disponibilizando seu primeiro álbum para quem quiser baixar.
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domingo, 2 de dezembro de 2007

Lavender Diamond - Imagine our Love


Este é o primeiro CD do Lavender Diamond, antes eles tinham lançado o maravilhoso EP "The Cavalry of Light", que estou incluindo no download para quem quiser baixar. Eles são da Califórnia, Los Angeles, fazem um pop indie com influência de sunshine pop, um pouco de country, e até momentos jazzísticos como em “Garden Rose” que lembra Julee Cruise e o lado country a esquecida banda Tarnation. “Open Your Heart” e "Oh No" é aquelas músicas que você ouve, gruda em seus ouvidos e dá vontade de sair assobiando por ai, e te marcam para sempre. Também traz baladas lindas como “Dance Until It´s Tomorrow” e “Bring Me a Song”. A banda é formada por Becky Stark, Steve Gregoropoulos, Ron Rege Jr. e Jeffrey Rosenberg. A vocalista Becky Stark é o grande charme da banda, que começou cantando em igreja e estudou canto clássico.
Fiquei fã mesmo da banda, eles já eram maravilhosos no EP “The Cavlry of Light” com músicas como “Please” e “In Heaven There is No Heat”. “Imagine our Love” já é um dos melhores álbuns de 2007.



Link
http://rapidshare.com/files/73773495/Imagine_our_Love-Lavender_Diamond.rar.html

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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O mundo, uma ilusão?


Quando eu era criança achava este mundo tão real quando os sonhos que eu tinha. Ainda acho meus sonhos reais; não são ilusões criadas pela mente. Tudo bem, muita gente pensa assim, e por pensarem assim, acreditam que esta vida aqui; em que passamos conscientes (pelo menos achamos que é consciente) não passa de um sonho.
Mas não é bem isto que quero falar... No início da minha adolescência quando comecei a ler sobre filosofia oriental – mais especificamente hindu – descobri que os ocidentais que estudavam o hinduísmo e os “gurus” que vinham para cá com a intenção de ganhar fama e dinheiro (não todos, refiro aos Rajneeshs da vida) diziam que esta vida não passa de uma ilusão.
Eu nunca questionei isto, aceitava sem pensar muito, só que de uns tempos para cá, isto começou a encher o saco, vi que todo mundo estava usando isto para justificar suas indiferenças para com os pobres; ou para usar como desculpas para buscar um paraíso ou salvação - já que aqui é tudo ilusão. E o pior, como justificativa para não lutar pela vida, para não lutar pelo progresso.
O estranho que estes mesmos que afirmam que esta vida aqui é ilusão, ao mesmo tempo dizem que Deus é Uno – mas parece que a matéria está fora desta unidade – há um paradoxo aí. Se Deus é Unidade, que não há nada separado Dele (diz a filosofia Hindu), então porque negamos a vida? Negamos a matéria? Segundo o mentalismo (filosofia muito em moda nos anos 50) este mundo é ilusão porque ele é uma criação da nossa mente. Isto não pode ser verdade, porque a matéria já existia neste universo antes da raça humana aparecer. Então como pode ter sido o homem o criador deste universo-matéria? Dizia Sri Aurobindo: “Não somente o espírito é uno, mas a mente, a vida e a matéria são uma só coisa”.
De todas as justificativas dadas de que esta vida é uma ilusão é quando utilizam a palavra que veio do sânscrito maya, que dizem significar ilusão. Se isto é verdade, então o Veda está errado. Porque a mesma filosofia vedanta que diz que Deus é Uno diz que este mundo material é ilusão. Contraditório. Não acredito que os antigos Rihis eram contraditórios. Ou será que os livros védicos foram tão distorcidos quanto a Bíblia? Creio que não. Segundo Sri Aurobindo “o significado Védico de Maya não é ilusão, é sabedoria, conhecimento, capacidade, vasta extensão em consciência, prajana prasrta purani. Sabemos que antes de Sri Aurobindo ser o grande filosofo e mestre indiano, ele era um acadêmico, conhecedor de oito idiomas e formado na Inglaterra em Letras Clássicas. Isto deve ser levado em conta, pois o homem era uma autoridade nesta área.
Se for Deus que criou este mundo de ilusão, gostaria de saber para quer? Para nós iludir? Se for isto, Ele é um tremendo sacana (coisa que não acredito óbvio). Mas tudo não é Deus? Ahh mas dizem, “é porque Deus se dividiu em muitos e criou-se a ilusão da separatividade”. Se ele se dividiu em muitos, creio que dividir não tem o mesmo significado de iludir: é só consultar um bom dicionário. Quanto à ilusão da separatividade só pode ter sido criado por nós e não por Deus. Então, este mundo não é uma ilusão, é o ego (não o individuo, que é diferente) que vive se enganando e até gosta disto, para justificar a vida. O ego cria uma visão distorcida da vida, do mundo, eis a verdadeira ilusão. Assim, preferimos colocar a culpa no Divino dizendo que “tudo é ilusão” só porque nós não queremos reconhecer que nós que nos iludimos. Dizer que a vida, a matéria é ilusão é fuga. “São nossa interpretação errônea do mundo através do egoísmo mental que é uma falsidade e é nossa relação errônea com Deus no mundo que é uma miséria. Não há outra falsidade e nenhuma outra causa de sofrimento” (Sri Aurobindo).
Deus está por trás da criação, então nada é ilusão. A consciência não pode evoluir se não existe a perfeição oculta dentro dela, como a semente não pode se tornar árvore se a árvore não estiver oculta na semente. “O mundo é um movimento de Deus em Seu próprio ser” (Sri Aurobindo).

domingo, 18 de novembro de 2007

Nina




O filme mostra como a vida hostil em grandes metrópoles pode nos afetar em nossa estabilidade emocional. Sensível e pobre, Nina mergulha em sua subjetividade, deparando-se com um subconsciente caregado, que extravasa através de seus desenhos. Em meio a estes conflitos psicológicos, cheios de subterfúgios inconscientes, que o filme nos remete a Dostoievski, em que a dualidade bem e mal é quebrada, revelando aspectos sombrios da personalidade humana.

Direção: Heitor Dhalia. Brasil, 2004.

São Paulo que atrai sonhos e devolve desilusões. Sua grandiosidade é seu mistério e seu desespero. Ao mesmo tempo em que nos deixa frenéticos nos deixa apáticos ao mundo que nos cerca.

São Paulo fabrica Ninas: com seus olhos inquietos e passos relutantes que vagueiam pelos cantos e mergulham em suas sombras existenciais em busca de vestígios de vida.