quarta-feira, 14 de março de 2012

Enquanto a música me permitir sonhar

A cada dia a música fica mais barulhenta, independente do estilo, colocam mais efeitos, overdubs nas canções que chegam a ser maçantes. Depois de invenções como dubstep e brostep a coisa piorou. O funk, o reggae, o pop, a música “sertaneja”, o rock estão cada dia mais barulhentos. Foi-se o tempo que música descansava os ouvidos.

Com os poderosíssimos estúdios de gravação de hoje, mais sons diferente colocam em uma música, fora ruídos e efeitos que mais atrapalham do que ajudam, simplesmente com a intenção de soarem “moderninhos” e “inovadores”. Se antigamente usava-se 8 canais, hoje se usa mais de 100 canais. Ouvir música está deixando as pessoas cansadas - e em alguns casos, loucas.

Veja esta bosta logo abaixo. Perceba como a “música” deixa as pessoas com cara de retardadas:



Aí acontece que fui ouvir o disco Randy Burns (o segundo dele), Evening of the Magician, de 1968. Cantor da cena folk de Greenwich Village que havia lançado alguns discos e desparecera da cena, como todos outros de sua época.

O que se ouve em Evening of the Magician dá para perceber que é aquele tipo de música que você podia sentar debaixo de uma árvore e viajar ao som da canção, sentindo cada nota. Música era sinônimo de sonhar!

Ouvi o disco todo, e ele me fez pensar na vida, no passado, no presente e um possível futuro. Música, a arte de fazer os sons tocarem o fundo do nosso ser. Mas, infelizmente, música é vista como entretenimento hoje. Basta você dar um passeio pelo mundo virtual e verá que para acessar informações sobre música você tem que clicar no link “entretenimento”. Ou seja, música não é vista mais como coisa séria. Aliás, o vídeo do Skrillex já deixou bem claro isso.

Eu quero ouvir música que me permita sonhar e que me faça sentir a vida cada vez mais, profundamente, dentro e fora de mim.

sábado, 10 de março de 2012

Alan Sorrenti


Ele começou sua carreira no início dos anos setenta com álbuns mais próximo do rock progressivo e sons experimentais, nos quais podemos encontrar influência de Tim Buckley (principalmente do LP “Lorca”), Van Der Graaf Generator e Shawn Phillips, enquanto sua voz lembrava bastante Peter Hammill.

A influência de Van Der Graaf Generator e Tim Buckley sempre foi assumida, tanto que ele convidou David Jackson (VDGG) para tocar flauta em seu segundo disco, Come un vecchio incensiere all'alba di un villaggio deserto.

Alan Sorrenti nasceu em Nápolis, mas viveu boa parte de sua infância no País de Gales. Sua obra é quase toda cantada em italiano. Aria (1972), seu primeiro álbum é considerado uma obra-prima do gênero folk-progressivo. Trabalho envolvente, com uma atmosfera que envolve o ouvinte imediatamente, principalmente pela sua incrível voz. Ele faria mais algum álbum nesta linha e com a aceitação da cena rock-progressivo italiano, fez com que ele abrisse muitos shows de bandas do Reino Unido do estilo.

O exótico primeiro LP, Aria, de 1972
Em 1976, seu estilo musical muda bastante. Passa a seguir um estilo mais pop, levando-o a grande sucesso comercial. As rápidas mudanças para o pop italiano e, como são evidentes a partir de relatos da época, ocorreram devido a problemas de voz que o impediam de fazer algumas alterações, especialmente ao vivo, o que o fez mudar de rumo.

Sorrenti sumiria praticamente nos anos 1980, devido a desagradáveis envolvimento com posse e tráfico de drogas, o que culminou em sua prisão. Na verdade, a história do tráfico foi um exagero. Mas não vou entrar aqui nesta história mal explicada.

Alan Sorrenti voltaria nos anos 90, mas como cantor romântico. Mas sua reaparição pública se deu em 1988, no festival de Sanremo. Seu álbum mais conhecido é Radici, de 1999. Ele continua com sua carreira musical e é até bastante popular na Itália. No entanto, seus primeiros trabalhos foram o suficiente para deixar sua marca.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Björk – Gudmundsdóttir (1977)


O primeiro álbum da cantora islandesa Bjork não é aquele que ela lançou logo após sair do The Sugarcubes, Debut (1993). Sua primeira gravação em vinil acontecera em 1977 quando ela tinha apenas 11 anos. Gudmundsdóttir vendeu sete mil exemplares, o que era o suficiente para ganhar disco de platina em sua terra natal.

Em um pequeno estúdio em Reikjavik, Bjork registrou Gudmundsdóttir. Álbum repleto de canções tradicionais islandesas, incluindo uma curiosa versão de Fool On The Hill dos Beatles, que torna-se Alfur Út Ur Hol – creio que seja a primeira gravação de uma música deles em islandês. Se faz presente também a cover para Your Kiss Is Sweet” de Stevie Wonder.

Bjork canta desde os 5 anos e sempre era acompanhada do padrasto, um cantor de rock apaixonado por Jimi Hendrix, Janis Joplin e Deep Purple. Seus pais haviam se divorciados antes dela completar seu segundo aniversário e cresceu em uma comunidade hippie com sua mãe e mais sete irmãos.


Antes de ganhar fama fora da Islândia com o Sugarcubes, e com o sucesso de seu primeiro álbum, ela passaria a adolescência cantando em várias bandas e experimentando vários tipos de música, do jazz ao punk rock: Exudos, Jam 80, Tappi Tikarrass, Theyr e Kukl – esta última chegou a excursionar pela Europa e lançou dois álbuns - o Gudmundar Ingólfssonar Trio também ficou bastante popular na Islândia e lançou o LP “Miranda”.

Veja o vídeo com Björk cantando Beatles




Aqui em 1976 cantando “I Love to Love”, antigo sucesso Disco da cantora Tina Charles

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Black Sabbath - Sabbath Bloody Sabbath (1973)


Sim, este é um disco do Black Sabbath em sua formação clássica. Mas não espere o som heavy rock dos álbuns anteriores – na verdade Sabbath Bloody Sabbath tem muito pouco de heavy metal e muito de rock progressivo.

Aqui, não se ouve riffs pesadíssimos e solos chapantes. Claro que os riffs típicos de mestre Iommi estão lá e a canção que dá nome ao álbum é um bom exemplo, como também A National Acrobat e Sabbra Cadabra. Mesmo assim o peso é bem moderado e as mudanças de andamento (aliás, maravilhosas) são constantes, misturando dois estilos, muitas vezes, em uma mesma música.

Arte da contracapa
Sabbath Bloody Sabbath é o quinto álbum da banda e foi gravado em 1973 no Castelo Clearwell, que ficava na Floresta de Dean, Inglaterra. Mas o que eles não sabiam é que o lugar era mal assombrado. Lá, os quatro viram vulto de um fantasma andando pelo castelo, no entanto, não encontrava ninguém.

Mas o fato mais estranho foi um livro de poesia celta de cerca de 400 anos que Ozzy havia dado de presente a Geezer que desaparecera misteriosamente. Conta-se que Geezer após guardá-lo em uma estante, foi surpreendido por um enigmática gato preto parado na janela, que depois de encará-lo saiu furtivamente. Infelizmente ao procurar o livro, ele já não estava mais lá. Nunca mais foi encontrado, para a tristeza do baixista.

Voltando ao álbum, ele é repleto de sintetizadores e piano, cortesia de Rick Wakeman, aqui disfarçado como Spock Wall, por motivos contratuais. Iommi também toca teclado na bela Fluff. A soturna Spiral Architect é outro destaque com seu arranjo pra lá de esquisito. Mas as faixas que ficaram famosas é Sabbath Bloody Sabbath e Killing Yourself to Live ainda presentes em shows até hoje (isso quando a banda volta-se a reunir). As outras canções ficaram meio que esquecidas, portanto, raramente ganharam versões ao vivo, afinal era cheias de cordas e passagens orquestrais.

Este é o trabalho mais bem arranjado e melodioso do Black Sabbath, o que levou a receber os primeiros elogios da crítica especializada da época e para alguns é até o melhor álbum da banda.

Só mais uma coisa: Ozzy Osbourne nunca foi um grande vocalista e sua voz injuriada também nunca foi lá grande coisa, mas ninguém pode negar que seu vocal combinou perfeitamente da banda.

Com a música Sabbath Bloody Sabbath, a banda ganhou seu primeiro videoclipe – não considero aqueles feitos tocando ao vivo com imagens psicodélicas ao fundo. Veja a baixo:

sábado, 18 de fevereiro de 2012

The Waterboys - Karma to Burn (2005)

Não sou um grande fã de álbuns ao vivo, mas este Karma to Burn do The Waterboys é maravilhoso. São treze temas extraídos da turnê realizada entre 2003 e 2004 pela Irlanda e Inglaterra. É o primeiro álbum ao vivo oficial da banda, embora exista um bootleg semi-oficial datado de 1998, mas com gravações de 1986. Claro, não chega a ter a qualidade sonora de Karma to Burn.

A carreira do Waterboys remota a 1981 e deixou para posteridade pelo menos dois clássicos, This is the Sea (1985) e Fisherman´s Blues (1988). A partir de meados dos anos 90 a discografia se tornou um pouco mais esparsa, mas a qualidade se manteve intacta tendo sempre à frente Mike Scott.

Desta vez, a banda é um quinteto. A seção rítmica é formada por Steve Walters (baixo), Carlos Hércules (bateria), Richard Naiff (teclados), Steve Wickham (violino) e, claro, Mike Scott com sua impecável voz e guitarra.

Canções de todas as fases da banda, incluindo músicas dos dois álbuns solo de Scott. Obviamente, não poderiam faltar os clássicos, com destaque para a potência de O Pan Within (mais de treze minutos!), que aqui ganhou uma versão mais roqueira. Temos Fisherman's Blues e a inesquecível The Whole Of The Moon.

Wickham também tem o seu momento de glória em The Return Of Jimi Hendrix e incluiu duas covers, A Song For The Live, com a adição do ex-Waterboys Sharon Shannon, no acordeão e Come Live With Me, que fecha acusticamente o álbum, totalizando mais de setenta e cinco minutos de muito prazer.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

The Horrors – Skying (2011)



Quando o The Horrors surgiu com o primeiro álbum, Strange House, em 2007, fazia uma música que era um verdadeiro caldeirão de Medeia de influências; era um som mais ácido, barulhento onde o psychobilly sobrepujava os demais elementos. Sei lá, aquelas guitarras e vocal gritado de Faris Badwan me lembrava o The Cramps.

No segundo trabalho, Primary Colours (2009), nota-se uma mudança enorme, para melhor! A banda ganha personalidade. O som trash de garage dá lugar a uma música mais elaborada: influências psicodélicas e de krautrock, shoegazer do final dos anos 80, levemente eletrônico e canções mais longas dão o tom.


Ano passado The Horrors lançou Skying, o terceiro álbum. Menos krautrock e shoegazer, dando mais espaço para as influências pós-punk de bandas como Echo & The Bunnymen, Simple Minds e The Psychedelic Furs, principalmente esta última. As guitarras foram para o segundo plano e os teclados tomaram conta das composições de vez; basta ouvir as primeiras faixas Changing the Rain e You Said.

O quinteto de Southend-on-Sea (uma cidade turística perto de Essex) mostrou que muda em cada disco. A voz de Faris está cada vez melhor, a guitarra de Josh Hayward flutua levemente nos tapetes sonoros do teclado de Tom Cowan, enquanto a cozinha de Rhys Webb e Joe Spurgeon mantém a seção rítmica bem ao estilo Stone Roses e Inspiral Carpets.

Desta vez o álbum foi produzido pela própria banda, o que foi bom para acabar com a bobagem de muitos pensarem que a mudança sonora que se deu a partir de Primary Colours foi devido à produção (a velha história de disco de produtor) de Geoff Barrows, célebre produtor do Portishead.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Entreat - a versão ao vivo de Disintegration do The Cure


Entreat é a versão ao vivo do álbum Disintegration do The Cure, gravado em Londres, na Wembley Arena; na verdade incluía apenas 8 músicas. Lançado oficialmente em março de 1991 (CD, vinil e fita cassete), registrava a Prayer Tour, um show inesquecível.

Em 2010 com o relançamento de Disintegration, aproveitaram para relançar também Entreat, desta vez com todas as músicas. Entreat em sua nova versão (edições limitadas em LP duplo) passou a se chamar Entreat Plus. A versão Deluxe Edition de Disintegration (em 3 CD´s) vem com o álbum de 1989, mais Entreat e um terceiro CD incluindo demos e outtakes.

Infelizmente quando Disintegration saiu em vinil, aqui no Brasil, não foram incluídas as canções Homesick e Last Dance; músicas as quais considero indispensáveis, principalmente Homesick - uma das músicas mais tristes que já ouvi na vida. O tema do álbum era sobre envelhecer, quando começamos a olhar com tristeza e saudade para o passado.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Jesus and Mary Chain - Psychocandy (1985)


Para uns, Psychocandy é um clássicos dos anos 80 que abriu caminho para várias bandas como My Blood Valentine, Chapterhouse, Loop e Spacemen 3, bem como definiu aquilo que ficou conhecido como shoegazer. Para outros, não passa de barulho em três acordes onde mal se pode ouvir a música, devido o “wall of sound” ensurdecedor de microfonia.

O álbum marca a estreia em vinil dos irmãos Reid – Jim e William – que mal haviam saído da adolescência, e contando com o reforço dos amigos Douglas Hart e Bobby Gillespie - o futuro Primal Scream escondido no mini-kit de bateria.

Antes, lançaram alguns singles irretocáveis, “Upside Down” e “Never Understand” – mas não se preocupe os singles dá época foram todos incluídos (mais b-sides e versões ao vivo) na versão deluxe, lançado em 2011.

Em meio à barulheira ácida podemos distinguir influência de surf music (Beach Boys, no caso), reverberações ecos de Suicide, Velvet Underground e a urgência punk do Buzzcoks. Entrementes, há espaço para baladas pop; é o caso de "Just Like Honey", "Cut Dead" e "Sowing Seeds", canções doces como mel.

Os escoceses amansariam sua música no álbum seguinte (“Os ruídos e a microfonia estavam destruindo o grupo. As pessoas só comentavam o barulho que fazíamos, ignorando nossas composições”, Jim Reid), Darklands, outra obra-prima.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Buddy Holly, o primeiro “nerd” do Rock´n´Roll


Charles Hardin Holley em Lubbock – com este nome um artista dificilmente faria sucesso à frente de uma banda de rock´n´roll. Se não bastasse, o visual de nerd também não ajudava muito. No entanto, ao passar a utilizar o apelido Buddy, cortar o “e” de Holley e estar à frente da banda Crickets (os Grilos) – que influenciaria a criação do nome The Beatles -, ele em apenas dois anos produziria um catálogo de canções que provocaria grande impacto nas gerações subseqüentes do rock.

Buddy Holly – como a maioria dos jovens antes do advento do Rock´n´Roll -, tinha o country como a maior influência e a figura de Hank Williams, um modelo a ser seguido. Mas Holly também estava ligado ao R&B e blues, que eram outros ingredientes na receita do rock´n´roll.

Nascido no Texas e cercado por uma família musical, aos cinco anos de idade já participava de programas do tipo “show de talentos”. Ao conhecer Bob Montgomerey em 1955, inicia a dupla Buddy and Bob Show, passando a se apresentar para o público local. Mas tudo mudaria ao conhecer Elvis Presley, quando abriu seus shows em Lubbock e se tonaria amigo do Rei.

No ano seguinte, já como Buddy Holly and the Crickets registra a canção “That´ll Be The Day”, no estúdio do produtor Norman Petty - música pinçada de seu antigo repertório country, numa releitura rock. Foi ela que atraiu a atenção! do selo nova-iorquino Coral/Brunswick, que logo a lançou. Não demorou para o compacto atingir os primeiros lugares das paradas.

Foi o início de uma extraordinária associação entre Holly, Petty (que também se tornou seu empresário e (co-autor da maioria das músicas, prática muito comum entre os produtores na época) e os músicos que integraram os Cricket sem suas diversas formações - os guitarristas Niki Sullivan e Tommy Allsup, os baixistas John B. Maudline Larry Welborn, e o pianista Glen Hardin, entre outros. Sob as batutas da dupla Holly/Petty foram desenvolvidas técnicas pioneiras não só no approach musical - como a simbiose do country com a batida pesada, herdada do r&b e o característico vocal hiccup ("soluçado") de Holly, estendendo-se de seu timbre normal até o falsete -, mas principalmente em termos de técnicas de gravação.

Foram os primeiros a utilizar overdubs em estúdio (a voz dobrada de Holly em "Words Of Love") e outros métodos pouco ortodoxos de gravação (as palhetadas de Holly em primeiro plano e o acompanhamento apenas de tom-tons feito por Allison em "Peggy Sue" ou este último "tocando" os próprios joelhos em "Everyday").

Holly se separaria dos Crickets e em 1958 começaria carreiro solo. Para promover sua nova fase aceitou entrar para a turnê Midwest Winter Dance Party, ao lado de Dion and The Belmonts, Richie Valens e Big Bopper. Viajavam de ônibus (nem sempre em boas condições) enfrentando condições climáticas baixas regidas por neve e gelo.

Em meio à turnê o ônibus chegou a quebrar, Holly desesperado por uma boa noite de sono, alugou um avião particular para a banda chegar até Morehead, Minnesota, o próximo local de show. Após uma disputa para quem iria de avião, tiraram a sorte no velho e bom método de cara ou coroa, Holly, Valens e J. P. Richardson (Big Booper), claro, junto ao piloto, decolaram com em 3 de fevereiro de 1959. Infelizmente, o avião foi encontrado espatifado em um anteparo contra a neve, a treze quilômetros do aeroporto.

O legado de Holly é enorme, ainda mais se levarmos em conta a sua curta carreira. Muitos grupos não apenas seguiram a formação de duas guitarras, baixo e bateria, como também reproduziram o clima das músicas.

Bob Dylan chegou a assistir um dos últimos shows de Holly, Paul McCartney adquiriu os direitos de edição de todo o catálogo do artista e a influência de Buddy Holly estender-se-ia até a New Wave. Elvis Costello que o diga.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

David Bowie - Space Oddity (1969)



Primeira edição sem o título
Space Oddity (Man of Words / Man of Music nos EUA) é o segundo LP de David Bowie, de 1969, no qual se percebe suas primeiras mutações visuais e musicais. Ele abandonava o estilo e visual mod e partia para algo mais próximo ao folk, rock progressivo e vestígios de psicodelia. Na verdade o disco é bem riponga; tanto que alguns críticos referem a essa fase como a “a fase hippie”.

O álbum sempre criou certa confusão, pois seu primeiro lançamento pela Philips trazia um foto facial de Bowie exposta em cima de uma obra do artista Victor Vasarely com manchas azuis e violeta sobre um fundo verde. A capa vinha apenas com o nome David Bowie.

Versão de 1972. Bem diferente do original
Quando o álbum foi relançado como Space Oddity em 1972 pela RCA, um retrato mais recente do período Ziggy Stardust foi exibido na capa. Para a reedição em CD de 1999 a capa original foi restaurado no Reino Unido, embora o novo título fosse adicionado sob o retrato para evitar mais confusão. A edição para o 40th Anniversary também usa a tampa original do Reino Unido, mas reverte para a tonalidade verde original e o título “David Bowie”.

Space Oddity, que abre o álbum, é um de seus maiores sucesso e uma de suas canções mais conhecidas. Inspirada em 2001, Uma Odisséia No Espaço, de Stanley Kubrick, é lançada no dia 11 de julho de 1969, nove dias antes de Neil Armstrong pisar na Lua, em single. A música foi um sucesso, chegando ao quinto lugar da parada britânica e primeiro lugar nos EUA; mas o disco foi um fracasso total.

Quem tem a compilação Love You Till Tuesday, que promovia o filme de mesmo nome, pode-se ouvir a primeira versão de Space oddity, bem mais rústica.
Versão com o título adicionado

O álbum não vive apenas da canção título, outras canções se destacam. Wild Eyed Boy from Freecloud, muito influenciada pelo budismo. Aliás, Bowie pensava seriamente em virar monge budista – sorte nossa ele desistir um mês antes de ter a sua cabeça raspada e fazer seus votos.

Memory of a Free Festival soa nostalgica, trata-se de uma reminiscência de um festival de artes que ele tinha organizado em 1969; também foi interpretada como um comentário irônico sobre a contracultura. O andamento lento e com um crescente coro no final a fez ser comparada a Hey Jude dos Beatles.

Unwashed and Somewhat Slightly Dazed mostra uma forte influência de Bob Dylan. Letter to Hermione é uma balada de despedida dedicado a ex-namorada de Bowie, Hermione farthingale.

Depois deste álbum Bowie lançaria The Man Who Sold the World, outro incrível trabalho, uma mescla de heavy metal com os solos chapantes de Mick Ronson e aparece de vestido na capa.



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Calenture (1987) – The Triffids


Os australianos, oriundos da cidadezinha australiana de Perth, do The Triffids neste quinto trabalho atingiram seu melhor momento. A banda no álbum anterior, Born Sandy Devotional (1986), já havia preparado terreno quando soube melhor moldar suas influências de folk, blues, art rock, pop e muito The Doors – em vários momentos baixa um Jim Morrison na voz do líder David McComb; o que fica óbvio em canções como Kelly´s Blues. Calenture também traz a maior concessão ao pop da banda, Holy Water.

O título do álbum, Calenture, significa um delírio tropical que acomete os marinheiros que passam muito tempo longe da terra firme, fazendo-os pular em alto-mar, imaginando que se trata de uma pradaria. Ele traduz perfeitamente o clima alucinatório que permeia as composições de David McComb.

Algumas canções com certo clima blues, cheias de tristeza palpável lembra outro australiano, Nick Cave, principalmente em sua fase The Good Soon. Mas são as baladas pungentes de Bury Me Deep in Love, Blinder by the Hour e What You Can que comprovam toda a beleza deste álbum.

A banda lançaria mais um álbum, The Black Swan, antes de se separar em 1989. McComb tentou estabelecer carreira solo, lançando Love of Will, de 1994. Infelizmente em uma viagem para Nova York, McComb ficou doente, rapidamente voltaria para a Austrália, sendo posteriormente colocado em uma lista de espera para transplantes de coração. Um doador foi descoberto em 1995, e McComb passou por uma operação bem sucedida.

Em 30 de janeiro de 1999, McComb foi hospitalizado após um acidente de carro, ele faleceu em 2 de fevereiro do mesmo ano, enquanto tentava se recuperar.



sábado, 31 de dezembro de 2011

Spirit of Eden (1988) - Talk Talk


Mundialmente conhecidos pelo hit It's My Life (ouça aqui) e a forçação de barra em categorizá-los como Oceanic Rock, o Talk Talk ao trilhar um novo caminho com Spirit of Eden, nunca mais conseguiu repetir o sucesso de seus trabalhos precedentes.

Se um dia foi chamado de clones do Duran Duran, seu quarto álbum avançaria na exploração de sonoridades acústicas, uma tendência que o álbum anterior - The Colour Spring - já deixava entrever. A audição nos revela basicamente uma longa suíte, na qual a intervenção do silêncio mostra-se tão fundamental quanto à dos próprios instrumentos.

Era o início de uma tendência jazzística – que os afastaria do universo pop -, texturas ambientes, sutilezas avant-garde,exploradas em uma complexidade e beleza delicada. I Believe In You um quase hit, apesar de seu formato mais pop, causa estranheza aos ouvidos que não têm paciência de prestar atenção em nada além do mainstream. Lamentável... A EMI logo findaria contrato com a banda, e só ouviríamos um novo álbum em 1991, pela Polydor, o derradeiro Laughing Stock.

Spirit of Eden, ignorado à época, hoje é considerado um percurso do pós-rock. O cantor e multi-instrumentista Mark Hollis, o baterista Lee Harris, o baixista Paul Webb e tecladista Simon Brenner eram excelentes músicos para ficarem restritos ao estilo synth pop do início de carreira.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Roberta Flack – First Take (1969)


Ela é conhecida por um dos maiores sucesso dos anos 70, a canção Killing Me Softly with His Song. Embora gravada por vários artistas ao longo dos anos - inclusive o Fugees -, foi com sua interpretação comovente que a música ficaria imortalizada em 1972.

Mas Roberta Flack vinha de uma longa história. Nascida a 10 de fevereiro de 1937, em Black Mountain, Carolina do Norte, cresceu como a maioria das crianças negras de sua época: cantando em coral de igreja. Mas foi seu amor ao piano a força condutora que a levou a se dedicar profissionalmente à música.

Adolescente talentosa, Roberta Flack tomou aulas de piano clássico e canto, enquanto seu excepcional desempenho acadêmico a levou a pular várias classes, tanto que teve, eventualmente, repetir um ano para não afetar o seu desenvolvimento. Aos 15 anos, entrou para a universidade de Howard, sendo a mais jovem estudante a se matricular nela, ao mesmo tempo em que tinha sua própria banda e tocava órgão na igreja.


Roberta Flack também foi a primeira aluna negra de Chevy Chas (Maryland), uma escola apenas para brancos. Ao se formar em música, quando começava seus estudos de pós-graduação, seu pai faleceu repentinamente, de modo que ela teve que passar a dar aulas de piano e inglês para a ajuda sua família.

Durante esse período, a carreira musical de Roberta Flack ganhou forma. Ela passa a acompanhar os cantores de ópera em um Clube de Washington, cantando o Blues durante os interlúdios. Em seguida, é notada pelo proprietário do clube 1520, onde começou a trabalhar duas noites por semana. Sua voz e sua abordagem única para clássicos modernistas lhe rendeu um público excepcional, entre os quais muitas vezes havia grandes nomes como Burt Bacharach , Woody Allen e Bill Cosby; convidava-os regularmente a compartilharem o palco com ela. No verão de 1968, Roberta fez teste para a gravadora Atlantic Records, famosa pelos seus artistas de soul e jazz (que incluía uma quantidade de artistas do porte de Ray Charles).


First Take, seu primeiro álbum, ainda não incluía Killing Me Softly With His Song, mas trazia canções envolventes, interpretações comoventes e seu primeiro sucesso The First Time Ever I Saw Your Face, composta por Ewan McColl – canção que se vingaria apenas em 1971 quando entrou para trilha sonora do filme Play Misty For Me, de Clint Eastwood.


Canções guiadas pelo seu piano e voz, que durante anos foi se aperfeiçoando nos clubes de Washington (onde foi descoberta), carregadas blues, soul e jazz fizeram com que músicas tradicionais como I Told Jesus cortasse nossos corações. Angelitos Negros e Our Ages or Our Hearts só um coração de pedra as deixariam passar despercebidas, enquanto Hey, That's No Way to Say Goodbye, consegue superar a própria versão origina de, Leonard Cohen. Para finalizar o álbum, não poderia ser de forma menos pungente, a linda Ballad of the Sad Young Men. A redenção está completa.

Tudo isso permeado com os arranjos singelos de cordas de William Fischer, dando ao álbum uma sensação majestosa de melancolia. Flack é acompanhada também pelo baixista Ron Carter , o baterista Ray Lucas, e o guitarrista John Pizzarelli.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

John Coltrane – Ascension (1965)


Esqueça aqueles seus discos revolucionários de rock experimental, os quais buscavam ir além da música por meio da cacofonia e livre improvisação – nas intervenções de saxophone (tocado por Steve Mckay) de forma ensandecida do segundo disco do The Stooges, Full House; White Light/White Heat do Velve Underground, principalmente na zoeira cacofônica da faixa Sister Ray; nas experimentações sonoras do Sonic Youth ou os japoneses malucos e suas enormes jams do coletivo Acid Mothers Temple e o movimento No Wave de Lydia Lunch – esqueça todos eles.

Tudo não passava de apenas um exercício de algo que já foi feito no final de 1965 e por um sujeito que nem era “rebelde do rock” e sim do jazz – ou seria antijazz? Refiro-me ao músico John Coltrane, que foi muito mais “rock´n´roll” do que qualquer outro desse meio. E pior: arriscou sua carreira que entrava no auge com o elogiadíssimo "A Love Supreme".

Os críticos suavam a camisa esforçando para classificar aquela “coisa nova” (New Thing), termo que começavam a ser usado para descrever o novo som de Coltrane e sua trupe – três tenores (Trane, Pharoah Sanders, Archie Shepp), dois altos (Marion Brown, John Tchiacai), dois trompetes (Freddie Hubbard, Dewey Johnson), dois contrabaixistas (Art Davis, Jimmy Garrison) e dois bateristas (J. C. Moses e Rashied Ali).

"Ascension" lançado nas últimas semanas de 1965 e consiste de todo mundo solando seus instrumentos por mais de quarenta minutos! (depois vem a parte II com 38 minutos.) Não houve muita explicação por parte de Trane (John Coltrane) durante as sessões de gravação o que os músicos deveriam toca; obtiveram apenas algumas orientações.

Se em "A Love Supreme", sem dúvida a obra-prima, Coltrane compôs uma oração aos Senhor, uma tentativa de elevar a Alma ao Divino, em "Ascension" simplesmente tentava derrubar o céu trazendo-o para baixo.


Antes de "Ascension", Trane já vinha experimentando novos sons. O crítico, e fã, Dave Liebman conta sobre um show no Philharmonic Hall no qual participaria vários músicos. Coltrane fecharia a noite:

“Coltrane entrou no palco segurando a mão de Alice (sua esposa) e acompanhado com quase dez caras que pareciam ter sido achados na rua, segurando sacolas de compras com sinos, chocalhos e pandeiros. (...) Coltrane vai ao microfone e começa a entoar “Om Mani Padme Om” que era um canto tibetano dos mortos.

Alice começa a fazer um tremolo e o grupo balança os pandeiros e tudo mais, e as pessoas começam a se entreolhar achando aquilo esquisito. Então ele entra em My Favorite Things. Toca a melodia por cima desse rubato retumbante e as pessoas aplaudem. Mas, é claro, depois da melodia não houve mais nada reconhecível e isso durou uma hora e quinze, ou pelo menos pareceu (na verdade, foram 25 minutos). Não estou exagerando: pelo menos metade do público se levantou e foi embora.”

Sei de outra ocasião que Trane subiu ao palco até com um tocador de gaita de fole. E no ano seguinte (1967), ele planejava ir a Los Angeles ter aulas com Ravi Shankar, seu grande ídolo.

Só Deus mesmo saberia no que isso iria dar... a humanidade ainda não estava preparada e, portanto, Ele levou John Coltrane para o outro lado, para um Amor Supremo. Era 17 de julho de 1967.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Debut de algumas bandas indie em 2011



The Sea Lions - Everything You Always to Know bout Sea Lions Butt Were Afraid to Ask (2011)

Esta banda está na ativa desde 2007. O que era um projeto do canadense Adrian Pillado tornou-se um sexteto e uma banda de verdade. Havia lançado umas demos com som bem ruim e um EP oficial em 2009 intitulado Let's Groove. Graças às performances ao vivo, como no Popfest, a banda fez seu nome na cena indie da Califórnia.

Este álbum de nome longo é o primeiro disco completo. Ai você pensa: isto parece àquelas bandas de meados dos anos 80, tipo Regressive Rock, Class 86 ou Anorak Rock – como the Bodiness, The Pastels – e, claro, as bandas da gravadora Sarah Records.

Nota-se também influência de surf music, o que acaba sendo um bom álbum para se ouvir na praia nesse verão.



Seapony - Go With Me (2011)

Também com álbum de estreia, o Seapony é de Seattle e gravam pela Sub Pop. O trio nevaga pelo Dream pop, meio surf music, lembrando Dum Dum Girls e Best Coast. São 12 faixas que não chega há ultrapassar 36 minutos.

Go With Me é uma coleção de canções simples e agradáveis – daquelas que nos primeiros segundos você já está acompanhado-as com os pés.

A banda é formada por Danny Rowland (principal compositor da banda) e sua namorada (ainda acho que é) Jen & Weidl nos vocais e conta com o baixista Ian Brewer, um amigo de infância de Rowland.



Still Corners - Creatures Of An Hour (2011)

Full-length do Still Corners. O album nos remete ao shogaze do My Blood Valentine, só que menos ácido e próximo do twee pop. Liderados pela cantora Tessa Murray,  a música também tende a nuances etéreos, psicodélicos, e cantado de forma sussurrada. Sombrio.

A banda é britânica e conta-se a lenda que foi formada  em uma estação de ônibus, quando o músico Greg Hughes convidou a cantora Tessa Murray para um projeto musical.

A fonte de inspiração vem de sons cinematográficos europeus, principalmente temas compostos por Ennio Morricone. É outra banda do selo Sub Pop.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Dorothy Ashby - The Rubaiyat of Dorothy Ashby (1969)



O Rubaiyat de Dorothy Ashby é seu disco mais espiritual, muito devido ao efeito da ainda recente morte de John Coltrane, em 1967 - o mais místico dos músicos de jazz. Ele que havia aberto caminho para um jazz mais espiritual, tendo sua influência reforçada ainda mais a espiritualidade em Pharoah Sanders e Alice Coltrane, já existente.

Rubaiyat dava sequência à parceria entre Ashby e Richard Evans (Afro-Harping, de 1968). A riqueza instrumento é maravilhosa, com Stu Katz tocando kalimba e vibes, Fred Katz kalmba, Cash McCall guitarra, Cliff Davis saxofone e Lenny Druss flauta oboé, baixo e piccolo. Ashby, por sua vez, aparece com sua harpa, o koto (instrumento japonês) e sua bela voz.

O álbum é conduzido por um ritmo hipnótico, exótico, ao mesmo tempo suave. Nele, encontramos soul, jazz, rock, bossa-nova, funk e um groove que nos remete ainda ao inexistente hip hop. Os arranjos de cordas a cargo de Evans, além de embelezar as canções, ajuda a criar um clima oriental e místico. Interessante, é que todos esses ritmos aparecem, às vezes, em uma mesma música. Clássico!

Dorothy Ashby foi uma artista singular. Nasceu na cidade de Detroit, em 1932, e bem jovem demonstrou talento para o piano. No entanto, estava em busca de um som diferente, e se empenhou a encontrá-lo um pouco mais tarde quando se decidiu a abandonar as teclas e enamorar-se da harpa.

Não há muitos exemplos de destaque de mulheres harpistas voltadas ao jazz - excetuando Adele Girard -, Ashby dedicou sua vida para preencher esse buraco com determinação e talento. Ainda mais, porque o início dos anos cinqüenta, com o advento da estética do bebop, acrescentou-se mais um desafio às mulheres. Decidida, ao lado de seus mais conhecidos e celebrados companheiros do sexo masculino, que arrasavam com saxofones, trompetes e pianos, ela impôs sua harpa – apesar da resistência de seus companheiros do Trio Ashby.

Ao lado de Alice Coltrane, Ashby é a maior harpista negra do jazz, levando seu instrumento a ir além do jazz, unindo-se também ao R&B, o soul e a música oriental – a utilização do koto, um instrumento japonês, o que pode ouvir neste Rubaiyat e no qual utiliza-se de guitarra, aproximando-a muito do jazz-rock (fusion).

Dorothy Ashby no Brasil é praticamente uma desconhecida. Mesmo tendo colaborado com artistas famosos como Louis Armstrong, Diana Ross, Dionne Warwick, Earth, Wind & Fire e Stevie Wonder. Além de ter música sampleada por artistas de hip hop – Ugly Duckling, Murs e Pete Rock.

Dorhty também se dedicou ao teatro, escrevendo todas as letras e fazendo todos os arranjos das canções nas peças que produzia junto ao marido. Sua harpa é destaque na canção "Come Live With Me", que está na trilha sonora para o filme de 1967, “O Vale das Bonecas”.

Ashby morreu de câncer a 13 de abril de 1986, em Santa Monica, California , 53 anos.



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

The Yardbirds – Five Live Yardbirds (1964)


Esta é a estréia da longa carreira de Eric Clapton, quando se iniciava ao lado do Yardbirds em um disco de blues-rock – logo sairia da banda devido a eles optarem por um direcionamento mais pop e, em seguida, uma linha mais psicodélica e hard rock, no caso, quando Jimmy Page tomou as rédeas do grupo.

Eric Clapton não duraria no Yardbirds, insatisfeito com o single For You Love, uma canção pop a qual ele mal contribui - se dizia um “purista do blues” - e foi tocar com John Mayall & the Bluesbreakers, uma banda que para ele defendia o blues.


Futuramente Eric reconheceria que era bastante radical em seu purismo blueseiro e o que ele um dia condenou e o fez sair do Yardbirds (o single pop de For Your Love), ele faria, principalmente em sua carreira solo, músicas bem mais pop; sua curta parceria com Phil Collins é uma prova disso.

Five Live Yardbirds é um álbum ao vivo e foi ficando popular de acordo em que a fama de Eric Clapton aumentava. Gravado no Marquee Club de Londres e produzido por Giorgio Gomelsky, sujeito que queria empresariar os Rolling Stones, mas perdeu para Andrew Loog Oldham, não perdeu a chance com os sucessores deles no Crawdaddy Club, de sua propriedade.

A banda em sua estréia interpretava canções de R&B e Blues. Eric já tinha ganhado o apelido de Showhand, dado por Gomelsky. O grupo serviu de modelo pra muitas outras de blues elétrico que viriam em seguida.

domingo, 4 de dezembro de 2011

The Beau Brummels – Triangle (1967)


Eles ficaram famosos com o sucesso Laugh Laugh, de 1963, o que os levou até a aparecer em um episódio dos Flinstones. The Beau Brummels era de São Francisco e já fazia sucesso em uma época anterior ao movimento hippie com toda aquela conversa de flower-power. O visual, portanto, era de bons moços, bem ao estilo “Beatles 65” – o nome Brummels Beau veio de um termo usado para descrever um almofadinha. E 1965 era o ano da estreia em vinil dos rapazes, Introducing The Beau Brummels, no qual trazia além de Laugh Laugh, o hit Just a Little.

Apesar de ser norte-americanos, a música defendida pelo grupo estava mais em sintonia com os grupos britânicos como The Beatles e The Zombies, embora houvesse uma crescente veia country, que fez do último álbum, Barn Bradley (68), quase um tributo ao estilo.


A banda era centrada nos músicos Sal Valentino e Ron Elliott, sendo que este último era o principal compositor. Triangle, o terceiro álbum, foi produzido quando Elliott se descobriu diabético e a banda resolveu parar de excursionar, passando assim, a concentrar nos estúdios. Procedimento que fez com que Triangle fosse álbum mais rico, cheio de sutilezas pop.

A variedade de estilos - folk, psicodelia, country, pop – chega a um equilíbrio quase perfeito. A pesar das críticas positivas do álbum, Triangle foi ignorado e esquecido rapidamente. No entanto, a banda se manteve viva ganhando popularidade ao longo dos anos, fazendo com que um novo público se deslumbrar com as composições excelentes e pessoais de Ron Elliot e a voz rica e expressiva de Sal Valentino.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Matthew Fisher - Journey's End (1973)


Quando me deparei com este álbum pela primeira vez, pensei: mas quem é esse Matthew Fisher? (embora o nome não me fosse estranho...). Ao ouvi-lo reconheci aquele som de órgão de igreja. É o carinha que tocava no Procol Harum! E um dos autores do clássico mundial A Whiter Shade of Pale ao lado de Gary Brooker e Keith Reid. Respeito.

Mas Matthew Fisher só foi reconhecido como coautor da canção na justiça, em 2009. Ele passou a ter 40% dos direitos sobre a música, claro, ele não é bobo – é uma das mais regravadas de todos os tempos. Não sei como ficou o clima entre os velhos amigos. Fisher que havia saído da banda depois do excelente Salty Dog (1969) voltaria a gravar com eles somente em 1991, e os deixaria novamente em 2004. Até onde sei, foi em 2005 que Fisher entrou com o processo, reivindicando os direitos sobre A Whiter Shade of Pale.

Fisher que produzia os discos da sua ex-banda, também foi produtor de outro ex-Procol Harum, Robin Trower, produzindo seus dois melhores álbuns Bridge of Sighs (1974) e For Earth Below (1975).

O disco é legal? Muito. Há momentos bem Procol Harum – principalmente quando o órgão está em destaque -; bons exemplos disso são Interlude e Separation. Enquanto nas baladas ao piano, parece que desce um Elton John no sujeito.

É um álbum bem ao gosto da época, a primeira metade dos anos 1970, quando os grandes astros da música se acomodavam em arranjos grandiloqüentes. Logo o punk daria um jeito nisso.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A carreira de Judy Dyble, a primeira vocalista do Fairport Convention


Sempre achei a cantora Judy Dyble sem sorte. Ela não parava em banda nenhuma e quando tudo parecia que iria para frente, a coisa desandava.

Para começar: ela foi a primeira vocalista do Fairport Convention – sim é aquela banda de folk rock a qual os integrantes do Led Zeppelin a reverenciavam-na. Depois de gravar um único álbum com eles, ela foi substituída por Sandy Denny; uma excelente cantora e uma incrível voz, o que fez com que a imprensa e os fãs esquecessem logo da Judy Byble.

Antes disso, a moça, que pensou seriamente em ser bibliotecária, tocou na banda The Folkmen. Chegaram a gravar algumas demos e ficou por isso mesmo; época também que se enturmou com a cena folk inglesa e logo, em 1967, já estava integrada ao Fairport Convention.

Ela teve que escolher entre a Biblioteca (onde já trabalhava) e a banda. O azar: é que não durou nada no grupo – até onde sei, ela foi dispensada porque queriam uma cantora que enquadrasse melhor ao som folk-rock-psicodélico, e a voz de Judy era muito branda para a empreitada. Mas também não pode descartar o fracasso comercial do début. Logo, o Fairport Convention estouraria com o álbum “Unhalfbricking”.

Judy iria para o Giles, Giles and Fripp onde não permaneceria mais do que um mês. Ela namorava Ian Mcdonald e quando o relacionamento acabou, saiu do grupo. Mais tarde o trio remanescente transformaria no King Crimson, um dos pilares do Rock progressivo. Ou seja, se ela estivesse permanecido na banda ficaria mundialmente famosa.

Mais tarde faria parte do duo Trader Horne com Jackie McAuley, (que tocaria bateria no grupo de Van Morrison) lançando um único álbum, “Morning Way” (1970) e dois singles. Depois dessa experiência ela deixaria o mundo da música em 1973 e só voltaria a gravar em 2004.

É no novo século que ela se dedica a lançar álbuns solos (por que demorou tanto?) – “Enchanted Garden” (2004), “Spindle” (2006), “The Whorl” (2006) – sem chamar muita atenção. Embora o último trabalho “Talking with Strangers” (2009) ela recebe muitos elogios da crítica e nele contém participação de velhos amigos como Ian McDonald, Simon Nicol e Robert Fripp.

Judy Dyble nunca desistiu da música, apesar de todos os percalços de sua longa caminhada. “Talking with Strangers” é um belíssimo álbum, tornando seu maior sucesso e merecido. A versão para “C'est la vie" do Emerson Lake And Palmer é respeitável e o grande final com Harpsong, e seus quase 20 minutos é sublime.