quarta-feira, 23 de maio de 2012

Ommadawn de Mike Oldfield



Eu também sou dentre os vários fãs de Mike Oldfield que tem em Tubular Bells seu melhor trabalho. No entanto, o multi-instrumentista inglês não viveu apenas desse clássico da música. Outros trabalho significativos vieram depois: Hergest Ridge (1974), Ommadawn (1975) e Incantations (1978). Uma sequência de álbuns irretocáveis. Era a fase de ouro da carreira de Mike.

Eu gostaria de contar a história deste músico aqui – ele é tão desconhecido das gerações atuais! – o sujeito toca mais de 60 instrumentos e é autodidata. Mike durante sua carreira transitou por vários estilos, desde do rock progressivo, música minimalista, folk celta, world music, música eletrônica, pop, música erudita. Ele ajudou seus dois irmãos – Sally e Terry – a se iniciarem na carreira música.

Ommandawn tem participação de Terry e Sally; esta participação de ambos deve-se muito a perda recente, em janeiro de 1975, da mãe deles. A lista de instrumentos tocados por Mike Oldfield é novamente impressionante, indo de harpa, banjo, percussão, sintetizadores, bandolins, entre outros.

É o terceiro álbum de Oldfield e foi lançado no dia 21 de outubro de 1975, tendo apenas duas longas faixas com pouco menos de 20 minutos. Ah, não dá nem para perceber porque, como de costume, existe várias mudanças de andamentos que se desenvolvem a partir de uma base melódica. No entanto, o melhor momento está no final: uma pequena melodia cantada por ele e acompanhada por um coral de crianças chamada on Horseback (no original pelo menos não vem creditada). Sublime!

 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Pirando o cabeção com Flying, do UFO



É verdade que com a entrada de Michael Schenker (ex-Scorpions e irmão de Rodolf Schenker) no UFO, a banda ganhou mais consistência musical, melodias mais apuradas e um excelente guitarrista. Mas que me perdoem os fãs do UFO hard rock de Schenker, eu prefiro o space rock, meio krautrock com o guitarrista Michael Bolton, principalmente neste primeiro trabalho, Flying (1971). Totalmente pirado!

Como eu estava falando, Michael Schenker é ótimo, cria grandes riffs e é um mestre da melodia, mas eu prefiro uma guitarra pirada – ainda bem que descobri, com o tempo, que existem outros gatos pingados que consideram esta primeira fase a melhor. Já que citei o Scorpions reparem que a capa de Flying lembra bastante o disco Fly to the Rainbow do Scorpions. Aliás, ambos obtiveram as mesmas influências de space/krautrock. Mas calma, o guitarra já era o grande Uli Jon Roth, Michael Schenker só participou do primeiro disco do Scorpions, Lonesome Crow, de 1971.

segundo álbum do Scorpions

A formação era Phil Mogg (vocais), Pete Way (baixo), Andy Parker (bateria) e Mick Bolton (guitarra). O petardo tem apenas cinco músicas mas soma-se ao todo mais de 50 minutos devido duas faixas serem de longa duração: Star Storm (18:54) e Flying (26:30). Inclusive considero-as as melhores.

Flying começa bem blues, mas depois a coisa muda – parece outra música – e também parece mais uma jam. Sei que a canção foi gravada ao vivo no estúdio. Bom, então, a maconha era boa. No final ela volta ao blues.  Para os detratores a música não passa de masturbação guitarrística. Star Storm é o desbunde total! Foi à primeira música que ouvi deles. Totalmente anos 70! Tem lá seus 18 minutos, mas você quer mais. Esta ainda é a música que mais gosto deles.

Portanto, Star Storm foi a escolhida para invadir o blog.

 

domingo, 13 de maio de 2012

Maggie May, o início de uma coleção de sucessos



Em 1971, Rod Stewart ainda nos devia um sucesso mundial. O cantor já havia lançado dois álbuns solos – The Rod Stewart Álbum (1969) e Gasoline Alley (1970) -, apesar de interessantes não chamaram muito a atenção. Portanto, Every Picture Tells a Story, seu terceiro álbum, seria tudo ou nada em sua carreira solo. Antes fora lançado o single de Reason to Believe, um cover de Tim Hardin – aliás, ficou muito bom e obteve certo sucesso.

Mas a canção que deu a Rod seu primeiro hit mundial, levando-o a conquistar os EUA, foi o lado B de Reason to Believe, a música Maggie May que os DJ´s das rádios resolveram tocá-la. Resultado: sucesso imediato, a canção cuja letra fala de uma tal de Maggie May – referia-se à primeira aventura sexual de Rod Stewart, misturando ficção com realidade – atingiu o  primeiro lugar no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Depois era só atravessar o Atlântico em Atlantic Crossing e manter uma série de hits radiofônicos, como Sailing um pouco mais tarde. Rod nunca mais precisou pensar em voltar a ser coveiro.


segunda-feira, 7 de maio de 2012




Há bandas dos anos 1960 que nunca serão esquecidas: como os Beatles, The Jimi Hendrix Experience - dos anos 1950 talvez apenas Elvis Presley ainda vai ser lembrado sempre. Mas quem se lembra dos ídolos dos anos 20, 30 e 40? Dificilmente quem tem menos de 25 anos sabe dizer sequer um nome. A tendência, infelizmente é esta; mesmo pessoas mais jovens que adoram música parecem que começaram a contar a história da música a partir dos anos 1980 e sabe citar um ou outro das décadas anteriores. Tenho minhas dúvidas se alguém que nascer daqui uns vinte anos vai saber quem foi Kate Perry.

Imagina esses artistas de hoje de sucessos meteóricos, que surgem aos montes para logo depois serem substituídos por outros após vencer o prazo de validade (“one-hit wonder”). Talvez a última grande banda a ser lembrada das últimas décadas vai ser o Nirvana, os que vieram depois se salvam muito pouca coisa. A música está cada dia mais descartável, foi-se o tempo em que parávamos para ouvir um álbum inteiro. Não existe mais o ritual de ouvir música.

The Jefferson Airplane é uma dessas bandas que com o passar das décadas vão sendo esquecidas e provavelmente as futuras gerações a desconhecerão. Eles foram muito importantes no movimento da contracultura, afinal estavam bem no meio onde tudo aconteceu, em São Francisco, Califórnia, ajudando a moldar aquilo que ficou conhecido como acid rock ou San Francisco sound.

Surgido em 1965, formado por Marty Balin (vocal), Signe Anderson (vocal), Paul Kantner, Jorma Kaukonen (guitarras, vocais), Bob Harvey (baixo) e Skip Spence (bateria) lançaram em 1966 o álbum Takes Off, mas foi com a entrada de Grace Slick (ex-Great Society) no lugar de Signe Anderson e Spencer Dryden no de Skip Spence que a banda decolou gravando Surrealistic Pillow (1967), Trabalhando com o produtor Rick Jarrad, a banda gravou o álbum  em 13 dias.


É nele que está dois grandes sucessos da banda, Somebody To Love e White Rabbit. Duas lindas baladas psicodélicas Today e Comin Back To me.

A fusão de folk rock e psicodelia do Jefferson Airplane foi muito original para a época, influenciados por bandas e artistas como The Byrds, The Mamas & the Papas, e Bob Dylan. Surrealistic Pillow anunciou ao mundo a cena boêmia que estava se desenvolvendo na cidade, iniciada pelos Beatnicks nos anos 50 e continuou na cena dos anos 60 na contracultura de Haight-Ashbury.

O som da banda foi mudando significativamente influenciada pelo surgimento de Jimi Hendrix e Cream, tendo a banda em busca de um som mais pesado e levando a uma maior improvisação. No anos 70 a banda muda para Jefferson Starship, com algumas alterações na formação, tentando se adaptar à nova década. Já nos anos 1980 ficaram bem pop e sobrou apenas o Starship no nome. Quando tentaram voltar com a formação e nome original em 1989, já era tarde demais.

domingo, 29 de abril de 2012

Black Tape for A Blue Girl - A Chaos of Desire (1991)



Black Tape for a Blue Girl é uma banda dos EUA e muito pouco conhecida no Brasil. Nunca teve um álbum lançado no país e provavelmente só terá algum quando a corrupção deixar de existir por aqui. Ou seja, nunca.

Foi formada em 1986, cuja formação muda em quase todos os discos, tendo apenas Sam Rosenthal como membro fixo em todos os discos, sendo ele o fundador da gravadora Projekt Records e produtor de todos os álbuns do BTFBG. Outro membro consistente na banda é Oscar Herrera que participou dos sete primeiros álbuns. Sua música é muitas vezes classificado como "gótico", mas muitos de seus seguidores não estão inteiramente de acordo com este rótulo, tem muito mais elementos de ambient, cabaret, darkwave e dark ethereal.

A combinação de sintetizadores analógicos com instrumentos antigos (que variam de violino clássico para alaúde, cítaras, gaitas de foles, tambores, tibetanos, etc.) dá base para a paisagem melódica dos poemas recitados carregados de melancolia e as letras a cargo de Rosenthal sempre transitando em temáticas de amor, vulnerabilidade, isolamento, solidão, ciúme, perda, etc.

A Chaos of Desire, para mim, é seu álbum mais bonito. Uma verdadeira viagem aos recônditos da alma, perscrutando as nossas emoções mais profundas guiadas por texturas eletrônicas e influências neoclássicas. A sensação de desolamento que estas canções nos causam é impressionante, principalmente em canções como These Fleeting Moments, Tears Love From My Mind, Of These Reminders e Could I Stay the Honest One?. Sorumbático.

 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O álbum “frio” de David Bowie – Station to Station (1976)


Hoje David Bowie é um recluso – abandonou o mundo da música (não faz shows desde 2004 e não grava desde 2003) e sua única preocupação é dedicar-se à pintura, desenho e à família. Mas houve uma época que este sujeito ditava as regras da música e não havia um ano sequer que não deixava de lançar singles e álbuns.

A ida de David Bowie aos EUA em 1975 fez com que sua fama aumentasse mundialmente. Principalmente com o lançamento do álbum Young Americans (1975) – o primeiro a estourar no mercado norte-americano -, o qual incluía seu maior sucesso até então, Fame, uma parceria com John Lennon. Com a fama mundial veio o vício da cocaína que quase o fez pirar.

Station to Station marca o início de sua obsessão pela Alemanha dos anos 1930 e de seu personagem The Thin White Duke: meio almofadinha, frio e pálido. De expressão fechada Thin White Duke criaria polêmica ao chegar a seu país natal, Inglaterra, com a famosa saudação nazista e declarações como: “Hitler foi o primeiro pop star”.


Lançado em 1976, Station to Station foi precedido pelo single Golden Years (composta originalmente para Elvis Presley gravar). O álbum é cheio de canções e arranjos refinados e complexos, onde mistura soul, funk, art-rock. TVC15 mostra o lado mais experimental que Bowie logo desenvolveria com Brian Eno na trilogia Low/Heroes/Lodger. A balada Wild is The Wind é um dos poucos momentos que ele põe emoção na voz.

O álbum só tem seis músicas e dura mais do que 40 minutos, mas é o suficiente para mostrar a grandeza do artista. Tanto o visual de The Thin White Duke quanto às canções deste álbum influenciaria o movimento New Romantic, que surgiria no final dos anos 1970. Duran Duran, Soft Cell e Japan (o visual dândi) são provas incontestáveis.



Quem viu o filme "Eu, Christiane F. 13 anos, Drogada e Prostituida, de 1981, verá David Bowie ao vivo em um show em Berlin cantando Station to Station e também TVC15 é tocada na "Sound", uma discoteca descolada da época.

sábado, 14 de abril de 2012

Eagles - Hotel California (1976)


Poucos conseguiram traduzir de forma tão sincera o espírito do rock californiano da primeira metade dos 1970 quanto The Eagles, banda liderada pelo vocalista e guitarrista/vocalista Glenn Frey e o baterista/vocalista Don Henley.

Foi o primeiro álbum após a entrada do guitarrista Joe Walsh (ex- James Gang) e disparado o maior sucesso comercial do grupo com Hotel California e seu final com o duelo de guitarras – um dos mais belos solos, convenhamos.

O álbum reflete o resultado do estilo de vida hedonista que acometeu grande parcela da comunidade de roqueiros de Los Angeles. A imagem da capa é do Beverly Hills Hotel e traz outras grandes músicas além da faixa título, como o hit New Kid in Town e às não menos belas Victim of Love e Pretty Maids All in a Row. Depois deste clássico a banda entrou em lenta decadência e o emergente punk rock varria do cenário musical os velhos enaltecidos e endinheirados da herança flower power.

A origem da banda remota ao início dos anos 70 quando quatro membros da banda de apoio de Linda Ronstadt formaram um grupo que explorou os vários elementos estilísticos de seus predecessores de L.A. – country, folk, rock – com grande sucesso artístico e comercial.

The Eagles era formado originalmente pelo ex-guitarrista dos Flying Burrito Brothers, Bernie Leadon, o egresso da Motown, Glenn Frey, o ex-baxista do Poco, Randy Meisner, e o baterista texano Don Henley.

Eles eram uma banda de duas guitarras que contava com instrumentos do country, uma base rítmica forte e harmonias bem armadas. No começo (vide o 1º álbum autointitulado) havia uma fascinação, coisa de época, pela religião dos nativos da América e pelos ensinamentos de bruxo Don Juan. Tanto que no dia marcado para a sessão de fotos para a capa do primeiro trabalho, a banda foi até o deserto, preparou uma fogueira, tomou chá de peiote e depois posou para a câmera.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Shelleyan Orphan - Century Flower (1989)


Este duo dos anos 80 apareceu fazendo uma música tipo The Cranberries, antes de estes surgirem, a diferença é que abusavam de arranjos neoclássicos – oboés, clarinetas, fagotes, violoncelos, violinos – em roupagem pop. Caroline Crawley e Jermaur Tayler teciam um pop de veia barroca (hoje seriam chamados de indie-pop) recheado de instrumentos acústicos, com direito a um conjunto de músicos clássicos, logo no primeiro trabalho, Helleborine (1987), que foi precedido do EP Cavalry Of Cloud, de 1986.

Mas é o no disco seguinte, Century Flower, lançado em 1989 pela Rought Trate que atinge seu grande momento. Produzido por Jim Scott e Dave Allen, este último produziu boa parte dos álbuns do The Cure. Aliás, Robert Smith havia tornado um grande fã do duo, chegando a convidá-los para uma turnê.

Shelleyan Orphan tinha potencial incrível – pena que as dificuldades internas e externas faziam com que seus álbuns demorassem a sair. Caroline Crawley tinha uma voz pura e forte, que ficava em algum lugar entre Kate Bush e Liz Fraser (Cocteau Twins). A música, embora ornamentada, foi baseada em torno das curtas mudanças de acordes que Johnny Marr (The Smiths) costumava fazer e o que o The Sundays, mais tarde soube transformar em uma mercadoria vendável.

Century Flower traz a música mais conhecida dos ingleses, Shatter, que à época era acompanhada de um videoclipe muito legal. Pena que a produção ficou muito limpa, numa época as bandas alternativas caminhavam para o oposto. O mesmo erro foi cometido no álbum seguinte, Humroot, de 1992, embora as canções em si sejam ótimas.

Após Humroot, a dupla ficou sem lançar material novo durante 16 anos, até que em 2008 surge We Have Everything We Need. A pouca repercussão do trabalho fez com Shelleyan Orphan encerrasse a carreira de vez.

Quando o Shelleyan Orphan, os críticos tiveram dificuldades em classificar sua música, mas hoje facilmente os classificariam de neofolk. O nome foi retirado do poema Alastar de Pery Shelley, escrito em 1815.



segunda-feira, 26 de março de 2012

The Twilight Sad - Forget the Night Ahead (2009)


Se você não se sente bem, está cheio de culpa, remorso, sentindo-se miserável e o mundo é um lugar muito triste de se viver, então este segundo trabalho do The Twilight Sad é para você. Música densa, atmosférica, sombria e uma parede de guitarras distorcidas que preenchem quase todas as canções nos dando uma sensação de desamparo e ainda somando-se a voz sincera de James Graham, torna-se tudo isso muito real.

I Became a Prostitute foi o único single e já diz muito do que ouvimos no álbum. A música da banda tem como influência Joy Division, The Smiths, My Bloody Valentine e artistas mais recentes como Arab Strap, Mogwai e Explosions in the Sky. Assemelhar-se muito ao Editors, outra excelente banda; diferenciam-se apenas por serem menos pop e por manter um som mais denso e ácido.

Forget The Night Ahead abre com Reflection of the Television e imediatamente nos coloca expostos ao wall of sound de guitarras durante uma marcha marcial, entre ecos e reverberações. Ao lado de I Became a Prostitute, a canção Seven Years of Letters é um dos grandes momentos do álbum.

Made to Disappear é quase uma balada, que também está entre as melhores.

The Room mostra que o Mogwai é realmente uma influência forte.

As letras são vagas e alusivas, combinando perfeitamente com o clima do trabalho: melancólico e sombrio.

The Twilight Sad é uma grupo de indie-rock escocês, que estreou em 2007 com o álbum Fourteen Autumns and Fifteen Winters, o qual foi muito bem recebido pelo público e crítica.

Após o lançamento de seu primeiro álbum, são convidados a serem banda de abertura de grupos de grande importância, como Smashing Pumpkins, Snow Patrol, Beirut e muito mais. Com o segundo álbum, Forget the Night Ahead, avançam um passo à frente em relação ao trabalho anterior, tanto a nível lírico quanto musical, anunciando atmosfera muito mais sombria.

As situações que são descritas nas canções são os eventos dos quais o vocalista James Graham havia passado nos últimos dois anos, acontecimentos estes, como ele mesmo diz, não o fez ficar exatamente orgulhoso de si mesmo, mas transformou-o numa pessoa mais madura.

Recentemente lançaram um novo álbum, No One Can Ever Know, no qual entra em cena teclados e sintetizadores, seguindo um caminho muito semelhante ao que o Editors fez, por coincidência, também no terceiro álbum da carreira. Mas não pense que a tristeza foi-se embora.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Enquanto a música me permitir sonhar

A cada dia a música fica mais barulhenta, independente do estilo, colocam mais efeitos, overdubs nas canções que chegam a ser maçantes. Depois de invenções como dubstep e brostep a coisa piorou. O funk, o reggae, o pop, a música “sertaneja”, o rock estão cada dia mais barulhentos. Foi-se o tempo que música descansava os ouvidos.

Com os poderosíssimos estúdios de gravação de hoje, mais sons diferente colocam em uma música, fora ruídos e efeitos que mais atrapalham do que ajudam, simplesmente com a intenção de soarem “moderninhos” e “inovadores”. Se antigamente usava-se 8 canais, hoje se usa mais de 100 canais. Ouvir música está deixando as pessoas cansadas - e em alguns casos, loucas.

Veja esta bosta logo abaixo. Perceba como a “música” deixa as pessoas com cara de retardadas:



Aí acontece que fui ouvir o disco Randy Burns (o segundo dele), Evening of the Magician, de 1968. Cantor da cena folk de Greenwich Village que havia lançado alguns discos e desparecera da cena, como todos outros de sua época.

O que se ouve em Evening of the Magician dá para perceber que é aquele tipo de música que você podia sentar debaixo de uma árvore e viajar ao som da canção, sentindo cada nota. Música era sinônimo de sonhar!

Ouvi o disco todo, e ele me fez pensar na vida, no passado, no presente e um possível futuro. Música, a arte de fazer os sons tocarem o fundo do nosso ser. Mas, infelizmente, música é vista como entretenimento hoje. Basta você dar um passeio pelo mundo virtual e verá que para acessar informações sobre música você tem que clicar no link “entretenimento”. Ou seja, música não é vista mais como coisa séria. Aliás, o vídeo do Skrillex já deixou bem claro isso.

Eu quero ouvir música que me permita sonhar e que me faça sentir a vida cada vez mais, profundamente, dentro e fora de mim.

sábado, 10 de março de 2012

Alan Sorrenti


Ele começou sua carreira no início dos anos setenta com álbuns mais próximo do rock progressivo e sons experimentais, nos quais podemos encontrar influência de Tim Buckley (principalmente do LP “Lorca”), Van Der Graaf Generator e Shawn Phillips, enquanto sua voz lembrava bastante Peter Hammill.

A influência de Van Der Graaf Generator e Tim Buckley sempre foi assumida, tanto que ele convidou David Jackson (VDGG) para tocar flauta em seu segundo disco, Come un vecchio incensiere all'alba di un villaggio deserto.

Alan Sorrenti nasceu em Nápolis, mas viveu boa parte de sua infância no País de Gales. Sua obra é quase toda cantada em italiano. Aria (1972), seu primeiro álbum é considerado uma obra-prima do gênero folk-progressivo. Trabalho envolvente, com uma atmosfera que envolve o ouvinte imediatamente, principalmente pela sua incrível voz. Ele faria mais algum álbum nesta linha e com a aceitação da cena rock-progressivo italiano, fez com que ele abrisse muitos shows de bandas do Reino Unido do estilo.

O exótico primeiro LP, Aria, de 1972
Em 1976, seu estilo musical muda bastante. Passa a seguir um estilo mais pop, levando-o a grande sucesso comercial. As rápidas mudanças para o pop italiano e, como são evidentes a partir de relatos da época, ocorreram devido a problemas de voz que o impediam de fazer algumas alterações, especialmente ao vivo, o que o fez mudar de rumo.

Sorrenti sumiria praticamente nos anos 1980, devido a desagradáveis envolvimento com posse e tráfico de drogas, o que culminou em sua prisão. Na verdade, a história do tráfico foi um exagero. Mas não vou entrar aqui nesta história mal explicada.

Alan Sorrenti voltaria nos anos 90, mas como cantor romântico. Mas sua reaparição pública se deu em 1988, no festival de Sanremo. Seu álbum mais conhecido é Radici, de 1999. Ele continua com sua carreira musical e é até bastante popular na Itália. No entanto, seus primeiros trabalhos foram o suficiente para deixar sua marca.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Björk – Gudmundsdóttir (1977)


O primeiro álbum da cantora islandesa Bjork não é aquele que ela lançou logo após sair do The Sugarcubes, Debut (1993). Sua primeira gravação em vinil acontecera em 1977 quando ela tinha apenas 11 anos. Gudmundsdóttir vendeu sete mil exemplares, o que era o suficiente para ganhar disco de platina em sua terra natal.

Em um pequeno estúdio em Reikjavik, Bjork registrou Gudmundsdóttir. Álbum repleto de canções tradicionais islandesas, incluindo uma curiosa versão de Fool On The Hill dos Beatles, que torna-se Alfur Út Ur Hol – creio que seja a primeira gravação de uma música deles em islandês. Se faz presente também a cover para Your Kiss Is Sweet” de Stevie Wonder.

Bjork canta desde os 5 anos e sempre era acompanhada do padrasto, um cantor de rock apaixonado por Jimi Hendrix, Janis Joplin e Deep Purple. Seus pais haviam se divorciados antes dela completar seu segundo aniversário e cresceu em uma comunidade hippie com sua mãe e mais sete irmãos.


Antes de ganhar fama fora da Islândia com o Sugarcubes, e com o sucesso de seu primeiro álbum, ela passaria a adolescência cantando em várias bandas e experimentando vários tipos de música, do jazz ao punk rock: Exudos, Jam 80, Tappi Tikarrass, Theyr e Kukl – esta última chegou a excursionar pela Europa e lançou dois álbuns - o Gudmundar Ingólfssonar Trio também ficou bastante popular na Islândia e lançou o LP “Miranda”.

Veja o vídeo com Björk cantando Beatles




Aqui em 1976 cantando “I Love to Love”, antigo sucesso Disco da cantora Tina Charles

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Black Sabbath - Sabbath Bloody Sabbath (1973)


Sim, este é um disco do Black Sabbath em sua formação clássica. Mas não espere o som heavy rock dos álbuns anteriores – na verdade Sabbath Bloody Sabbath tem muito pouco de heavy metal e muito de rock progressivo.

Aqui, não se ouve riffs pesadíssimos e solos chapantes. Claro que os riffs típicos de mestre Iommi estão lá e a canção que dá nome ao álbum é um bom exemplo, como também A National Acrobat e Sabbra Cadabra. Mesmo assim o peso é bem moderado e as mudanças de andamento (aliás, maravilhosas) são constantes, misturando dois estilos, muitas vezes, em uma mesma música.

Arte da contracapa
Sabbath Bloody Sabbath é o quinto álbum da banda e foi gravado em 1973 no Castelo Clearwell, que ficava na Floresta de Dean, Inglaterra. Mas o que eles não sabiam é que o lugar era mal assombrado. Lá, os quatro viram vulto de um fantasma andando pelo castelo, no entanto, não encontrava ninguém.

Mas o fato mais estranho foi um livro de poesia celta de cerca de 400 anos que Ozzy havia dado de presente a Geezer que desaparecera misteriosamente. Conta-se que Geezer após guardá-lo em uma estante, foi surpreendido por um enigmática gato preto parado na janela, que depois de encará-lo saiu furtivamente. Infelizmente ao procurar o livro, ele já não estava mais lá. Nunca mais foi encontrado, para a tristeza do baixista.

Voltando ao álbum, ele é repleto de sintetizadores e piano, cortesia de Rick Wakeman, aqui disfarçado como Spock Wall, por motivos contratuais. Iommi também toca teclado na bela Fluff. A soturna Spiral Architect é outro destaque com seu arranjo pra lá de esquisito. Mas as faixas que ficaram famosas é Sabbath Bloody Sabbath e Killing Yourself to Live ainda presentes em shows até hoje (isso quando a banda volta-se a reunir). As outras canções ficaram meio que esquecidas, portanto, raramente ganharam versões ao vivo, afinal era cheias de cordas e passagens orquestrais.

Este é o trabalho mais bem arranjado e melodioso do Black Sabbath, o que levou a receber os primeiros elogios da crítica especializada da época e para alguns é até o melhor álbum da banda.

Só mais uma coisa: Ozzy Osbourne nunca foi um grande vocalista e sua voz injuriada também nunca foi lá grande coisa, mas ninguém pode negar que seu vocal combinou perfeitamente da banda.

Com a música Sabbath Bloody Sabbath, a banda ganhou seu primeiro videoclipe – não considero aqueles feitos tocando ao vivo com imagens psicodélicas ao fundo. Veja a baixo:

sábado, 18 de fevereiro de 2012

The Waterboys - Karma to Burn (2005)

Não sou um grande fã de álbuns ao vivo, mas este Karma to Burn do The Waterboys é maravilhoso. São treze temas extraídos da turnê realizada entre 2003 e 2004 pela Irlanda e Inglaterra. É o primeiro álbum ao vivo oficial da banda, embora exista um bootleg semi-oficial datado de 1998, mas com gravações de 1986. Claro, não chega a ter a qualidade sonora de Karma to Burn.

A carreira do Waterboys remota a 1981 e deixou para posteridade pelo menos dois clássicos, This is the Sea (1985) e Fisherman´s Blues (1988). A partir de meados dos anos 90 a discografia se tornou um pouco mais esparsa, mas a qualidade se manteve intacta tendo sempre à frente Mike Scott.

Desta vez, a banda é um quinteto. A seção rítmica é formada por Steve Walters (baixo), Carlos Hércules (bateria), Richard Naiff (teclados), Steve Wickham (violino) e, claro, Mike Scott com sua impecável voz e guitarra.

Canções de todas as fases da banda, incluindo músicas dos dois álbuns solo de Scott. Obviamente, não poderiam faltar os clássicos, com destaque para a potência de O Pan Within (mais de treze minutos!), que aqui ganhou uma versão mais roqueira. Temos Fisherman's Blues e a inesquecível The Whole Of The Moon.

Wickham também tem o seu momento de glória em The Return Of Jimi Hendrix e incluiu duas covers, A Song For The Live, com a adição do ex-Waterboys Sharon Shannon, no acordeão e Come Live With Me, que fecha acusticamente o álbum, totalizando mais de setenta e cinco minutos de muito prazer.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

The Horrors – Skying (2011)



Quando o The Horrors surgiu com o primeiro álbum, Strange House, em 2007, fazia uma música que era um verdadeiro caldeirão de Medeia de influências; era um som mais ácido, barulhento onde o psychobilly sobrepujava os demais elementos. Sei lá, aquelas guitarras e vocal gritado de Faris Badwan me lembrava o The Cramps.

No segundo trabalho, Primary Colours (2009), nota-se uma mudança enorme, para melhor! A banda ganha personalidade. O som trash de garage dá lugar a uma música mais elaborada: influências psicodélicas e de krautrock, shoegazer do final dos anos 80, levemente eletrônico e canções mais longas dão o tom.


Ano passado The Horrors lançou Skying, o terceiro álbum. Menos krautrock e shoegazer, dando mais espaço para as influências pós-punk de bandas como Echo & The Bunnymen, Simple Minds e The Psychedelic Furs, principalmente esta última. As guitarras foram para o segundo plano e os teclados tomaram conta das composições de vez; basta ouvir as primeiras faixas Changing the Rain e You Said.

O quinteto de Southend-on-Sea (uma cidade turística perto de Essex) mostrou que muda em cada disco. A voz de Faris está cada vez melhor, a guitarra de Josh Hayward flutua levemente nos tapetes sonoros do teclado de Tom Cowan, enquanto a cozinha de Rhys Webb e Joe Spurgeon mantém a seção rítmica bem ao estilo Stone Roses e Inspiral Carpets.

Desta vez o álbum foi produzido pela própria banda, o que foi bom para acabar com a bobagem de muitos pensarem que a mudança sonora que se deu a partir de Primary Colours foi devido à produção (a velha história de disco de produtor) de Geoff Barrows, célebre produtor do Portishead.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Entreat - a versão ao vivo de Disintegration do The Cure


Entreat é a versão ao vivo do álbum Disintegration do The Cure, gravado em Londres, na Wembley Arena; na verdade incluía apenas 8 músicas. Lançado oficialmente em março de 1991 (CD, vinil e fita cassete), registrava a Prayer Tour, um show inesquecível.

Em 2010 com o relançamento de Disintegration, aproveitaram para relançar também Entreat, desta vez com todas as músicas. Entreat em sua nova versão (edições limitadas em LP duplo) passou a se chamar Entreat Plus. A versão Deluxe Edition de Disintegration (em 3 CD´s) vem com o álbum de 1989, mais Entreat e um terceiro CD incluindo demos e outtakes.

Infelizmente quando Disintegration saiu em vinil, aqui no Brasil, não foram incluídas as canções Homesick e Last Dance; músicas as quais considero indispensáveis, principalmente Homesick - uma das músicas mais tristes que já ouvi na vida. O tema do álbum era sobre envelhecer, quando começamos a olhar com tristeza e saudade para o passado.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Jesus and Mary Chain - Psychocandy (1985)


Para uns, Psychocandy é um clássicos dos anos 80 que abriu caminho para várias bandas como My Blood Valentine, Chapterhouse, Loop e Spacemen 3, bem como definiu aquilo que ficou conhecido como shoegazer. Para outros, não passa de barulho em três acordes onde mal se pode ouvir a música, devido o “wall of sound” ensurdecedor de microfonia.

O álbum marca a estreia em vinil dos irmãos Reid – Jim e William – que mal haviam saído da adolescência, e contando com o reforço dos amigos Douglas Hart e Bobby Gillespie - o futuro Primal Scream escondido no mini-kit de bateria.

Antes, lançaram alguns singles irretocáveis, “Upside Down” e “Never Understand” – mas não se preocupe os singles dá época foram todos incluídos (mais b-sides e versões ao vivo) na versão deluxe, lançado em 2011.

Em meio à barulheira ácida podemos distinguir influência de surf music (Beach Boys, no caso), reverberações ecos de Suicide, Velvet Underground e a urgência punk do Buzzcoks. Entrementes, há espaço para baladas pop; é o caso de "Just Like Honey", "Cut Dead" e "Sowing Seeds", canções doces como mel.

Os escoceses amansariam sua música no álbum seguinte (“Os ruídos e a microfonia estavam destruindo o grupo. As pessoas só comentavam o barulho que fazíamos, ignorando nossas composições”, Jim Reid), Darklands, outra obra-prima.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Buddy Holly, o primeiro “nerd” do Rock´n´Roll


Charles Hardin Holley em Lubbock – com este nome um artista dificilmente faria sucesso à frente de uma banda de rock´n´roll. Se não bastasse, o visual de nerd também não ajudava muito. No entanto, ao passar a utilizar o apelido Buddy, cortar o “e” de Holley e estar à frente da banda Crickets (os Grilos) – que influenciaria a criação do nome The Beatles -, ele em apenas dois anos produziria um catálogo de canções que provocaria grande impacto nas gerações subseqüentes do rock.

Buddy Holly – como a maioria dos jovens antes do advento do Rock´n´Roll -, tinha o country como a maior influência e a figura de Hank Williams, um modelo a ser seguido. Mas Holly também estava ligado ao R&B e blues, que eram outros ingredientes na receita do rock´n´roll.

Nascido no Texas e cercado por uma família musical, aos cinco anos de idade já participava de programas do tipo “show de talentos”. Ao conhecer Bob Montgomerey em 1955, inicia a dupla Buddy and Bob Show, passando a se apresentar para o público local. Mas tudo mudaria ao conhecer Elvis Presley, quando abriu seus shows em Lubbock e se tonaria amigo do Rei.

No ano seguinte, já como Buddy Holly and the Crickets registra a canção “That´ll Be The Day”, no estúdio do produtor Norman Petty - música pinçada de seu antigo repertório country, numa releitura rock. Foi ela que atraiu a atenção! do selo nova-iorquino Coral/Brunswick, que logo a lançou. Não demorou para o compacto atingir os primeiros lugares das paradas.

Foi o início de uma extraordinária associação entre Holly, Petty (que também se tornou seu empresário e (co-autor da maioria das músicas, prática muito comum entre os produtores na época) e os músicos que integraram os Cricket sem suas diversas formações - os guitarristas Niki Sullivan e Tommy Allsup, os baixistas John B. Maudline Larry Welborn, e o pianista Glen Hardin, entre outros. Sob as batutas da dupla Holly/Petty foram desenvolvidas técnicas pioneiras não só no approach musical - como a simbiose do country com a batida pesada, herdada do r&b e o característico vocal hiccup ("soluçado") de Holly, estendendo-se de seu timbre normal até o falsete -, mas principalmente em termos de técnicas de gravação.

Foram os primeiros a utilizar overdubs em estúdio (a voz dobrada de Holly em "Words Of Love") e outros métodos pouco ortodoxos de gravação (as palhetadas de Holly em primeiro plano e o acompanhamento apenas de tom-tons feito por Allison em "Peggy Sue" ou este último "tocando" os próprios joelhos em "Everyday").

Holly se separaria dos Crickets e em 1958 começaria carreiro solo. Para promover sua nova fase aceitou entrar para a turnê Midwest Winter Dance Party, ao lado de Dion and The Belmonts, Richie Valens e Big Bopper. Viajavam de ônibus (nem sempre em boas condições) enfrentando condições climáticas baixas regidas por neve e gelo.

Em meio à turnê o ônibus chegou a quebrar, Holly desesperado por uma boa noite de sono, alugou um avião particular para a banda chegar até Morehead, Minnesota, o próximo local de show. Após uma disputa para quem iria de avião, tiraram a sorte no velho e bom método de cara ou coroa, Holly, Valens e J. P. Richardson (Big Booper), claro, junto ao piloto, decolaram com em 3 de fevereiro de 1959. Infelizmente, o avião foi encontrado espatifado em um anteparo contra a neve, a treze quilômetros do aeroporto.

O legado de Holly é enorme, ainda mais se levarmos em conta a sua curta carreira. Muitos grupos não apenas seguiram a formação de duas guitarras, baixo e bateria, como também reproduziram o clima das músicas.

Bob Dylan chegou a assistir um dos últimos shows de Holly, Paul McCartney adquiriu os direitos de edição de todo o catálogo do artista e a influência de Buddy Holly estender-se-ia até a New Wave. Elvis Costello que o diga.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

David Bowie - Space Oddity (1969)



Primeira edição sem o título
Space Oddity (Man of Words / Man of Music nos EUA) é o segundo LP de David Bowie, de 1969, no qual se percebe suas primeiras mutações visuais e musicais. Ele abandonava o estilo e visual mod e partia para algo mais próximo ao folk, rock progressivo e vestígios de psicodelia. Na verdade o disco é bem riponga; tanto que alguns críticos referem a essa fase como a “a fase hippie”.

O álbum sempre criou certa confusão, pois seu primeiro lançamento pela Philips trazia um foto facial de Bowie exposta em cima de uma obra do artista Victor Vasarely com manchas azuis e violeta sobre um fundo verde. A capa vinha apenas com o nome David Bowie.

Versão de 1972. Bem diferente do original
Quando o álbum foi relançado como Space Oddity em 1972 pela RCA, um retrato mais recente do período Ziggy Stardust foi exibido na capa. Para a reedição em CD de 1999 a capa original foi restaurado no Reino Unido, embora o novo título fosse adicionado sob o retrato para evitar mais confusão. A edição para o 40th Anniversary também usa a tampa original do Reino Unido, mas reverte para a tonalidade verde original e o título “David Bowie”.

Space Oddity, que abre o álbum, é um de seus maiores sucesso e uma de suas canções mais conhecidas. Inspirada em 2001, Uma Odisséia No Espaço, de Stanley Kubrick, é lançada no dia 11 de julho de 1969, nove dias antes de Neil Armstrong pisar na Lua, em single. A música foi um sucesso, chegando ao quinto lugar da parada britânica e primeiro lugar nos EUA; mas o disco foi um fracasso total.

Quem tem a compilação Love You Till Tuesday, que promovia o filme de mesmo nome, pode-se ouvir a primeira versão de Space oddity, bem mais rústica.
Versão com o título adicionado

O álbum não vive apenas da canção título, outras canções se destacam. Wild Eyed Boy from Freecloud, muito influenciada pelo budismo. Aliás, Bowie pensava seriamente em virar monge budista – sorte nossa ele desistir um mês antes de ter a sua cabeça raspada e fazer seus votos.

Memory of a Free Festival soa nostalgica, trata-se de uma reminiscência de um festival de artes que ele tinha organizado em 1969; também foi interpretada como um comentário irônico sobre a contracultura. O andamento lento e com um crescente coro no final a fez ser comparada a Hey Jude dos Beatles.

Unwashed and Somewhat Slightly Dazed mostra uma forte influência de Bob Dylan. Letter to Hermione é uma balada de despedida dedicado a ex-namorada de Bowie, Hermione farthingale.

Depois deste álbum Bowie lançaria The Man Who Sold the World, outro incrível trabalho, uma mescla de heavy metal com os solos chapantes de Mick Ronson e aparece de vestido na capa.



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Calenture (1987) – The Triffids


Os australianos, oriundos da cidadezinha australiana de Perth, do The Triffids neste quinto trabalho atingiram seu melhor momento. A banda no álbum anterior, Born Sandy Devotional (1986), já havia preparado terreno quando soube melhor moldar suas influências de folk, blues, art rock, pop e muito The Doors – em vários momentos baixa um Jim Morrison na voz do líder David McComb; o que fica óbvio em canções como Kelly´s Blues. Calenture também traz a maior concessão ao pop da banda, Holy Water.

O título do álbum, Calenture, significa um delírio tropical que acomete os marinheiros que passam muito tempo longe da terra firme, fazendo-os pular em alto-mar, imaginando que se trata de uma pradaria. Ele traduz perfeitamente o clima alucinatório que permeia as composições de David McComb.

Algumas canções com certo clima blues, cheias de tristeza palpável lembra outro australiano, Nick Cave, principalmente em sua fase The Good Soon. Mas são as baladas pungentes de Bury Me Deep in Love, Blinder by the Hour e What You Can que comprovam toda a beleza deste álbum.

A banda lançaria mais um álbum, The Black Swan, antes de se separar em 1989. McComb tentou estabelecer carreira solo, lançando Love of Will, de 1994. Infelizmente em uma viagem para Nova York, McComb ficou doente, rapidamente voltaria para a Austrália, sendo posteriormente colocado em uma lista de espera para transplantes de coração. Um doador foi descoberto em 1995, e McComb passou por uma operação bem sucedida.

Em 30 de janeiro de 1999, McComb foi hospitalizado após um acidente de carro, ele faleceu em 2 de fevereiro do mesmo ano, enquanto tentava se recuperar.